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Tempo perdido

Desde priscas eras o ser humano persegue o tempo. É grande a ânsia por detê-lo, atrasá-lo, ou adiantá-lo, conforme a vontade e conveniência dos homens.
Quando tinha 15 anos, desejava freneticamente que o tempo passasse rápido e me alçasse logo aos 18; ansiava pela carteira de habilitação. Hoje, com 32 anos, pagaria bom preço para voltar aos 25 ou 23 e não desperdiçar tanto tempo com querelas. O tempo perdido, jamais volta, e, não raro, lembramos disso tarde demais. Um dia antes do desencarne de minha mãe bateu-me enorme vontade de conversar com ela, perguntar sobre a vida, dialogar sobre trivialidades do cotidiano. Mas lembro que naquele dia, uma quarta feira, eu estava sem tempo, então fiz uma rápida visita e fui embora. No caminho de volta à minha casa, tive um pressentimento de que deveria dado um pouco mais de atenção à ela, matado a saudade, dado um abraço apertado.  Assumi o compromisso de fazer isso no outro dia. Porém, tarde demais, não deu tempo para nosso abraço e papo amigo, ela desencarnou antes. Aprendi que o tempo não volta mesmo. Naquele momento, se um gênio me concedesse três desejos, eu pediria: 1º Voltar no tempo 24 horas. 2º Voltar no tempo 24 horas. 3º Voltar no tempo 24 horas. Mas o gênio não apareceu, o tempo não volta.
Dia desses um amigo reclamou que falta tempo para ele se dedicar um pouco as coisas que gosta. Não curte uma boa música, não brinca com os filhos e o bate papo com os amigos foi deixado de lado há tempos. Ao ouvir seu desabafo foi inevitável não lembrar de minha história Somos muito incoerentes. E você, caro leitor, como administra seu tempo? Há espaço para os amigos em sua agenda? Os filhos e esposa estão inseridos em sua pauta? A leitura edificante tem uma brecha em sua corrida rotina? Enfim, você dedica um tempo a você, a fazer o que gosta, o que lhe dá prazer?
Não deixe para depois o abraço, o sorriso, a gentileza, o perdão...
Amanhã pode ser tarde, muito tarde, e o arrependimento cala fundo na alma. O ser humano, por mais poderoso, inteligente, forte, não tem condições de controlar o tempo, por isso, importante fazer hoje, sem deixar para amanhã, amar hoje, sem cogitar do amanhã, ser responsável hoje, sem querer a recompensa do amanhã, pensar demais no amanhã  é a mesma ilusão do que se apegar no ontem. O hoje é relevante, nosso tempo deve ser dedicado ao hoje, porque o amanhã é fruto de nossas obras do presente. Não adianta, pois, perseguir o tempo, querer castrá-lo, podá-lo, controlá-lo, atrasá-lo ou adiantá-lo. O tempo é para  ser vivido, jamais detido. E que vivamos de tal forma que não venhamos no amanhã amargar a tristeza do tempo perdido.
Pensemos nisso.





Wellington Balbo
Enviado por Wellington Balbo em 13/11/2007
Código do texto: T736162
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Sobre o autor
Wellington Balbo
Bauru - São Paulo - Brasil, 42 anos
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