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Leite batizado.

O caso do leite batizado com água oxigenada e soda cáustica por causa de uns trocados a mais vem sendo exaustivamente debatido e divulgado pela mídia. Contudo, como muitos outros escândalos, certamente este também cairá no esquecimento. È só surgir outro caso esdrúxulo e pronto. O leite será esquecido no fogão, fervido e derramado na alta temperatura da amnésia de nossa população. Aliás, essa amnésia do povo brasileiro é uma das causas que dão longevidade a políticos inescrupulosos, empresários aventureiros e tantas outras figuras tristes que semeiam um amanhã de reajuste perante as leis da vida. Não digo para ficarmos remoendo, a esperar o momento de se vingar com ferro e fogo de quem protagoniza esses espetáculos bizarros. O não esquecer que cito aqui deve proporcionar ação, jamais retaliação. Não esquecer na hora de votar, não esquecer na hora de comprar, não esquecer na hora de se posicionar.
Não podemos dar de ombros e raciocinar que o episódio do leite batizado é apenas mais um. Quando deixamos de nos incomodar com os desmandos, absurdos e injustiças cometidas, caímos nas malhas da omissão a considerar que o errado é normal. Corrupção não é normal. Violência não é normal. Colocar a vida de crianças, idosos, mulheres e homens em perigo por alguns trocados a mais não pode ser normal. Todos esses fatos são anormais, filhos do egoísmo humano.
E veja, caro leitor, estamos tão anestesiados por esses absurdos que premiamos e mostramos como heróis pessoas que têm atitudes normais. Lembram-se de Francisco Basilio Cavalcante, aquele senhor que achou uma carteira recheada de dólares no aeroporto de Brasília e devolveu ao turista? Pois é, teve um amigo meu que chorou de emoção na hora que viu a reportagem, e com voz embargada, disse: “É, esse mundo ainda tem jeito!”
O Governo que não é bobo nem nada aproveitou o Seu Francisco Basilio e o utilizou na campanha: “Sou Brasileiro e não desisto nunca!”
Ele se tornou herói nacional porque foi honesto. Mas o mais dolorido foi ver pessoas dizendo que Seu Francisco foi inocente e não deveria devolver a carteira. A que ponto chegamos! Ser honesto é obrigação! Quando devolvemos o bem de alguém, não estamos fazendo nenhum favor, estamos apenas não nos apoderando do pertence alheio. È necessário quebrar esse paradigma de que ser honesto é virtude. Ah, vou votar em fulano, ele é honesto! Nada disso.
Não roubar, não matar, não lesar o semelhante, não furtar, são códigos que demonstram o que NÃO DEVEMOS FAZER.
Imperioso, além de NÃO FAZER O MAL, praticar o bem no limite de nossas forças. Além de honesto, serei generoso. Além de não me corromper, serei cidadão atuante, participativo. Que o episódio do leite batizado possa nos despertar para uma atitude mais ativa perante a vida.
Pensemos nisso.
Wellington Balbo
Enviado por Wellington Balbo em 04/11/2007
Código do texto: T723281
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Sobre o autor
Wellington Balbo
Bauru - São Paulo - Brasil, 42 anos
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