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EDUCAÇÃO "ASSISTENCIALISTA"? (Pâmela Aparecida V. Simão)

Bons tempos aqueles em que o professor tinha como função primordial educar, no sentido de transmitir os conhecimentos necessários para a formação escolar. O que se observa, atualmente, é que ele acaba preenchendo  lacunas deixadas tanto pelo estado, em função da “falta de vontade política” em resolver os problemas da educação, quanto pela ausência da família como agente principal transmissor de valores, da moral e garantidor da sobrevivência dos seus componentes.

A LDB é bem clara ao afirmar que o ensino gratuito não é só direito de todos, mas obrigação dos estados e municípios.  Estatísticas oficiais comprovam que a  maioria da população é matriculada no ensino básico, entretanto, esses dados são do mundo oficial, o que não significa qualidade deste ensino no mundo real. Haja vista que o país tem mais de 30 milhões de analfabetos funcionais. A que se deve tamanha baixa da qualidade do ensino?

Os professores, cada vez mais, têm sido desencorajados não só pelos baixos salários, que já passaram a um dado natural, como também pela falta de recursos apropriados nas escolas públicas ao exercício da profissão. Neste terreno, falta tudo: material didático, espaço adequado e até merenda escolar, o que, sem dúvida, compromete a qualidade do ensino. Como sabemos, a merenda é a principal, senão a única, refeição de muitos alunos da rede pública. Além disso, a recente descentralização do ensino, presente na proposta do PNE (2001/2010), atribuindo também aos municípios a tarefa de oferecerem o ensino, responsabilidade antes do estado, tem servido como uma estratégia de desconcentração de tarefas, representando, assim, uma transferência de responsabilidades sem, contudo, avaliar se os municípios podem assumi-las, principalmente os mais pobres e menos desenvolvidos. E é o professor, no seu dia-a-dia, quem vivencia tais patologias e tenta, através de seus próprios meios, sanar as deficiências. Noutras palavras, o professor tem que se preocupar em, a partir das possibilidades e de sua realidade, criar soluções paliativas para a efetivação do processo ensino-aprendizagem, em virtude da ausência de apoio do governo.

Outro obstáculo que o professor  encontra, é a ausência da família como agente auxiliador no processo educacional. É crescente a acomodação dos pais quanto à manutenção da sobrevivência dos seus filhos, no que concerne a alimentação, moradia e também a transmissão dos valores morais. Em condições da modernidade, e esta é uma realidade não só das famílias pobres como também das de maior poder aquisitivo, os pais não “dispõem” de tempo para cuidar dos seus filhos, em função do trabalho ou outras ocupações. Assim, o papel que deveria ser dos pais, como cuidados com a saúde e educação, está sendo transferido para os professores. Dentro da sala de aula, o professor, que convive mais com alunos do que os pais destes, não possui somente a atribuição de ensinar, ele tem um papel agora “assistencialista”, se preocupando com a alimentação do aluno, com sua estrutura psicológico-emocional, se o aluno tem um pai alcoólatra ou se sofreu algum tipo de abuso sexual.

É direito do aluno o ensino, sobretudo, aprender e compreender os conteúdos, pois, especialmente com relação aos pobres, talvez esta, a educação efetiva, seja a única maneira pela qual será possível mudar a sua realidade. Nas condições atuais, pergunto: Professores e alunos concretizam o processo ensino-aprendizagem de forma eficaz? Será que nossos professores estão preparados para tantas responsabilidades? Até aonde vai o papel do professor? Destarte, é preciso que não só nós, educadores, tenhamos tais preocupações, como também a população de forma geral. O ensino e a cultura não são apenas um direito de todos, mas também uma forma, não a mais fácil, de mudar a nossa realidade.


                               Pâmela Aparecida Vieira Simão
        Graduanda em História pela Universidade Federal de Uberlândia
Ary Carlos Moura Cardoso
Enviado por Ary Carlos Moura Cardoso em 16/11/2007
Reeditado em 16/11/2007
Código do texto: T739705
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Sobre o autor
Ary Carlos Moura Cardoso
Palmas - Tocantins - Brasil
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Ary Carlos Moura Cardoso