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Algo sobre tratamentos de dependência química

Quero abordar um assunto que acredito ser fundamental uma explicação. Quando discutimos tratamento para dependentes químicos temos que refletir de maneira tranqüila e serena, percebendo o caminhar das coisas.
Por exemplo, uma pessoa que se encontra com problema com drogas e que procura ajuda, no primeiro momento não procura uma internação seja numa Comunidade Terapêutica ou mesmo numa clinica médica especializada. Neste primeiro instante vai procurar ajuda psicológica, fazer tratamento individual ou aderir em algum grupo de mutua.
Partindo deste prisma é que quero desenvolver este artigo. Alguém que está com problemas com drogas o que faz? Procura um analista e a partir daí coloca suas angustias, dificuldades, o que está havendo com ele. Evidentemente a abordagem com este profissional será técnica. A partir de uma analise preliminar o analista vai construindo um perfil com o objetivo de ajudar o seu cliente a se encontrar. Pois bem, o analista não vai querer evangelizar seu cliente, falar de Deus ou ficar falando de espiritualidade. Porque o foco do trabalho dele não é este, mas sim o tratamento às drogas. Profissional de Saúde não é conselheiro espiritual, tem seus limites técnicos e éticos a serem respeitados dentro de sua profissão.
Mas aqui é importante dizer que o tratamento ou semana não resume em duas ou três horas semanais de terapia. A vida continua e dentro das atividades diárias também se busca outras situações que podem ajudar na superação de problema com as droga.
Sendo uma pessoa cristã e se convidada por algum colega à participar de cultos, encontros, celebrações ou retiros todos estes momentos vão se somando e completando também a vida daquela pessoa. Sendo assim, estes momentos de espiritualidade e com a ajuda do profissional colabora para adicionar no processo de tratamento das drogas.
Mesmo se estiver participando de grupos de mutua ajuda o processo é o mesmo. A pessoa que tem problemas com drogas participa em período por semanas dentro de uma abordagem, no entanto vida estará quotidianamente acontecendo e segundo a crença dele participando da dimensão espiritual, sendo assim, tudo se soma para a superação das drogas.
Pois bem, mesmo com esta possibilidade ainda não consiga a vencer as drogas e seu quadro cada vez mais vai progredindo e intensificando a possibilidade acaba sendo um tratamento mais intensivo por meio de internação.
Neste momento abre duas alternativas uma é procurar clinica onde a abordagem é por meio de medicamentos e estritamente técnica, a segunda se internar numa Comunidade Terapêutica. Caso a opção seja uma Comunidade Terapêutica, a partir de um período a entidade passa a ser a sua nova residência, e ali constrói uma nova família por um período. Estará integrado dentro daquela comunidade durante vinte e quatro horas. O que ocorrerá então? Todo aquele processo que se vivia fora passa a viver dentro da entidade, isto é, fazer parte do tratamento dentro dos diálogos com profissionais que lá trabalham; ter momentos de lazer; atividades de trabalhos dirigidos, pois, todo programa é terapêutico. Por fim, a pessoa vive também a espiritualidade.
Não entendo a procedência da critica quanto a espiritualidade, por ver como algo natural. Se esta pessoa estivesse procurando tratamento sem internação não viveria sua espiritualidade da mesma forma? O que ocorre é que numa Comunidade Terapêutica tudo é conduzido dentro de um contexto de tratamento, família e de comunidade.
É fundamental que se tire uma concepção a meu ver que está equivocada, de que, Comunidade Terapêutica aliena as pessoas, fanatiza usando da bíblia como forma alienante. A partir do instante que o recuperando vive dentro de uma comunidade vinte quatro hora e por um longo período passa por todo o processo que passaria se estivesse na sociedade, somente que de maneira mais privada.
Dentro de uma entidade é uma vida como fora, trabalho, lazer, ajuda profissional ou de grupo e vida espiritual. Há muitas criticas sem fundamentos. Não existe perdedor e nem vencedor. Cada recuperando dentro de sua individualidade é que se adere ou não a metodologia do tratamento.
É verdade que uma vida dentro de uma Comunidade Terapêutica dá mais segurança e muitos acabam ficando dependentes dela, ou para alguns um tempo longo acaba sendo tediante, por isso vejo fundamental a ressocialização ocorrer a partir do momento que se entende que o recuperando esteja consciente e bem emocionalmente. Independente o tempo que esteja internado deva ir para a ressocialização.
Vejo que o tratamento nas Comunidades Terapêuticas ocorre da seguinte forma. O recuperando da entrada péssimo, com muita baixa auto estima, passa pela síndrome de abstinência e com o tempo vai melhorando até chegar a um determinado limite (ou diria seu máximo na auto estima), neste momento se permanecer ainda internado pode entrar num processo inverso, o recuperando vai decaindo. Por isso, a necessidade de transferi-lo para um outro ambiente. Aqui no caso a ressocialização.
Defendo um tempo limite máximo de internação de seis meses, mas que a sair ou mudar de regime de tratamento seja segundo cada um, isto é, a partir do momento que se diagnosticar que o recuperando está conscientizado e com melhora substancial em sua auto estima deva mudar de fase, isto é, iniciar um processo de ressocialização.
Ataíde Lemos
Enviado por Ataíde Lemos em 15/01/2006
Reeditado em 08/03/2006
Código do texto: T99286
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Sobre o autor
Ataíde Lemos
Ouro Fino - Minas Gerais - Brasil, 51 anos
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