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"DA PATAFÍSICA À PATAGÔNIA..." (Millor *)

... sem comer nem dormir durante vários anos, il pensiero vá attraversando uma fase de liberazione daí condizionamenti precedenti ao rischio delle esperimento ideale. Rara é a hora que se passa sem que um sanduíche seja devorado e um padre pedófilo justamente revelado, injustamente denunciado. Os prazeres da vida devem ser apenas laicos, ô meu? Raro é o momento raro. Não, amada, já não bebo. E como é inverno, agosto, gostaria muito de te ver. Olharia, com o mesmo olhar que vi, do alto da torre Eiffel, meu pobre coração francês echo em pedazos e, como sempre, dividiria a noite em duas metades e te daria uma, a de quem parte e reparte fica com a maior parte e você partia. As mulheres sempre partem e nós sempre ficamos porque mesmo partindo em algum lugar ficaremos. Falar no que, no que acabei de ver, ou foi ontem que vi, um avião navegando sereno no fundo do mar e pensei na mãe do pobre militar, e em você sempre na constelação de aquário e mesmo sem licença indo à festa cheia de licenciosidades. A meia rota, o pé diminuindo e caindo, neste instante, a cotação da balsa. Eu disse balsa, amiga, e você me joga a bolsa, como se eu fosse um outro, ou outro qualquer. Cáspite, disse então o demiurgo perpretando o décimo milagre. Cuspiu na santa e amanheceu moleque. Tornou a cuspir e anoiteceu com o céu todo estrelado. Que faço então? Mordo e releio tudo de um golpe de olhos. Meu caratê oftalmológico. Genérico. Ganho o concurso, parto veloz, volto sem tardança, ensandecido diante da primeira luz de gás que o acendedor de lampiões acende antigamente. É quando o negro do cesto, ainda meio escravo, canta na rua do subúrbio: "Olha a laranja seleta, olha a boa tangerina!" Cá, pra aqui, do lado de cá, assim, mais, mais um pouquinho, não vê? Oh, pardo de Deus, céu sem nuvens, fumaça de navio, navio com apito de trem lá bem distante no passado antigo. Rastro, a faca de gume santo, amando o fio da navalha, o tipo à toa descarado sem-vergonha e então, no mesmo instante, o galo co-co-ro-có que imita minha avó perfeitamente! Tiro o quê, do maço de cigarro? Um charuto sim, morou? Chorou? A dona chegou pé ante pé, mão ante mão e revelou‑se a outrora que era, tanto que o pai morto levantou-se e pediu um copo dàgua. Pois me dêem o mundo e eu moverei esta alavanca! Risca o preto que eu faço picadinho branco. Antropófago mesmo era meu tio avô, pai do meu cão, a quem comeu, aquém. Em Havaí, onde morei certa tarde de verão, costumam os dias ser pontilhados de antigos bombardeios japoneses. Em Nagasaki, só tinha um avião passando, tão bonito! O que eu digo não se escreve. Se se escrevesse eu mesmo escreveria não estava transubstanciando, dói muito mais em mim. 0 pior de tudo são as manchas azues na consciência. Truco! O resto é silencio, é barulho, bee-bop, hip-hop, é cemitério sepulcral, alucinação tão precoce como a calvície dos recém-nascidos. Lastro, mastro, nastro e grumete, o conteúdo dos navios que naufragam. E nada, nadam, peixe-espada, galo, dourado e namorado. Fica calado agora e apaga a luz, tem alguém batendo na porta: deve ser alguém batendo à porta, fecha os olhos e o meu caixão de sete alças. Pra que não percebam, deixe que meu corpo use teu corpo só mais esta noite. Amanhã, se não chover, sairei de guarda-chuva pra não te molhar. Não quero choro nem vê-la...
e paro aqui pois meus 3.401 toques terminaram.


(*) Millor (dispensa apresentação), "in" Revista Veja, Edição n. 2035, de 21.11.2007, p. 52.
Lobo da Madrugada
Enviado por Lobo da Madrugada em 18/11/2007
Reeditado em 18/11/2007
Código do texto: T741659

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Sobre o autor
Lobo da Madrugada
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