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Trânsito mau carater

Artigo publicado no jornal zero na coluna do jornalista Paulo Santana em abril de 2006.

Porto Alegre, 06 de abril de 2006.
Caro Paulo Santana
Sou professor no município de Viamão, gremista e leitor assíduo de sua coluna, e é a primeira vez que lhe escrevo. O que me chamou a atenção foi o comentário no dia 06 de abril sobre a atitude dos motoristas que dentro de um automóvel sentem-se donos do mundo. Há tempos estava esperando um novo comentário a esse respeito para escrever sobre o assunto. Seu comentário foi bem feito e enfocou a questão de maneira correta. Mas infelizmente seu efeito é mínimo em meio a uma população onde a maioria dos motoristas acha que não comete imprudências. Assim como a aids e da morte de um ente querido, a maioria dos condutores de veículos, acha que tais ocorrências ficam restritas aos outros. Por isso, ao ler tua coluna ou abrir a ZH depois de um feriadão recheado com acidentes, carros despedaçados e corpos mutilados, o cidadão diz pra si mesmo que com ele isso nunca vai acontecer, porque se julga (como se diz no popular) braço na direção . Para que me preocupar com o congestionamento? É mais simples assumir minha incapacidade de ser pontual e usar o corredor de ônibus como atalho particular. Porque ter paciência? Se você olhar pelo retrovisor quando alguém praticamente subir na sua traseira em plena BR 116, e ver o terno, a gravata e o óculos escuro num carro 2006 vá para o lado imediatamente, pois James Bond está pedindo passagem. Quando estiver em uma avenida e quase for atropelado? Não se preocupe, é Richard Gere que está com Julia Robert gravando a seqüência  de uma linda mulher. Mas se você vir um opala ou corcel fazendo piruetas não cometa o absurdo de reclamar, pois a vida foi ingrata e o único emprego possível de se arranjar foi o de motorista no globo da morte e caso arraste uma dúzia de pessoas será um mero acidente de trabalho. Quando alguém trancar cruzamentos e ficar com os braços para fora do veículo e olhar para os lados como se nada estivesse acontecendo, a explicação é simples.Tive um dia horrível e preciso chegar em casa tomar um banho e descansar. Ainda bem que os motoristas de táxi, ônibus e lotações não se encaixam nos perfis acima descritos e apresentam razões convincentes para justificar sua bestialidade e comportamento, pois os anos de estrada  dão o direito de bailar de uma pista para outra mas não por irresponsabilidade, mas,  porque o passageiro tem pressa e para distrair nada melhor que uma boa musica.  Os funcionários e seus carros de empresa fazem a personificação do Holandês voador mas a explicação é simples. Imagina se aquele vizinho invejoso passar por mim? Se fizer algumas manobras radicais tenho certeza que o mesmo passará a me respeitar. Aos jovens motoristas é preciso um entendimento quase paternal, pois o mesmo será alvo de eterna gozação se não contar para seus amigos dementes que após assistir velocidade máxima, velozes e furiosos e tomar vários tragos, saiu em disparada  e atingiu a velocidade de 140 KM por hora em uma via pública. Outros fazem parte do time dos malandros, motoqueiros e motoboys (Autenticas pragas do século XXI). Não tendo qualquer perspectiva de melhora de vida, por isso, conciliam as frustrações com o ganho de alguns trocados fazendo exibições de motocros. Controladores de velocidade? Meu greed de largada. Prisão? Dou um depoimento e depois vou embora pra casa, pois faltam cadeias. Fabricar carros com menos potencia? Eu abro o motor e o transformo em uma super máquina.  Aumentar o nº de sinaleiras? Vou colocar três buzinas e retirar a surdina pra meter medo em quem estiver na frente. Solução para o trânsito? Existe? Mas amanhã você me fala, pois tenho que assistir a novela.

Atenciosamente Caio Schroer
Caio Schroer
Enviado por Caio Schroer em 20/11/2007
Reeditado em 20/11/2007
Código do texto: T744801

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Sobre o autor
Caio Schroer
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 52 anos
140 textos (4460 leituras)
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Caio Schroer