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Tropa de Elite

Depois de tanto oba-oba e falatório, finalmente assisti ao filme "Tropa de Elite", já consagrado pelo público e pela crítica como o filme nacional do ano. E bem, colocarei aqui algumas reflexões minhas, porque esse filme realmente mexeu comigo de uma forma que eu não imaginava ser possível. Primeiro de tudo, ressalto a realidade que o filme passa: as cenas de tortura com o saco plástico me davam uma vontade de vomitar absurda, e eu seriamente pensei em sair da sala no meio do filme. E olha que eu sou uma puta casca grossa, se me permitem o linguajar.

No entanto, ao sair da sessão, lembrei-me de ter lido no jornal que durante as primeiras sessões nos cinemas, a platéia chegava a aplaudir certas partes, como quando o personagem principal (Capitão Nascimento) manda "sentar o dedo" ou o Matias grita "você matou meu amigo!". E era essa mesma platéia que aplaudia esse show de ultra-violência que tinha seus filhos retratados na telona, fumando 'becks' pelas faculdades do Rio de Janeiro afora.

Me chamem como quiser, mas não gosto de drogas. Já tive 'n' oportunidades de usar, mas nunca tive curiosidade ou vontade de fazê-lo. Perder minha noção de realidade, mesmo por um curto tempo, é uma idéia que não me agrada, mesmo com problemas ou aborrecimentos que para qualquer usuáro seriam mais que razoáveis.
Nessa hora, assumo meu lado Matias: é porque você tem uma boa condição de vida, oportunidades e situação financeira que você não vê uma pessoa mais jovem que você tomando vassourada na bunda para dedurar um traficante. Ou um guri mal saído da infância com uma pistola na cara que, não sendo morto por um policial, será por um traficante.

Não interpretem isso como um elogio à polícia: não gosto de policiais. Na verdade tenho muito medo deles, e não gosto deles assim como não gosto de maconheiros.
Nunca conheci um policial, fosse ele corrupto ou ético, mas sempre vejo o carro da PM chegando na hora do arrêgo no Centro da cidade. E é nessa parte que eu achei o filme totalmente sincero e realista, ganhando meu respeito total: ele joga o holofote tanto na corrupção policial quanto na juventude elitizada (ou 'wannabe' elitizada) dos dias de hoje, que acha nas causas sociais um meio para justificar seu espírito "alternativo" (vide "maconheiro"), alimentando um círculo vicioso de crítica ao meio em que vive e perpetuação dos meios que o alimentam.

Claro que eles poderiam ser hipócritas e falar na Polícia só tem gente honesta, mas todos nós sabemos que isso não é verdade. E seguindo esse pensamento babaquinha-idílico de polícia honesta, o filme perderia toda a sua credibilidade.

Enfim, "08, me passa a 12" não é a realidade que eu quero. Assim ambém como não é uma safra de jovens que poderiam estar discutindo sua realidade perdendo neurônios com algo que, para mim, é useless. O mérito do filme, é abrir espaço para essa discussão, e mais ainda, abrir espaço para uma reflexão sobre as consequências dos seus atos, da ação e reação do nosso cotidiano. Agimos de qualquer maneira porque sabemos que não seremos punidos (e aí é lindo ver a relação entre a reflexão pessoal e as cenas do filme onde o povo está na sala de aula trabalhando "Vigiar e punir", do Michael Foucault). E mesmo sendo punidos, bem, temos condições de não ficarmos marcados: essa é a problemática dos jovens abastados de hoje.

Finalizando, vejam o filme - mesmo que na cena final você feche os olhos de nervoso. Reflitam. Discutam.
JaquelineS
Enviado por JaquelineS em 06/11/2007
Reeditado em 26/03/2008
Código do texto: T725110
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Sobre a autora
JaquelineS
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 30 anos
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