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As coisas simples da vida


Os seres humanos correm atrás, às vezes a vida inteira, de coisas tão sofisticadas, batalham pelo famoso “lugar ao sol”, lutam por posições sociais e honrarias, das mais variadas, e acabam decepcionados, vazios, imersos na maior frustração, de quem vivem uma vida sem sentido.

Eu conheço um homem, cujo epitáfio, feito verbalmente pelo único filho, foi “meu pai morreu pobre, não tinha nada, só tinha dinheiro”. A vida humana é coisa simples, as pessoas, em geral, que a tornam complicada.

A mulher que recebe o marido abaixo de queixas e reclamações, está tornando a vida dos dois um inferno, colocando-a na iminência de uma ruptura. O mesmo ocorre com o homem que volta, à noite, de seu trabalho, e descarrega na família, mulher e filhos, todas as amarguras e desacertos de seu dia, faz recair sobre o grupo familiar uma atmosfera pesada de decepção e queixas recíprocas.

Se a gente for olhar o cotidiano, as notícias dos jornais ou os fatos da vida, vai encontrar gente que só pensa em luxo, em sofisticação, em ostentar, mesmo uma riqueza legítima, mas que se consome na manutenção desse patrimônio, com seguranças, seguros, cofres, trancas, cercas eletrificadas, etc.

Dou o exemplo do garoto Ronaldinho, hoje o número um do mundo. Sua ascensão foi natural até, ele nem procurou, seu talento foi guindando-o a patamares cada vez mais elevados, de mais notoriedade e - conseqüentemente – de mais riqueza.

Ele, como a Gisele Bündchem, por exemplo, são ricos, famosos, notáveis, mas suas vidas, porque afastadas da simplicidade, devem ter se tornado, de outro lado, um inferno. Eles não têm mais direito à privacidade, por onde andam têm que se esquivar dos fotógrafos, andar cercados de segurança, eles e os familiares, pois se tornaram forte moeda de troca no mercado-negro do seqüestro.

Eu sei que eles estão felizes pela riqueza e pelo prestígio mundial que possuem, mas tenho certeza que ele, Ronaldo, hoje tem saudades de jogar uma “pelada” num campinho perto de casa, desfilar pela Tinga, no carnaval, passear com uma garota no Ipanema e Guarujá, como o vi, quando morava aqui, e comer um “bife de panela” (de “patinho”, no máximo), com arroz e feijão, feito pela dona Miguelina. A riqueza alijou-o de tantas coisas simples...

O mesmo deve ocorrer com a Gisele. A fama tornou-lhe proibidos alguns prazeres da vida, como caminhar na praia, namorar de mãos dadas com alguém, ir às compras no shopping, etc. Imaginem o escândalo que seria a übermodel, na praça de Horizontina, lambuzando-se com uma pamonha! Em tudo há um fotógrafo de plantão, um chato de galocha, um perigo imi-nente.

Fama e riqueza podem ser bom, mas distanciam a gente das coisas simples da vida, onde, no meu entender, está a raiz da verdadeira felicidade.


Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 25/12/2005
Código do texto: T90393
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
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