Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

MITO, HISTÓRIA E INTERTEXTUALIDADE NA "ENEIDA" DE VIRGÍLIO

MITO, HISTÓRIA E INTERTEXTUALIDADE NA “ENEIDA” DE VIRGÍLIO



Autoria: PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS




     O poeta latino Públio Virgílio Marão (ou: Publius Vergilius Maro) nasceu em 15 de outubro do ano 70 a.C. (o mesmo dia em que falecia o poeta Lucrécio, autor do poema “De Rerum Natura”), num povoado chamado Andes - não muito distante de Mântua -, sob o consulado de Crasso e de Pompeu (dois poderosos dinastas que forçaram as próprias eleições como cônsules). Estudos biográficos dizem que o berço do poeta mantuano foi emoldurado pela paisagem humana, mítica e animal que povoa o local: “ ... pastores, deuses e semideuses, animais bravios, lagartos, pássaros e insetos - em perfeita simbiose de ritmos vitais e partícipes de um concerto interminável de música e poesia...” formam um conjunto de elementos que reflete inexoravelmente na obra de Virgílio (Mendes: 1985). Porém, a vida do poeta pagou tributos a esse ambiente onde viveu a infância, pois, além de moldar a sua sensibilidade poética em relação à natureza, provém, daí também, o fato de atribuírem-lhe dotes sobrenaturais de profeta. Além disso, “diz-se que ele era muito alto, moreno e que seu rosto tinha a expressão e os traços que se atribuem aos camponeses” (Grimal:1992). Macróbio refere-se a Virgílio como o filho “rusticis parentibus”, pois o pai, de origem humilde, era um camponês dono de uma propriedade agrícola. Quanto à mãe, chamava-se Magia Polla. Alguns biógrafos, em tom jocoso, dizem que ela, na véspera do nascimento de Virgílio, sonhou ter gerado um ramo de loureiro que, ao contato com a terra, teria se transformado numa árvore carregada de flores e frutos. No dia seguinte, dera à luz a uma criança no fundo de um fosso.
     Quanto à infância e à adolescência Virgílio passou-as em Mântua e Cremona. Na última, Virgílio recebeu os rudimentos da educação literária até o ano em que vestiu a toga viril (entre quinze e dezoito anos). Depois, rumou para Milão, com o propósito de estudar retórica. Em seguida, transferiu-se para Roma, onde estudou para se tornar orador. Porém, devido às suas dificuldades com a palavra (dizem que Virgílio era extremamente tímido), chegou muitas vezes a ser confundido com um indouto. Virgílio conheceu o poeta grego Parténio, que lhe revelou segredos e técnicas da poética helênica; fascinou-o, também, a filosofia epicurista procedente da poética de Lucrécio.
     Virgílio regressa à terra natal com vinte e cinco anos, momento em que decide afastar-se dos sonhos de glória política, motivo, aliás, pelo qual os pais o haviam destinado a estudar retórica.
     A poesia virgiliana juvenil é aquela que culmina nas dez “Écoglas”: poesia aberta à natureza, versando sobre rebanhos, camponeses e o encanto do campo. Entretanto, os acontecimentos políticos e sociais - que agitavam a República Romana em 41 a.C. - levaram os triúnviros a repartirem as terras na Gália Cisalpinas. Mântua era abandonada à vingança do triúnviro Antônio (Antônio, nesta ocasião, foi triúnviro, além de Otaviano e Lépido). A propriedade de Virgílio foi confiscada. Mas, mediante um amigo, que intercedeu junto a Otaviano Augusto, Virgílio conseguiu anular a ordem de expropriação. Todavia, tempos depois, pelos mesmos motivos, Virgílio veio a perder mais uma vez a referida propriedade: foi expulso de suas terras e veio exilado para Roma.
     Durante todo esse período, com quem o poeta conviveu?  Virgílio foi um homem altamente cultivado. Foi estudante de literatura e de filosofia. Conviveu com poetas reunidos em torno de Valério Catão, com quem aprendeu a técnica poética e formal, aplicada, mais tarde, em seus futuros poemas. Todas as leituras e aprendizados foram trazidos para o interior de suas obras, inclusive os elementos da poesia do distante mundo greco-épico de Homero. Tragédia grega, poesia grega, o trabalho de seus predecessores latinos, especialmente a obra de Ênio; a poesia de Lucrécio e de Catulo; a filosofia e a teologia platônica; o dogma do estoicismo e a indiferença do epicurismo; o mito grego e a história romana (em especial, a contribuição histórico-lendária de Roma para a Itália). Enfim, todas essas influências foram vitais na construção da poética virgiliana. Tudo isso, aliás, auxiliou a estimular em Virgílio o desejo de criar um épico que fosse original não somente na complexidade dos conteúdos, mas também em seu estilo e atmosfera.
     Virgílio escreveu muito, e entre as suas principais obras destacam-se as “Écoglas” (que compreendem dez poemas compostos entre 42 e 39 a.C.). Trata-se de uma poesia pastoril que aspira o desejo de paz e exalta a vida campestre, na qual o poeta mantuano canta o amor, a alegria e a dor dos camponeses. Nas “Bucólicas” (que compreendem dez poemas arcádicos compostos entre 41 e 39 a.C.), Virgílio põe em cena os pastores expulsos de suas terras em favor da política despótica dos triúnviros (foi por intermédio das “Bucólicas” que Virgílio se tornou íntimo de Otaviano, o futuro Augusto: este doará ao poeta um sítio próximo de Nápoles, para recompensá-lo da perda de sua propriedade em Mântua). Nas “Geórgicas” (divididas em quatro livros e compostas de 37 a 30 a.C.), Virgílio compõe um poema didático que traz ensinamentos sobre o contato direto do homem com relação ao cultivo da terra.
     Em 27 a.C., Otaviano recebe do Senado o título de “Augusto”: chega ao fim a República Romana e começa o regime imperial. Anteriormente a essa data, Virgílio já havia atraído a atenção de Mecenas - um famoso incentivador das letras e das artes, além de conselheiro e agente diplomático de Augusto - Mecenas o aproximou de Otaviano. A partir daí, Virgílio tornou-se um protegido do imperador romano. Mecenas foi quem insistiu para que Virgílio cantasse o elogio da Roma de Augusto e a exaltação dos grandes temas da história romana. Mecenas descobriu em Virgílio o cantor da gesta romana. Da mesma forma, Virgílio sente necessidade de exaltar essa nova época que dera a Roma, sobretudo, a paz interna e externa, a conhecida “Paz Romana”. Nesse caso, nada mais conveniente que o gênero épico. Virgílio já expressara esse desejo no começo do Terceiro Livro das “Geórgicas”, no qual o poeta promete que escreveria um poema épico, recordando as glórias de Augusto (“No teu campo viçoso, ao pé donde serpeia desse teu Míncio vasto a preguiçosa veia por tenros canaviais, porei marmóreo templo co’o meu César no meio. Oh! como já contemplo crescido em majestade o monumento sacro só coa veneração do augusto simulacro!” [Virgílio: 1948] ).
     A “Eneida” surge, então, cerca de mil anos depois da “Ilíada” e da “Odisséia”, ambas do aedo grego Homero.
     A trama inicial do épico virgiliano começa no ponto em que se encerra o famoso poema homérico “Ilíada”; o herói é o troiano Enéias - herói piedoso -, filho de Anquises e da deusa Vênus (que representa a beleza e o amor). O poema de Virgílio começa com os últimos momentos da queda de Tróia. Nesse sentido, podemos dizer que a “Eneida” - uma epopéia em doze cantos, escrita em versos hexâmetros dactílicos - é o poema que canta a história épica da fundação de Roma, consolidada no poema por meio da união de Enéias com Lavínia, filha única do rei Latino.Virgílio voltou-se para o mundo mítico-homérico, no qual a épica era tradicional. Modelada como uma espécie de espelho da obra de Homero, a genialidade de Virgílio, neste ponto, está no  vínculo que criou entre a descendência do herói troiano Enéias e a linhagem dos Césares, uma dinastia muito antiga que procedia da distante Alba Longa -  cidade mais antiga que Roma -  fundada pelo filho de Enéias (Iulo).
     A “Eneida” foi, num primeiro momento, composta em prosa. Depois, lentamente, Virgílio a converteu em poemas. Os seis primeiros livros do poema recordam o enredo da “Odisséia”, e os seis últimos livros recordam o enredo da “Ilíada”. Virgílio buscou no modelo alexandrino (Alexandria e Roma tornaram-se os dois maiores centros de irradiação da civilização helenística nos três últimos séculos antes do nascimento de Cristo) a técnica da brevidade, que o faz reduzir ao número de doze, na “Eneida”, os quarenta e oito cantos da “Ilíada” e da “Odisséia”. Virgílio concluiu a obra no ano 19 a.C., no último ano de sua vida. Quis, então, o poeta levar a termo uma rigorosa revisão do texto, pois a considerava inacabada. Assim, resolveu visitar algumas regiões da Grécia e do Oriente pelas quais, segundo lendas mitológicas, teria transitado o herói troiano Enéias, após a sua fuga de Tróia rumo à fundação do novo lar, isto é, da nova Tróia: Roma. Virgílio visava, com isso, recolher dados para finalizar a “Eneida”. Entretanto, durante a viagem, Virgílio teve a sua saúde afetada e, moribundo, chegou a Bríndisi - na Itália meridional. O “vates” (1) latino morreu em Brindisi, na data de 21 de setembro do ano 19 a.C.


ORIGENS DE ROMA: FRONTEIRA ENTRE AS LENDAS E A HISTÓRIA

     Os deuses de Roma são gregos, mas os mitos que associamos a eles não são gregos em sua origem. Antes que os deuses do Olimpo recebessem nomes estrangeiros e residência italiana, o resultado do tratamento literário realizado por escritores helenísticos e latinos resgatou elementos da religião romana que deitava raízes nos antigos ritos de religiosidade da civilização etrusca (sabe-se muito pouco, aliás, sobre esta civilização), a qual notabilizara-se pela importância dada não aos oráculos, mas aos presságios. Os gênios literários apareceram em Roma continuamente e com nova roupagem: Lucrécio, Cícero, Sêneca, Plauto, Terêncio, Tito Lívio, Horácio, Ovídio e Virgílio.
     Com o início do Império Romano (27 a.C.), sob o domínio de Augusto, a religião e o passado romanos passaram por uma transformação, por uma crescente reafirmação e revalorização dos antigos valores da Itália primitiva. Os intelectuais apoiados por Augusto (Horácio, Virgílio, Tito Lívio, Ovídio, dentre outros) criaram um passado fictício, que logo se converteu em história aceita pela maioria. Junto a esta ficção, aos novos templos e aos ritos dos deuses que os romanos haviam assimilado do panteão grego, a figura de Augusto se afirmava como imperador absoluto. Assim, a mitologia grega revitalizada, ideologizou-se, naturalizando-se romana.  Nesse sentido, ocorre uma autêntica fusão entre as “realidades” helênica e romana. No entanto, como já observamos, se os deuses de Roma são gregos, de outra parte, as lendas associadas a eles não são exclusivamente gregas. Antes que os deuses do Olimpo grego tomassem de assalto a “residência italiana”, do lado latino, a Itália primitiva, ou melhor, as relações da antiga Roma com a Etrúria datam de cerca de 700 a.C. Entre os seus costumes, a civilização etrusca tinha na religião a prática da consulta dos augúrios, e na organização política uma forte tendência para a formação de governos centralizados (modelo mais tarde adotado pela civilização romana).
     Estudos recentes mostram que, talvez, os etruscos foram os construtores do templo de Júpiter Capitolino. Teria essa antiga civilização outros símbolos? A famosa loba do Capitólio tem, provavelmente, origem etrusca, bem como a lenda do herói troiano Enéias, configurada na estatueta de Veio (séc. VI-V a.C.), que traz a figura de Enéias com o pai – Anquises - às costas. Combinando tais elementos com a tradição dos estudos históricos, a qual conheceu três reis etruscos ao findar o período da monarquia (Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio, Tarquínio o Soberbo), é possível deduzirmos que, entre os séculos VII e VI a.C., Roma é uma cidade notadamente etrusca (2).
     Todos esses elementos culturais somados à tradição grega nós vamos reencontrar sedimentados, mais tarde, na elaborada cultura romana. Se tecemos algumas considerações em torno de certos elementos históricos, os quais compõem os primórdios da formação da civilização romana, é porque achamos conveniente, para que possamos, desse modo, aproximarmo-nos de um importante núcleo da historiografia romana: o núcleo que entrelaça mito e história.
     A história e a poesia ocuparam um lugar de honra no principado de Augusto. Caminhando na direção do prefácio da obra de Tito Lívio “História de Roma”, notamos que o autor concebeu a idéia de Roma desde suas origens. Numa das passagens do referido prefácio (um quase-proêmio), encontramos o seguinte registro:

“Não sei se valerá a pena relatar toda a história do povo romano a partir das origens da cidade. Não tenho muita certeza disso e mesmo se tivesse não ousaria afirmá-lo, pois vejo que a matéria além de antiga tem sido amplamente divulgada. Surgem a toda hora novos historiadores que se vangloriam, ou de contribuir no domínio dos fatos, com uma documentação mais precisa, ou de ultrapassar, com seu talento literário, a rudeza dos antigos. Seja como for, eu me sentiria feliz em dar minha contribuição pessoal para a celebração dos altos feitos do maior povo do mundo. E se, em meio a essa multidão de historiadores, meu nome permanecer na obscuridade, a excelência e a grandeza dos que me ultrapassarem me servirá de consolo.” (Tito Lívio, p.17)

     Nesse sentido, “a fundação de Roma está rodeada de lendas” (Grimal: 1992). A figura do lendário Rômulo é a síntese completa dos inúmeros elementos que compõe a história desta outrora opulenta Cidade – tornou-se o centro do mundo na Antigüidade.
     Em síntese, historiadores - como Tito Lívio - contam que Rômulo foi o fundador e primeiro rei de Roma. Neto de Númitor, rei de Alba, e filho de Réia Sílvia; a última, seduzida por Marte, deu à luz a dois gêmeos, Rômulo e Remo. Logo em seguida, a mãe foi morta. Na ausência de Réia Sílvia, os dois meninos foram amamentados por uma loba e, numa fase posterior, foram protegidos por um pastor chamado Fáustulo. Uma vez tornados adultos, os dois meninos, Rômulo e Remo, descobriram a lenda que girava em torno de ambos e, seguindo o conselho do avô, fundaram uma cidade. No local da futura cidade, Remo viu seis abutres sobre o monte Aventino. Rômulo viu doze sobre o monte Palatino. Em seguida, Rômulo assassina o irmão, Remo. Sozinho, Rômulo deu o próprio nome à cidade que, naquela ocasião, contava com poucos habitantes. Rômulo, com a intenção de povoá-la num curto espaço de tempo, recorreu, então, a um estratagema: transformou a cidade em asilo de escravos, bandidos, ladrões e outros foragidos da lei, enchendo, dessa forma, a cidade de homens. Outro ardil utilizado por Rômulo foi o convite que fez aos Sabinos para participarem dos Jogos na cidade. Durante as festividades dos jogos, os Romanos raptaram as virgens sabinas, entregando-as aos súditos. Antes dos Romanos e dos Sabinos guerrearem-se e lançarem-se numa carnificina, as mulheres Sabinas puseram-se junto aos guerreiros e, entre lágrimas, evitaram, com isso, a guerra entre os dois povos. Os Romanos se reconciliaram com os Sabinos e Rômulo desapareceu, pouco tempo depois, em meio a uma tempestade.


MITO E HISTÓRIA: VIRGÍLIO E TITO LÍVIO

     Durante os anos que marcam o fim da época republicana, os romanos se voltam febrilmente para o seu passado. Face às incertezas promovidas pelas freqüentes guerras civis, eles procuram encontrar as justificações de suas desventuras nas lendas sociais e culturais originadas do solo latino. Nesse sentido, Tito Lívio procurou reunir todos os elementos culturais que compõem o passado latino, organizando-os numa história para justificar o lugar de Roma no mundo mediterrâneo. Diante dessa coleção de fragmentos em busca de um sentido, Collingwood se expressa da seguinte forma: “Em Tito Lívio, mudou-se o centro de toda gravidade. Não é a simples introdução mas sim todo o corpo da obra que é construído com ‘cola e tesoura’ ” (Collingwood: [s.d]).
     Perguntamos, então: a história narrada por Tito Lívio é falsa? O primeiro livro da “História” de Tito Lívio apresenta a epopéia do início da civilização romana (das origens de Roma até a Realeza) assim como a “Ilíada” e a “Odisséia” são as epopéias da civilização grega. Em suma, o intuito de Tito Lívio era fazer com que os romanos se informassem acerca do passado remoto, porque o historiador romano pretendia, essencialmente, apresentar-lhes o exemplo moral dos princípios da sociedade do antigo Lácio. Como bem notou Brisson:

“Si Tite-Live et Virgile nous paraissent se compléter si exactement l’un l’autre, c’est que le substrat de leurs préoccupations littéraires et sociales était le même. Avec des objectifs esthétiques différents, ils puisaient à un fonds comun où la légende se mêlait à l’histoire dans l’obscurité d’un passé reculé, avec une volonté  commune de mettre ce passé encore informé au service de l’actualité.”(Brisson 1980, p.255)

     É certo que Tito Lívio lançou-se numa empresa realmente ampla e arriscada, mas falhou entre as obras do conhecimento histórico, visto que sua narrativa está profundamente impregnada por elementos fabulosos da primitiva história de Roma, portanto, destituída de certos foros de cientificidade que a historiografia do seu tempo já reivindicava. Se ambos, o historiador (Tito Lívio) e o poeta (Virgílio), ambicionavam cantar os grandes feitos romanos e a ascensão triunfal de Roma “sans solution de continuité, le premier livre de l’Histoire Romaine commence là où s’arrête l’Enéide” (Brisson:1980). Mas, parece-nos justo, partilhando do ponto de vista de Paratore (1983), que é “... mais natural que Lívio, com seu vício de também se inspirar no estilo dos poetas, tenha ido beber a Virgílio”.


A ROMA GLORIOSA E A GRÉCIA DE ARCAICAS INSPIRAÇÕES (Musas e composições poético-virgilianas)

     Sobre as divindades mitológicas Virgílio apenas incitava as pessoas a meditar sobre elas, e delas extrair significações para o plano moral : “... seu objetivo não é narrar; quer convidar os leitores a meditar sobre um modo de existência cujo exemplo é oferecido por essas divindades” (Pierre Grimal: 1992).
     Ainda do ponto de vista de Grimal (1992), a mitologia em Virgílio se resolve numa teologia, ou, mais precisamente, numa religião de poetas, que não implica na verdade e nem na crença, mas na estética enquanto fonte de beleza e sonho. Se Virgílio começa seus poemas invocando deuses e Musas é porque queria banhar toda a sua poética com uma espécie de luz santa, elevando-a, dessa forma, da terra até a dimensão divina.
     É sabido que em obra anterior à “Eneida” - nas “Geórgicas” - Virgílio transporta as Musas da Grécia para Mântua. Neste ponto, ouçamos a voz do poeta:

“Pales! Pastor do Amphryso! egregias divindades!
ribeiras do Lycêo! frondosas soledades!
Cantar-vos-hei tambem. (...)

Se no durar da vida es’pranças vãs não fundo,
o primeiro eu serei que ao ninho meu paterno,
quando a elle voltar, do aonio cimo eterno,
comigo as Musas traga, e na gentil cabeça
as palmas de Idumea, ó Mantua, te interteça.”
                                                               
                     (Virgílio, Geórgicas: Livro III)

     Conforme bem observou Curtius (1996), já durante a Antiguidade as Musas começam a ser ocasionalmente equiparadas às ninfas. Nas “Écoglas”, Virgílio confirma tal tradição:

 “! Oh ninfas de Libreta!, amor mio, concedeme que cante como mi Codro, que compone versos poco inferiores a los de Febo; o si no a todos es dado tanto, quede pendiente de este sagrado pino mi caramillo sonoro.”  (Virgílio, Écogla VII)

     A ponderar mais uma vez, Curtius nota, então, que:

“Através da ‘Eneida’, as Musas tornam a consolidar-se como elemento estilístico da epopéia ocidental. A épica invocação às Musas, que podia ser reiterada em passagens particularmente importantes ou “difíceis”, serve, em Virgílio e seus sucessores, para enfeitar a narrativa e realçar seus pontos principais.” (Curtius 1996, p.298)

      Como conseqüência, ao contrário de Homero, que solicita nos primeiros versos de suas epopéias (a “Ilíada” e a “Odisséia”) que a Musa cante os seus heróis, no proêmio da “Eneida” é o próprio poeta que assume o canto: “Canto os combates e o herói que, por primeiro, fugindo do destino, veio das plagas de Tróia para a Itália e para as praias de Lavínio (...)”. Somente após este intróito é que o poeta pede, então, às Musas que lhe lembre os feitos do herói Enéias: “Musa, lembra-me as causas (...) que obrigou um varão insigne pela piedade a correr tantas aventuras...” (Virgílio, Eneida: Livro I).
     Notamos, então, pelas precedentes, que o elemento mítico foi usado por Virgílio com um propósito: restaurar e dignificar os costumes romanos. Assim, os antigos mitos gregos e itálicos são trabalhados e revestidos por uma espécie de razão ideológica para que o vasto Império Romano seja interpretado como realização da vontade divina. Além disso, se o herói Enéias notabilizara-se entre os outros heróis romanos, é porque seu personagem é o elemento que liga a “Eneida” ao poema homérico. Noutras palavras, Enéias é o herói que liga a mitologia da antiga Grécia com a mitologia produzida pelos romanos. Nesse sentido, Enéias encarna o mito de Roma.
 

VÍRGILIO E O FENÔMENO DA INTERTEXTUALIDADE

     O fenômeno da intertextualidade - ou alusão (do latim: allusionem, isto é, chegar brincando, indiretamente), imitação, referência etc. - está presente em toda a poética virgiliana. A tradição da poesia alusiva é muita antiga, remontando ao helenismo. Virgílio tem uma afinidade bastante forte com o estilo da alusão. Como observa Vasconcelos (1996) “... os Romanos terão um nome para designar esse processo: ‘imitatio’, conceito que de certa forma abarcará a noção de ‘aemulatio’ : tentativa de igualar ou superar o original.”
     A obra de Virgílio alude, constantemente, a uma vasta gama de autores gregos e latinos. Isto vem a estabelecer uma continuidade entre a poética de Virgílio e o trabalho poético dos seus antecessores. Dentre essas alusões, Virgílio estabelece um ponto de contato bastante estreito entre o conteúdo da sua “Eneida” e a narrativa homérica - procedente tanto da “Ilíada” quanto da “Odisséia”, como já assinalamos anteriormente. Nesse sentido, entendemos que a poética da intertextualidade é um dos mais poderosos instrumentos para comunicar a poética virgiliana. A fim de ilustrarmos com um exemplo, o episódio do Livro VIII da “Eneida” encerra-se com uma das mais óbvias alusões ao texto homérico “Ilíada”. Trata-se da descrição do escudo de Enéias, confeccionado por Vulcano (deus do fogo). Tal episódio foi modelado na descrição do escudo de Aquiles, inscrita no Canto XVIII da “Ilíada”. Qualquer leitor familiarizado com Homero reconhece, imediatamente, a referência. Virgílio dialoga com Homero; este guia a imaginação de Virgílio. Virgílio recria, então, o poema homérico nas belas páginas da “Eneida”. Entretanto, se para Homero o episódio da descrição do escudo de Aquiles é interpretado como uma representação dos cosmos grego, de outro modo, o escudo de Enéias, descrito pelo poeta latino, ilustra os famosos eventos da história de Roma, culminando com a vitória de Augusto. Que significa isto? Que no jogo intertextual o personagem virgiliano Enéias está se tornando um personagem homérico, isto é, um outro Aquiles. Os efeitos intertextuais se multiplicam na medida em que a “Eneida” reúne os dois poemas épicos de Homero. Para ficarmos com mais um exemplo, o herói da “Eneida” é, também, o Telêmaco (filho de Odisseus, ou na tradução latina: de Ulisses) da “Odisséia”, quando da sua visita às cortes de Nestor ou Menelau, descrita na “Telemaquia” (trata-se da busca do filho, Telêmaco, pelo pai, Odisseus, que se encontra desaparecido desde o final da guerra de Tróia) homérica, assim, nos Cantos I-II-III-IV, no episódio que antecede a descrição do escudo de Enéias, no Livro VIII do texto virgiliano, o rei Evandro é visitado por Enéias, que se encontra apreensivo pelas povoações do Lácio que lhe são hostis (eis um paralelo com a apreensão de Telêmaco com os usurpadores do reino – Ítaca - de Odisseus). Enéias é bem acolhido pelo rei e pelo filho Palantes (outro paralelo com a “Odisséia”, pois Telêmaco foi bem acolhido por Nestor, em Pilos, bem como, por Menelau e Helena, em Esparta). Enquanto Enéias é conduzindo pela cidade, o rei Evandro explica as origens dos vários lugares da futura Roma (outro paralelo com o texto homérico, visto que Nestor relata a Telêmaco os acontecimentos sobre a guerra de Tróia).
     É, portanto, notável os efeitos da arte alusiva que percorre o canto épico virgiliano. Todavia, retornemos à “Eneida”, procurando desenvolver uma leitura linear do texto virgiliano, para podermos sentir como o texto perde a cor, especialmente quando submetido a uma leitura não intertextual.       Resumidamente, a “Eneida” inicia narrando os acontecimentos posteriores à guerra de Tróia.
     Durante os sete anos seguintes à destruição de Tróia, Enéias encontra-se percorrendo caminhos que o conduza até o Lácio. Diante da aproximação do herói, Juno (em grego: Hera, a rainha dos deuses e dos homens), ciente dos perigos que ameaçam sua cidade eleita, isto é, Cartago, incita o deus Éolo (deus dos ventos) a desencadear uma tempestade sobre a frota de Enéias. Netuno (em grego: Poseidon, deus do mar), entretanto, acalma o mar, e a frota de Enéias é recebida por Dido (ou Elisa), a errante, rainha da recém-fundada Cartago. A figura do troiano Enéias inspira um profundo amor em Elisa (Livro I). Atendendo a uma solicitação de Dido, Enéias dá início ao relato da guerra de Tróia: o incêndio da cidade, a morte dos seus heróis, a fuga final do herói de uma Tróia destruída por ordem de Vênus (em grego Afrodite, deusa da beleza e do amor), carregando nos ombros o pai Anquises e levando pela mão o filho Ascânio, além da perda da esposa: Creúsa. Durante a viagem, Enéias fica sabendo, por meio do oráculo de Delos (na Trácia), que os fugitivos devem tomar o rumo do Lácio, isto é, da Itália. A partir daí, a frota errante encontra o adivinho Heleno, que aconselha Enéias a consultar a Sibila de Cumas. Esta orienta o herói a fundar Roma nas proximidades de um rio, tão logo aviste uma porca branca com seus trinta filhotes (Livros II e III).
     Finda a narrativa, Dido confessa seu amor, por Enéias, à Ana, sua irmã. Porém, Júpiter (em grego Zeus, deus do Olimpo) ordena que Enéias prossiga viagem rumo à futura Tróia, deixando imediatamente Cartago. Vendo a tropa troiana partir, Dido, desesperada e desamparada, suicida-se; antes, porém, lança vaticínios sobre a frota de Enéias. Em seguida, os troianos retornam à Sicília, local onde foi celebrado o aniversário da morte de Anquises. Para tanto, houve sacrifícios, jogos e competições. A esta altura dos acontecimentos, as mulheres troianas, cansadas das viagens erráticas conduzidas por Enéias, incendeiam as naus da frota troiana.
     Enéias visita, então, a Sibila de Cumas, que prediz todas as guerras no Lácio. Obedecendo as instruções da Sibila, Enéias desce para o mundo subterrâneo (o reino de Plutão - em grego: Hades). Um ramo de ouro proporciona a Enéias uma travessia a salvo pelo reino dos Infernos. Nele, Enéias reencontra os mortos - inclusive seu pai Anquises, que lhe prediz o futuro de Roma - e o destino de suas almas, além de conhecer a futura descendência de Iulo (Livros IV a VI). Em seguida, Enéias deixa o mundo subterrâneo. O herói e sua tropa chegam ao Lácio, cujo rei é Latino. A frota é bem acolhida no Lácio, pois, além do rei Latino oferecer aliança aos troianos, também entrega a mão de sua filha a Enéias. Entretanto, Juno incita o forte gênio da mãe de Lavínia (Amata) e a ira do rei Turno contra os troianos. Várias tribos unem-se para atacar Enéias. Enéias hesita em enfrentar a guerra, mas os deuses o encorajam, pedindo-lhe que fizesse uma aliança com o rei Evandro, fundador de uma das partes da futura Roma. No Tibre, Enéias vê, consoante a profecia da Sibila, a porca com sua ninhada. Face à iminente guerra, o deus Vulcano (em grego: Hefesto, deus do fogo) forja um escudo para Enéias, no qual estão gravados todos os eventos da futura história de Roma. Em seguida, a guerra tem início: Turno cerca os troianos, mas os deuses transformam as naus troianas em ninfas marinhas. Niso e Euríalo conseguem atravessar a coluna inimiga para informar Enéias sobre o início da guerra, mas são mortos pelo inimigo. Turno é envolvido pelo exército troiano, mas escapa (Cantos VII a IX). Graças à proteção dos deuses, Enéias consegue arregimentar a força dos etruscos. Após relutar, Enéias mata Mezêncio e seu filho. A vitória é troiana e temporariamente acerta-se uma trégua entre os chefes guerreiros do Lácio. No entanto, as negociações são interrompidas, e Enéias, com seu exército, marcha contra a cidade. A guerreira Camila é morta. Irado, Turno, sozinho, resolve enfrentar Enéias. Enéias é ferido, mas Vênus cura-o imediatamente. Por fim, Enéias trespassa, com sua espada, o peito de Turno (Cantos X a XII).


O CONFRONTO ENTRE HEROÍSMO E “PIETAS”

     Se os heróis das epopéias homéricas são dotados de cólera (Aquiles, na “Ilíada”) ou de “Métis” – uma espécie de inteligência prática - (Ulisses, na “Odisséia”, é um herói astucioso); em contrapartida, o herói da epopéia virgiliana, Enéias, é um “Pius”, isto é, um piedoso, no sentido de cumprimento do dever, chegando às vezes, até mesmo, a desconhecer o furor! (e trata-se de um guerreiro!!)
     “Pietas” comumente se define como um sentimento de obrigação para com os pais, a família, os deuses e a pátria. No sentido religioso dos romanos, o vínculo afetivo entre os membros da família se alargava até atingir as divindades. Por conseguinte, acabava por atingir, também, as relações com o Estado. No Livro VI da “Eneida”, o sentimento de “Pietas” leva Enéias ao mundo dos mortos para que o herói possa rever o pai. A devoção filial é demonstrada junto ao ramo de ouro:

“... o piedoso Enéias galga os contrafortes onde reina a alta estátua de Apolo e o retiro afastado da Sibila temível, antro monstruoso, onde o profeta de Delos lhe inspira sua grande alma e sua grande vontade, e lhe descobre o porvir...”

     Na entrada do Averno, isto é, na entrada dos Infernos, Enéias é aconselhado, por uma sacerdotisa, nos seguintes termos:

“... troiano Enéias, insigne pela piedade e pelas façanhas, desce para ver seu pai entre as sombras profundas do Érebo. Se o exemplo de tal piedade não te comove, reconhece, ao menos, este ramo.”

     Durante a peregrinação pelo interior do reino dos mortos, Enéias avista o pai, Anquises, no fundo de um vale verdejante. Da boca de Anquises, ao reconhecer o filho, saem as seguintes palavras: “Enfim vieste, e tua piedade, há tanto esperada pelo teu pai, triunfou da dura viagem!”. Após o reencontro, o pai diz ao filho:

“Agora te direi que glória aguarda no porvir a raça de Dárdano, que netos de raça itálica te são reservados, almas ilustres e que devem revestir nosso nome; revelarei teus destinos...”

     Noutras palavras, Anquises prediz a Enéias o destino glorioso da futura Roma.  Portanto, se o herói homérico é movido por paixões e por interesses pessoais (referimo-nos aqui, em particular, a Odisseus, na “Odisséia”: herói astucioso, cheio de manhas, de artimanhas), ao contrário, o herói virgiliano Enéias é movido não por sua vontade, mas por obediência ao “Fatum” (fado, destino), visto que, o herói troiano está predestinado a fundar a cidade de Roma.
     Andrea Giardina (1992), em considerações iniciais sobre as características do homem romano, recorre a Cícero - o mais eloqüente dos oradores romanos. Ele diz:

“Não vencemos os Espanhóis por sermos mais, nem os Gauleses pela força, nem os Cartagineses pela astúcia, ou os gregos pelas técnicas, mas pela escrupulosa observância da ‘pietas’, da ‘religio’ e dessa sabedoria teológica que é própria dos Romanos ( sed pietate ac religione atque hac una sapientia, quod deorum numine omnia regi gubernarique perspeximus)”  (Giardina: 1992, p.7)

     Nesse sentido, o sentimento de “pietas”, que permeia todo o texto virgiliano, traz consigo uma nova sensibilidade ou um certo lirismo (no sentido de poesia da emoção) para a narrativa épica, desconhecida pela épica antecedente. Levando em conta as considerações de D’ Onofrio (1981) sobre tais características da poética virgiliana, concordamos quando o referido estudioso diz que este ponto assinala o momento de passagem da narrativa mitológica para a narrativa humana.
     De outra parte, “Fides” comumente se define como um juramento que compromete ambas as partes na observância de um pacto estreito e forte, isto é, respeitar o dever pela própria fidelidade decorrente do juramento. A “fides” romana explica a grande capacidade do povo romano em congregar povos sob seu domínio. Ela também pode nos explicar o episódio do Livro IV sobre Dido, a rainha de Cartago, a mais popular parte do poema virgiliano. Enéias perdeu sua mulher Creúsa durante o saque à Tróia pelos gregos (relato feito a Dido pelo herói, no Livro II). Dido apaixonou-se por Enéias, mas ele é obrigado a trocar o amor de Dido por seu destino prender-se à fundação de Roma. Em seu desespero a rainha suicida-se (Livro IV). Assim, o episódio trágico de Dido é um exemplo que mostra como a grandeza da fundação de Roma vincula-se à “fides”, na medida em que o herói Enéias é forçado a destruir a sua felicidade junto a Dido para atender a vontade dos deuses.
     Com efeito, a “Eneida” é um poema de paz e de conciliação, da nobre missão de um herói em fundar uma cidade, isto é, Roma. Por outro lado, o enredo da “Eneida” por meio herói protagonista deixa entrever um poderoso conflito entre o heroísmo e a piedade. Em diversas ocasiões da narrativa é sempre com horror que Virgílio recebe anúncios ou prenúncios de guerra. Em alguns casos, tudo fazendo para evitá-la, o herói narrador Enéias - na corte de Dido (nesse caso, Enéias está bem distante da figura de Demódoco, celebrador dos feitos bélicos na corte dos Feácios, na “Odisséia” homérica) - não celebra feitos bélicos, mas entoa um sábio poema sobre o futuro dos romanos. Em última instância, celebra uma época, ou seja, o século de Augusto, que pretende dominar o mundo e, ao mesmo tempo, impor a paz. Em suma, a “Eneida” é uma visão poética da história romana e uma visão acurada da era augustiana durante o Império Romano.
 
“Agora, Érato, contarei quais eram os reis, o estado de coisas, a situação do antigo Lácio, quando uma frota estrangeira desembarcou pela primeira vez nas costas da Ausônia, e lembrarei a origem do primeiro combate. Tu, deusa, inspira o teu poeta. Cantarei as horríveis guerras, cantarei as batalhas e os reis levados pelo ressentimento à carnificina, e o exército tirreno e a Hespéria inteira em armas. Maior ordem de coisas nasce agora de mim; começo agora maior assunto.”(Virgílio, p.136)

 “... com os seis últimos cantos, a epopéia sai das brumas da lenda para penetrar na realidade política”, afirma Grimal (1992). E assim, o destino de Roma está justificado.
     Finalizando, como bem observa Curtius:

“...só Virgílio escreveu uma epopéia nacional romana de transcendência universal que, por seu tema e por sua forma, se filia a Homero.Tornou-se um clássico. A Idade Média adotou, da Antiguidade, a tradicional ligação da epopéia  com a escola. Apegou-se à ‘Eneida’ e pôs-lhe ao lado as epopéias bíblicas, que exteriormente imitavam Virgílio, mas não podiam superá-lo...”  (Curtius  1996 , p.71)



NOTAS

1. Vates = aquele que lança vaticínios, profeta, poeta ou o “músico que, nas festas de Marte, cantava com os Sálios o Canto Secular”. In: Spalding, Tassilo O. Dicionário de Mitologia Greco-Latina. Belo Horizonte: Itatiaia, 1965, p.267.

2. Para informações mais completas sobre o tema sugerimos consulta à primeira parte do texto de Maria Helena da Rocha Pereira Estudos de História da Cultura Clássica (1990), pp.11-55.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BRANDÃO, Junito de Souza. Dicionário mítico-etimológico da mitologia e da religião romana. Petrópolis; Rio de Janeiro: Vozes, 1993.

BRISSON, Jean-Paul. Virgile: son temps et le nôtre. Paris: Librairie François Maspero, 1980.

COLLINGWOOD, R.G. A Ideia de História. Tradução Alberto Freire. Lisboa: Editorial Presença, [s.d]

CURTIUS, Ernest Robert. Literatura Européia e Idade Média Latina. Tradução Teodoro Cabral, Paulo Rónai. São Paulo: Hucitec: Edusp, 1996.

D’ONOFRIO, Salvatore. Da Odisséia ao Ulisses: evolução do gênero narrativo. São Paulo: Duas Cidades, 1981.

GIARDINA, Andrea. O homem romano. Tradução Maria J.V.de Figueiredo. Lisboa: Editorial Presença, 1991.

GRIMAL, Pierre. Virgílio: ou o segundo nascimento de Roma.Tradução Ivone Castilho Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

LÍVIO, Tito. História de Roma. Tradução Paulo Matos Peixoto. São Paulo: Editora Paumape, 1989, volume I.

MENDES, João Pedro. Construção e arte das Bucólicas de Virgílio. Brasília: UnB, 1985.

PARATORE, Ettore. História da literatura latina. Tradução Manuel Losa, S.J. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1987.

PEREIRA, Maria H. da Rocha. Estudos de história da cultura clássica. 2 ed.Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1990.

SPALDING, Tassilo Orpheu. Dicionário de mitologia grego-latina. Belo Horizonte : Editora Itatiaia,1965.

VASCONCELLOS, Paulo Sérgio de. Efeitos intertextuais na “Eneida” de Virgílio. 2 v. Tese de Doutoramento: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, 1996.

VERGÍLIO. Eneida.  Tradução Tassilo Orpheu Spalding. 3 a 9 ed. São Paulo: Cultrix, 1990-92.

VIRGÍLIO. As Georgicas: De VIRGÍLIO. Tradução Antonio F. de Castilho: São Paulo: Heros Graphica Editora, 1930.

VIRGÍLIO. Geórgicas / Eneida. Tradução Antonio F. de Carvalho, Manuel O. Mendes. São Paulo : W.M. Jackson Inc., 1948.

____. La Eneida. Traducción  de D.Eugenio de Ochoa. Buenos Aires: Jose Ballesta Editor, 1946.



                         CAMPINAS
                      primavera de 2005

SÍLVIO MEDEIROS
Enviado por SÍLVIO MEDEIROS em 07/12/2005
Reeditado em 18/12/2005
Código do texto: T81956

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor (Prof. Dr. Sílvio Medeiros) e o link para o site www.recantodasletras.com.br/autores/silviomedeiros). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
SÍLVIO MEDEIROS
Campinas - São Paulo - Brasil, 61 anos
267 textos (352015 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 02:22)
SÍLVIO MEDEIROS