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Tempo a seu tempo...



O tempo é algo que sempre fascinou o Homem. Um elemento associado a mistério, poder, imbuído de significados insondáveis que a mente humana não consegue desvendar.
Talvez pela extraordinária força que tem, como vertente inexorável da vida; ou pela fragilidade com que se consome, tornando-se fugaz e imponderável, torne-se cada vez mais sedutor .
Parece exercer sobre o Homem uma atração irresistível, quase uma obsessão que cada vez mais o intriga, porquanto não possui poder algum sobre ele.
Assim, a humanidade caminha a perseguir os segredos da temporalidade, buscando quem sabe encontrar a fonte genuína do tempo e dela beber avidamente o néctar da eternidade.
O que podemos observar no cotidiano das pessoas, é quase um culto inconsciente ao tempo. A modernidade impulsiona o indivíduo a acelerar seu ritmo de vida. Vemos hoje pessoas sempre correndo, apressadas, lutando contra o tempo, e incoerentemente tentando fazer dele sua eterna morada. Não mais há espaço para se saborear o cotidiano, que é sua única realidade.
Porém, tudo isso não lhe dá nenhum domínio sobre o tempo, nem lhe permite interferir em sua trajetória, tão pouco lhe concede uma fatia adicional que seja; o que parece apontar para um equívoco e que, de modo perverso, lhe cobra pesados dividendos.
Em algum momento, o homem deixa de exercer seu poder de escolha, embaraça-se de tal modo com os movimentos de seu dia adia, envolve-se com a correria e quando se dá conta esta sendo levado pela rotina ao invés de decidir por onde quer caminhar.
Quando não se sabe com clareza para onde se quer ir, qualquer caminho serve.
É preciso desenvolver a habilidade de escolher e não se submeter aos caprichos do improviso e da casualidade, tornando-se vitima do atropelo. Para tanto, há que se utilizar melhor o tempo e dele fazer abrigo acolhedor ao seu propósito.
Não podendo, pois,  escolher o que lhe sucederá, tem sim o poder para decidir como reagirá a cada acontecimento de sua vida e este detalhe faz toda a diferença, é em si a linha divisória  entre os que levam a vida e os que deixam a vida os levar.
Nada pode superar as delícias miúdas que a vida proporciona em sua trajetória. E para que delas se possa beneficiar, é necessário dedicar tempo, muito tempo a cada prazer que se experimentar.
Não se pretende buscar no passado o modelo para se aplicar na rotina do homem moderno. Cada tempo tem seu ritmo e cada época a maneira própria de se desenvolver. A questão é apreciar a vida, aproveitar-se do tempo, espaço onde se desenrola nossa história, fazendo dele o foco maior de nossa atenção.
O aqui e agora, atualmente tão decantado, acabou se tornando um slogan que incita a pressa e não a entrega ao desfrute de sua existência.
Quem assim o faz está sujeito a passar pela vida sem dela experimentar o gosto singular da aventura que é realmente viver.




 Hoje já se começa a ter uma nova noção da relação do individuo com o tempo.Uma relação que quanto mais serena, mais tranqüila maior o benefício para o indivíduo e todos que estão em seu ambiente de convívio.
Grandes empresas já se dedicam a desenvolver as pessoas de modo a incorporar uma nova maneira de lidar com o tempo.
A importância do lazer; da desaceleração do ritmo das pessoas, ligado a produção; ao sentimento de bem estar, à realização e ao encantamento pela vida, começam a atrair a atenção de estudiosos e especialistas no comportamento humano.
O homem abre mão, no decorrer de sua vida, da capacidade de se encantar com o mundo, com as pessoas, com a natureza, tudo enfim, porque  perdeu o hábito de entreter seu raciocínio e emoções com o desenrolar de sua vida, deixando de deliciar-se com a experiência em si.
 A velocidade que se instala em sua rotina não lhe permite entregar-se nunca a momentos de abstração, de contemplação ou simples admiração. Na verdade o homem se lança numa disputa cruel com o tempo, buscando alcançá-lo e retê-lo, sem jamais conseguir seu intento.
Tudo isso acaba  por causar decepções, desgastes, depressão e outros males. Na impossibilidade de lidar com esta vertiginosa rotina e os problemas que vão surgindo, muitas vezes o homem desiste de seus sonhos, abre mão de suas metas e se coloca em condição dependente de algum “objeto” no qual vai se refugiar de seu desencanto.
Essa sensação de impotência em relação ao tempo parece ser a responsável pela voracidade com que o ser humano se relaciona com ele.
Talvez  o segredo esteja na compreensão da própria natureza. Observar as estações do ano, os ciclos de água, as plantações, o nascimento de um bebê, ou seja, toda a alternância cíclica que caracteriza a marcha do tempo e seus efeitos. Essa apreciação, em si, evidencia uma sabedoria e um jogo constante de movimento e repouso.
O tempo deve ser encarado como um amigo, daqueles que gostamos muito, e por amarmos intensamente, o deixamos livre, jamais cobrando nada, nem cerceando seu espaço, mas caminhando ao lado dele em suave sintonia.
A vida e um presente e só podemos saboreá-la no instante em que a recebemos.
Fica aqui o convite pata que daqui pra frente desfrute de cada segundo não deixando que se perca o sabor inigualável da vida, experimentada momento a momento.



Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 05/04/2005
Código do texto: T9906
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
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Priscila de Loureiro Coelho