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ESQUERDA? DIREITA?

Falta ao Brasil consistência política progressista. Nossa trajetória aponta para uma vocação sádica pela direita. Não me venham com a ladainha de que tal dicotomia (Esquerda/Direita) não faz o menor sentido hoje.

As contradições sociais brasileiras geram dois segmentos políticos bem demarcados e antagônicos: há sujeitos profundamente empenhados na manutenção do sistema como ele foi construído (Liberal Conservador). Por outro lado, existem aqueles que lutam à procura de transformações estruturais desse modelo.

Dois elementos semânticos, conforme Norberto Bobbio, são imprescindíveis para uma compreensão mais aprofundada: o que se entende por liberdade e por igualdade.

Nas leituras direitistas, ocorre um apelo veemente às diferenças existentes entre as pessoas e os grupos pessoais. Aos olhos delas, essa deletéria estratificação social é legítima e natural. Portanto, a “desigualdade social” é a menina dos olhos. A fim de manter o quadro estável, vai-se às últimas conseqüências.

Os esquerdistas, contrariamente, defendem que não existe liberdade sem que haja as condições necessárias para o exercício pleno da mesma. Apenas a igualdade de oportunidades não é o suficiente.

Eis algo que não pode nos escapar: trata-se dos limites, ou melhor, do nível de coerção que tanto conservadores e progressistas (Esquerda/Direita) apresentam. Ora, liberdade absoluta é uma ilusão.

Em “Esquerda e Direita”, mestre Bobbio nos ajuda no entendimento dessa problemática, elencando quatro subdivisões no interior de cada corrente (Esquerda/Direita). Temos a “extrema esquerda” – prega que, acima de tudo, deve estar a igualdade; a “esquerda moderada” – advoga uma independência entre liberdade e igualdade; a “extrema direita”  - defende o autoritarismo como instrumento único de combate a toda e qualquer idéia de igualitarismo; e a “direita moderada” que não aceita a igualdade, mas defende a liberdade.

À luz do que vivenciamos no Brasil, só mesmo ingênuos caem nas falácias, algumas estribadas em “belas” razões, de que essa contraposição (Esquerda/Direita) já era.

Na esteira de Emir Sader, podemos afirmar que o neoliberalismo é a suprema manifestação do pensamento, da ideologia e da prática da direita. O neoliberalismo, diz o professor, como proposta de reorganização da sociedade em função do livre mercado, deixa entregues ao espírito mercantilista os direitos à saúde, à educação, à vida, enfim.

À esquerda, cabe a tremenda responsabilidade de pensar e propor um outro modelo de justiça social. Estou com Sader: ser de esquerda hoje consiste na afirmação dos direitos de cidadania para todos, significa a priorização das políticas sociais sobre as lógicas econômicas privatizantes, significa o desenvolvimento do mercado interno de massas para distribuir renda e capacidade de consumo para as grandes massas marginalizadas, significa a transformação da democracia política numa democracia com conteúdo social de igualdade, de liberdade e de fraternidade.

Se desejamos, enfim, compreender essa loucura em que se transformou nosso tempo, mantenhamos viva nossa capacidade crítica, filosófica, analítica e, sobretudo, não percamos a esperança de que o mundo pode sim ser menos feio.


                                                         

 

Ary Carlos Moura Cardoso
Enviado por Ary Carlos Moura Cardoso em 01/11/2007
Código do texto: T718918
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Ary Carlos Moura Cardoso
Palmas - Tocantins - Brasil
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Ary Carlos Moura Cardoso