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“Sempre gostei de estudar, desde criança. Aos 54 anos me encantei pela poesia e fiz meu primeiro poema Findar do Ano”, revela Wagner Américo da Silva, 83 anos completados dia 20 de outubro.

O poeta, filho de baianos, nasceu em 1924 na cidade do Rio de Janeiro, durante viagem de férias de seus pais. A família retornou à Bahia com o filho ainda pequeno. Desde então, Salvador tem sido sua nova terra, onde criou raízes e casou-se com Cleusa Ramos, com quem convive atualmente.

Na capital baiana, foi dono de uma rede de armarinhos, desistiu para ter mais liberdade e mais tempo de declamar poemas pelas ruas da cidade. “A riqueza do Wagner [a poesia] é intangível”, declara convicto de ter feito a escolha certa para sua vida.

 

As flores do poeta

“Eu distribuía flores naturais, mas aprendi com uma senhora a fazer flores de fita de cetim”, fala orgulhoso. O apelido Poeta das Flores foi dado por Beni do Carmo, uma amiga. Daí em diante, Wagner não parou mais de declamar e ofertar flores numeradas. Já distribuiu 8286 flores e poesias até outubro de 2007.

Um dos seus projetos é deixar de ser camelô para dedicar-se inteiramente à arte. Mas a aposentadoria que recebe do INSS não lhe permite o luxo de deixar o mercado informal. Outro motivo justo para continuar batalhando é um sonho antigo de publicar um livro de contos e parte dos 97 poemas que sabe de memória. Wagner economiza tudo que pode a fim de ver seu livro publicado. “Não vai ser um livro rebuscado. Será um livreto de poucas páginas”, suspira com humildade.


O poeta camelô

O dia a dia de Wagner não varia muito. Há exatos 25 anos ele acorda antes das 06 hs da manhã, faz o desjejum e se dirige à barraquinha montada nas escadarias da Barroquinha.

Ali “O poeta das flores” mantém uma pequena banca de camelô, onde vende bugigangas. Retorna para casa no final da tarde, janta e vai dormir, geralmente antes das 8 da noite. “Eu trabalho duro durante o dia e durmo bastante durante a noite” revela o poeta. “Este é o segredo de chegar aos 83 anos de idade com a lucidez de um jovem rapaz”, completa.

Aos domingos, ao invés de descansar, Silva levanta no horário de costume e sai para visitar igrejas e distribuir flores. Seu palco é qualquer lugar onde exista alguém com olhos atentos e ouvidos abertos à arte. Ele percorre ruas, praças, bares e eventos literários, sempre distribuindo sorrisos, alegria, rosas e poesias, na esperança de plantar a paz e o amor por onde passa.

 

Família de “artistas”

Pai de três filhos, Tchaikowsky, Strauss e Sheila, já adultos e independentes, o poeta escolheu o bairro da Liberdade para morar. O nome dos filhos veio da admiração por músicos (os filhos) e pro uma personagem de novela dos anos dos anos 40 (filha). O lugar onde mora foi escolhido de acordo com suas condições financeiras e também pelo nome do bairro, que “soa como o abrir de uma porta para o mundo...”, diz o poeta.

Num poema auto-retrato, Wagner revela: “No mundo louco de poesia e felicidade, o vil metal faz com que eu seja louco ativo e não possa viver no mundo dos loucos passivos. Eu sou louco”. Mas o Poeta das Flores fica indignado com aqueles que não o compreendem como um louco do bem, um louco que é lúcido e consciente do seu papel de cidadão. Revolta-se com aqueles que não percebem que seu compromisso é com a arte e que dedica sua vida espalhando bondade através da poesia.

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Valdeck Almeida de Jesus
Enviado por Valdeck Almeida de Jesus em 06/12/2007
Reeditado em 25/03/2012
Código do texto: T767164
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Sobre o autor
Valdeck Almeida de Jesus
Salvador - Bahia - Brasil, 51 anos
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Valdeck Almeida de Jesus

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