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O TEMPO DA NOSSA VIDA


Conta a historieta que um jovem dirigiu-se a um sábio e perguntou: “Mestre, quantos anos o senhor tem?” Não repare a grosseria, mas eu gostaria muito de saber...”. O velho homem respirou fundo, olhou para seu interlocutor, respondendo:
“Uns dez anos!”. O rapaz riu meio sem jeito, imaginando que o sábio não tivesse gostado da pergunta, respondendo evasivamente, uma vez que ele demonstrava ter, no mínimo, uns sessenta anos.

Observando o constrangimento do moço, o mestre continuou:
“Eu devo ter uns dez anos, sim, dez anos de vida, daqui para a frente, pois o tempo que passou está perdido, não volta mais e eu não posso viver de novo o tempo passado”.

É curioso como se vê pessoas idosas atreladas ao passando, contando “causos” que quarenta ou cinqüenta anos atrás, como se só aqueles eventos fossem importantes, e o resto da existência, presente e futura não tivesse o menor interesse. É claro que o passado é rico. Nele está o nascimento, as primeiras descobertas, a alfabetização, o despertar do amor, o casamento, nascimento dos filhos, colação de grau, etc.

Mas, nem por isto, a gente precisa ficar debruçada no passado, como se a parte mais importante da nossa vida estivesse lá. O dia de hoje, uma vez que acordamos com vida, capazes de enxergar o amanhecer, ver o sol ou a chuva, escutar o barulhos dos pássaros ou o alarido das crianças, encontrar-se com algum parente ou amigo, tem um valor incalculável.

Por isto ele se chama “presente”, porque é dádiva. O amanhã, para sabe cultivar as esperanças e as expectativas, embora incerto, também é apaixonante. É o passado que nos ajuda a viver o hoje, e nos projeta para o futuro.

Esses três momentos tem a capacidade de nos ensinar, fazer-nos ver, por exemplo,  a diferença entre a paixão (que prende), o amor (que nos dá asas, e por isso liberta) e a amizade (que forma o chão que nos dá firmeza). A história do sábio e de seu jovem interlocutor nos dá muitas pistas, especialmente para pautarmos nossa vida nesse novo ano. O tempo de nossa vida que passou, mesmo profícuo e cheio de realizações, está perdido, não volta mais. Lá atrás ficaram acertos e erros, alegrias e tristezas, conquistas e decepções. Agora, o que fazer? Chorar o “leite derramado”? E se a nossa vida não foi assim tão cheia de realizações?

Se não fizemos todo o bem que deveríamos ter feito? Se não gozamos as alegrias e os encontros, se não desfrutamos a beleza da natureza e os prazeres que estiverem disponíveis e nós deixamos e usufruir? A vida que se tem é uma só; não tem retorno. Quantos anos temos de vida?

O sábio imaginava ter dez... e nós, qual nossa expectativa? O que você faria se soubesse ter duas horas de vida? Ou dez dias? Ou um ano? Por isto, os anos que nos restam precisam ser bem aproveitados para viver ou reviver coisas que deixamos de fazer, fortalecer a amizade com Deus, estreitar os laços com a família, ajudar a quem precisa de nosso apoio, pedir o perdão que faltou, descer um pouco do pedestal e olhar as pessoas cara-a-cara.

A cada dia que passa, nossa vida fica mais curta. É como um jogo que se aproxima dos “minutos finais”. Por que não tentar revisar a caminhada, ajeitando o que precisa ser ajeitado, no tempo que ainda nos resta?


Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 29/12/2005
Código do texto: T91785
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
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Antônio Mesquita Galvão