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Somos preconceituosos

César Munhoz, sobre preconceito, escreveu assim:

“Cores, crenças, jeito de vestir, gostos musicais, faixa etária, olhos azuis, verdes e castanhos, condições socioeconômicas... Nossas diferenças estão em vários aspectos: em nossas idéias, na pele, nos traços, nas impressões digitais. Fascinante, não é mesmo? Pena que nem sempre encaramos assim”. (SIC).

Escrevo dizendo que de fato nem sempre aceitamos as diferenças de forma pacífica, com crença, sem desconfiança. Entendo que a discriminação ou preconceito está arraigado dentro do ser humano, enraizado como um amálgama (Mistura de coisas ou pessoas de natureza diferente, formando um todo) que não se desprende por ser inerente, de forma absoluta do ego humano.

Os irracionais, pessoas desprovidas do melhor siso, crianças (até certa idade), não têm preconceito. Ora, o feio sabe que é feio. O gordo sabe que é gordo. O magro sabe que é magro. O negro sabe que é negro. O homossexual sabe que não é aceito entre os heterossexuais... essas diferenças não seriam percebidas se não houvesse o ego vigilante dos seres humanos.

A grande verdade é uma só: todos os seres humanos, em idade acima dos três anos, em maior ou menor grau são preconceituosos! Querem uma prova disso? Acompanhem a história que lhes conto com o propósito ilustrativo de minha sadia pretensão.

Em uma sala bem iluminada, arejada, limpa, havia duas mulheres. Uma era idosa, negra, gorda e feia; trajava roupas decentes sob um jaleco branco e em sua mesa de trabalho existia um computador, carimbos, receituários, um estetoscópio, uma lupa tamanho médio. Sobre a mesa havia uma placa de madeira de lei onde se lia “Esteticista”.

Na outra extremidade da sala uma moça muito bonita, tez branca, cabelos loiros, olhos verde-claros, muito bem vestida, com avental imaculadamente branco, onde se lia no crachá um nome difícil de pronunciar “Stella Kombrynavi”. Em sua frente um computador e uma impressora pareciam querer sair do lugar, pois executavam tarefas simultâneas em velocidades admiráveis.

Com uma cicatriz enorme na face direita do rosto o homem se dirigiu à ante-sala e disse a recepcionista que precisava falar com a doutora que já o esperava. Ato contínuo... foi-lhe indicada a porta por onde deveria entrar e falar com a esteticista.

O homem entrou na sala da doutora. Sequer olhou para a mulher idosa, negra, gorda e feia, mas se dirigiu a moça bonita, corpo escultural, tez branca, cabelos loiros, olhos verde-claros e disse: “Doutora, tenho consulta marcada com a senhora. Desculpe-me pelo atraso.”.
 
Agora é a hora de eu fazer minha inocente pergunta: por que o homem sequer viu (não olhou) a mulher idosa, negra, gorda e feia que se encontrava a poucos metros da assistente e secretária bonita? A esteticista era a mulher idosa, mas o homem não se dirigiu a ela por puro preconceito ou talvez desatenção!

Dessa forma teria agido qualquer outra pessoa de melhor siso, indistintamente do sexo. Custava ao entrar na sala perguntar, depois de cumprimentar, quem é a doutora esteticista? Talvez uma criança fizesse isso!

Preconceito é: uma atitude discriminatória que se baseia nos conhecimentos surgidos em determinado momento como se revelassem verdades sobre pessoas ou lugares determinados. Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém ao que lhe é diferente.

As formas mais comuns de preconceito são as sociais, raciais e sexuais. Olhe ao lado e você verá que amigos próximos, vizinhos, inimigos distantes, gente do nosso círculo, de quem gostamos têm esse comportamento quando descriminam a nós ou a nossos afins.

Quando uma mãe ou responsável obriga uma criança do sexo feminino, com apenas dois ou três anos de idade a usar um bustiê (como se existissem mamas em forma de pomos divinais para esconder)... dá início à discriminação sexual e social que se perpetuará ao longo dos anos daquela inocente criança, despudorada, que não precisa e tampouco quer esconder coisa alguma!
 
Por que a um menino de quatro anos quase sempre é permitido andar despido pelo interior de sua casa e às meninas isso “não fica bem”? Querem proteger mais a menina que tem a desvantagem de ter sua genitália aberta ou isso é feito e cultuado por discriminação e preconceito?

O preconceito maior está dentro de cada um de nós! Não aceitamos ser o que somos e como somos! Preconceito, na verdade, é muito comum. É comum porque estamos condicionados a ver e aceitar apenas o que nos agrada à visão.
Wilson Muniz Pereira
Enviado por Wilson Muniz Pereira em 26/11/2007
Reeditado em 27/12/2007
Código do texto: T753480
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Wilson Muniz Pereira
Campina Grande - Paraíba - Brasil
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Wilson Muniz Pereira