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Vistas, princípios e sentimentos

Orson Peter Carrara.

A condição absoluta de vitalidade (e diríamos até manutenção e perpetuidade) para toda reunião ou associação (ousamos acrescentar administração da vida pública ou privada), qualquer que seja o seu objetivo,é a homogeneidade, isto é, a unidade de vistas, de princípios e de sentimentos, a tendência para um mesmo fim determinado, numa palavra: a comunhão de idéias. Todas as vezes que alguns homens se congregam em nome de uma idéia vaga jamais chegam a entender-se, porque cada um apreende essa idéia de maneira diferente. Toda reunião formada de elementos heterogêneos traz em si os germens da sua dissolução, porque se compõe de interesses divergentes, materiais, ou de amor-próprio, tendentes a fins diversos que se entrechocam e raríssimamente se mostram dispostos a fazer concessões ao interesse comum, ou mesmo à razão; que suportam a opinião da maioria, se outra coisa não lhes é possível, mas que nunca se aliam francamente.

      O texto que o leitor acaba de ler é de um grande educador. Os acréscimos colocados entre parênteses e os destaques em negrito são de nossa autoria. Sugiro nova leitura para constatação evidente de que o texto reflete a situação da atualidade, embora publicado em 1890.

      Observem os leitores que a própria situação do país e na maioria das vezes de nossos municípios, refletem o sentido do texto. Ocorre que os interesses divergentes, a busca da satisfação de causa própria, em detrimento do interesse coletivo - que deveria prevalecer, por uma questão óbvia de ética -, geram os entrechoques de opiniões que atravancam o progresso e o "deslanchar" dos interesses coletivos. Por isso nos encontramos todos "amarrados" em soluções que nunca saem, em intermináveis reuniões - onde não há consenso -, que não levam a lugar nenhum e pouco ou quase nada se resolve. Essa ausência de objetividade e mesmo de homogeneidade no interesse coletivo - que não é parcial -, criaram esse "sistema" que complica e atravanca o progresso.

      Não somos contra as opiniões divergentes. Elas são necessárias e úteis para o alcance da melhor alternativa. O que comentamos é que a AUSÊNCIA da unidade de vistas (acima comentado), de princípios (a falta de princípios éticos corrompe o ser humano) e de sentimentos (o egoísmo e seus derivados estabeleceram a crueldade e a indiferença dos dias atuais) já matam no nascedouro qualquer iniciativa que vise o bem coletivo, a harmonia do relacionamento e as tentativas de se produzir algo que melhore a dramática situação do planeta. Pessimismo? Nem tanto.

      O que se busca é a paz e ela terá que ser construída no respeito às diferenças. Eis o segredo: respeito pelo outro, pela iniciativa alheia. Quando respeitamos, embora pensemos diferente, a harmonia se apresenta e as soluções surgem naturalmente. E respeito é presença da ética, que por sua vez norteia o sentimento. Será tão difícil assim? Somemos, ao invés de dividir...
Orson
Enviado por Orson em 11/01/2006
Código do texto: T97407
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Sobre o autor
Orson
Matão - São Paulo - Brasil, 56 anos
298 textos (94353 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 12:05)