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Pardon

O ouro dos tolos é a fraqueza maior que pode alguém desejar. Como não se decepcionar por desejar o falso além da verdade? Ela é a base de toda e qualquer virtude, ser verdadeiro consigo mesmo, transparecer para os outros, desejar a verdade vinda de outrem.

Como alguém poderia desejar com um texto reparar um falta e, tampouco, esse é o intuito desse que vos escreve. Uma pergunta sem acento fica tão implícita quanto uma atitude irreal?

Seria a falta de confiança de alguém eterna o suficiente para determinar rumos incertos ou até concretos para a vida de um pobre mortal?

Um fraquejo momentâneo pode determinar o caráter vitalício de uma pessoa e com isso repelir a confiança que poderiam lhe outorgar, mesmo que esse fraquejo fosse moralmente condenável ele, saindo da mente do que o cometeu, é melhor, pois verdadeiro e sincero, sem floreios.

Antes de ser fiel a alguém, diz-se virtuoso aquele que é fiel a si mesmo e se essa fidelidade causar prejuízos aos seus objetivos é melhor revê-la, mas consciente de que pelo menos não lhe faltou aquela certeza que se fez o inevitável, se fez tudo aquilo para que no futuro não se dissesse o temido “eu poderia ter....”

Não tento florear nem tento enfeitar o que sinto, ser complexo e simples ao mesmo tempo pode ser agradabilíssimo como também um pé no saco, levando-se em consideração o entendimento alheio. Quem não falha? O sábio, o divino, o santo, mas muito distante deles, bem distante me encontro como todos nós nos encontramos, e que desejo melhor para a vida se não tentar ser virtuoso? A tolerância, além da fidelidade, não seria uma das virtudes desejadas?

Falo aqui com sinceridade, primeiro porque acho que devo-me um pingo de compaixão e não conseguiria viver sem tentar reparar-me. Segundo minha sinceridade já me pôs em lugares difíceis de se sair, tampouco me arrependo dela, prefiro uma tristeza sincera que uma felicidade falsa.

Gostaria de expor, do modo mais claro e singelo o que sinto por ti e não é pouca coisa, uma pessoa extraordinária é necessária para balançar-me, encontrando-a não sei como agir, perco o rumo, não é uma desculpa, uma tentativa de entender-me ou fazer-me entendido, no mínimo peço a compreensão que é maior e mais ampla que o entendimento.

Como não cair nas garras predatórias do arrependimento? Tendo uma fé inconsciente que estou diante de uma das pessoas, que provavelmente estarão, dentre todas, um pouquinho mais capacitada para compreender, ou tentar se quiser, as atitudes falhas de um pobre mortal.

Peço, que não se faça um conceito de minha pessoa tão cedo, conhece-me há tão pouco tempo e eu mesmo há 23 anos 5 meses e alguns dias convivo comigo mesmo e não consigo conceituar-me.

Não peço, contudo, que seja inumana e aceite o inaceitável, só saiba que por trás de uma mera atitude babaca e boçal estão pilhas e pilhas da mais normal das mentes, da mais temerosa e necessitada.

O que me leva a temer, sim, medo é o que sinto ao expor tudo o que sou e sinto para alguém que, também como é recíproco, não conheço muito bem, mas seria isso uma falta de confiança na capacidade dos homens? Não careço dessa falta, peco pelo excesso muitas vezes.

Um impulso contra toda uma racionalização emocional. Somos medíocres e lindos ao mesmo tempo. Como não desejar todas as falhas que cometemos, simplesmente por cometê-las, por serem reais, por serem vividas?

Não estou jogando um fardo, talvez leve ou pesado, para ninguém, nem tampouco para ti, só escrevo o que se mostra diante de teus olhos, pois é justamente o que surge naturalmente de minha pessoa e não consigo ignorar-me tão profundamente.

Expor-se é arriscado? O que não o é nessa mera vida que vivemos? Viver nossa bela e linda monotonia diária, agitada ou mesmo ociosa, o grande palco dos eventos não dá a mínima para toda nossa força em se fazer vividos.

Não peço que esqueça uma falta, peço que a tolere. Peço que tenha um mínimo possível de misericórdia a essa alma que em parte é satisfeita consigo mesma e em parte é atormentada pela possibilidade de uma impossibilidade concretizada.

Não é algo que seja difícil de entender, não falo obscuramente, só de maneira peculiar. Ao tentar recuperar meu equilíbrio, ignorado na noite passada, vejo o quanto desejei-te o quanto teu corpo em meus braços me fazem falta agora e sempre, pois se o sempre não é o agora ele não chega perto de existir.

Como estar feliz e triste ao mesmo tempo é algo que não sei, nem tento explicar, mas posso dar uma faísca de meus sentimentos confusos e complexos, uma lágrima não significa arrependimento, não se não é vista, não se é expressada. De nada adianta ficar no canto e se arrepender.

Efetivamente o arrependimento, base para todo perdão, só o é se praticado, como o bem, como a justiça, só são se praticadas, não existe justiça, bem ou arrependimento que não concretizados, não existe perdão teórico. Bom para nós.

Aqui está, a máxima manifestação daquele sentimento que nos leva a tentar perdoar as faltas alheias, não peço o perdão, peço a tentativa dele.

Alguns podem dizer que é precipitado, mas quando se convive com ele não é tão difícil outorga-lhe e direcioná-lo a uma pessoa, ainda mais quando ela é tão adorável, o difícil estaria em direcionar ele para os odiosos, os baixos, os vis, e foi justamente esse ensinamento que Cristo nos deixou, não sou religioso, mas como ignorar uma prova de amor?

Amar o amor é justamente a mais alta das capacidades humanas, não a tenho, mas convivo continuamente em busca dela, e por favor se você, que lê isso, estiver entediado com os meros devaneios de um qualquer, pare agora de ler, se já não parou há tempos, e vá fazer algo mais útil. Se continuar lendo é com felicidade que abraço todo o seu ser.

É em busca desse conhecimento, dessa curiosidade que todo o meu ser gira ao redor. E é em busca dessa verdade que falo, qual verdade é mais verdadeira? A impulsiva ou a constante?  Regozijo por ser verdadeiro, mato-me por sê-lo.

Quando se está sozinho, creio eu, é melhor ser fiel a si mesmo que aos outros, mas quando dentro de um relacionamento não há como não cortar boa parte da fidelidade pessoal e compartilhá-la com outra pessoa. Dessa fidelidade pessoal que me valho para erguer toda a justificativa textual.

Já caminho para o fim de toda essa tentativa de esclarecimento, mas não vejo como terminar se não reafirmar todo o conceito por trás de tudo isso.

Não há pior traição que a pessoal, e como comparar fidelidade pessoal à traição de intenções?

Nessa parte que minha falta se mostra tão odiosa. É justamente nesse ponto que clamo pela compreensão maior e por um possível perdão. Tudo que construí até agora vem desembocar nesse ponto.

Mesmo feliz por ser fiel e verdadeiro não consigo aceitar minha falha em relação a minha intenção. Pensei que essa poderia ser fraca, mas há melhor prova de sua profundidade do que quando se vê perto de perder a chance de concretizá-la?

Só o pensamento de sua “inalcançabilidade” para provar toda a falta e desespero que pode causar. Homens!

Não vou-me dissecar por completo, já deixei clara a mensagem que queria e com isso termino meu humilde pedido de perdão, mesmo que nada ocorra que se viva sem esse rancor, por mínimo que seja, mas que seja eternamente lembrado para o aprendizado e supressão da possibilidade de se repetir.

Amo amar o amor. Já o disse antes, mas nunca é penoso o repetir. E no meio dessa seqüência de amar amar o amor, uma das pequenas engrenagens que a move, está o sentimento nutrido por ti. Como ignorar isso? Como não admitir? Que se foda a exposição. Vivo por viver não para me conter. Posso amar-te pelo resto de toda a minha existência. Quero amar-te para o resto da minha vida. Mas como querer algo que vem naturalmente e não tem controle? Pela lógica é ridículo. Mas se acrescentar que o amor é querer o que se tem e o aproveitar ao máximo, digo que quero amar-te já te amando, o que é mais delicioso ainda.

Querer e poder. Quero amar e posso amar. Sinto-me completamente idiota ao saber que amo mesmo que nada ocorra. E essa é a base maior do amor, aquele que parte sem nenhum egoísmo, sem desejos próprios. Amo amar a idéia de que sei que alguém como você existe e simplesmente esse fato já é lindo.

Esperar é querer sem poder. É ruim? Sim! Mas sou humano e espero, o menos possível, mas espero que consiga fazer-me compreendido e com isso plantar a semente de um possível perdão.

É tudo e só o que espero.
leandroDiniz
Enviado por leandroDiniz em 12/02/2006
Código do texto: T110920
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Sobre o autor
leandroDiniz
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 34 anos
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leandroDiniz