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POTY LAZZAROTTO

POTY LAZZAROTTO

Do pinheiro à pinha e da pinha aos pinhões. (JS)

Jorge Amado disse certa vez, por ocasião da Exposição de Gravuras em Salvador - "Na tarde calorenta, ante esse azul do mar, do céu e dos quadros de Jenner, venho cantar loas em louvor a Napoleoni, dito do século Poty, mestre de madeira e da goiva, condutor de santos. Para saudar sua presença na Bahia, não apenas como embaixador da cultura das terras do sul, como um baiano a mais, porém, sua sensibilidade e sua mulataria interior são nossas, dessas orlas de cais e desses velhos sobrados, Poty desembarca em nossa cidade, aporta na Querino, com as mãos cheias de beleza a distribuir, de maestria conseguida em muitos anos de consciente e árduo trabalho no duro ofício de gravar, em sua arte conquistada e realizada, na madeira recriada em flor, em pássaro, em carne de homem e alma de santo, em pão e vinho"
O Fragmento do acima descrito por Jorge Amado se deu na Exposição da Galeria Querino em Salvador no mês de dezembro de 1963. Na época Poty contava com 39 anos e já estava casado com Célia Neves. O casal não teve filhos.
Napoleoni Potyguara Lazzarotto nasceu  em Curitiba no dia 29 de março de 1924. Desde pequeno demonstrava um talento que sobressaía ao de seus colegas de escola. O lápis, o caderno e o papel de pão e até mesmo as paredes (como nos desenhos rupestres) foram os meios encontrados para o início de um registro importante de gravuras que começaram bem cedo a fluir em técnica e qualidade próprias, fruto da      criatividade e do vigor de sua idade.
Jovem ainda, já mostrava seus desenhos em quadrinhos e as gravuras com grafite, se utilizar dos recursos das cores. A maioria de suas gravuras foram feitas em nanquim.
Aos 23 anos partiu para a divulgação de sua arte, incentivando-a e ensinando-a a novos valores, como também a arte gráfica, quando suas histórias em quadrinhos foram fartamente publicadas, a partir de 1938, no jornal Diário do Paraná.
Em 1942 recebia Medalha de Bronze no Salão Nacional do Rio de Janeiro e passou a fazer ilustrações (a partir de 1943) para a revista "Joaquim" editada em Curitiba por Dalton Trevisan.
Poty, entre outras qualidades, convergiu com absoluta acuidade para a entalhadura, produzindo santos de madeira e várias obras como: as Sete Estações da Via Sacra, a Ceia Sagrada, a cabeça de Cristo, São Francisco, o Boi Sagrado, todos voltados ao seu profundo amor à religião. Guerra Junqueiro afirmou, certa vez: "O grande artista não iguala ao santo, mas aproxima-se dele. O artista, criando beleza, cria amor, porque a Beleza é a expressão do Bem; é o amor a cantar, na forma, no som, no verbo e na luz".
Não se contentando, além das obras planas e em relevos, surgiram manifestações e concepções que resultaram gravações em goivas, madeiras, cerâmicas e um sem-número de peças em relevo, trabalhadas com concreto.
A sua trajetória orgulha o brasileiro e notadamente o curitibano. Ícones urbanos em mosaicos, totens e obeliscos espalhados em praças e parques, retratam hábitos e costumes da terra, a paisagem citadina com seus tipos, rostos, bares, prédios e a divulgação do pinhão e das araucárias como símbolo de fertilidade do solo paranaense.
A confirmação do seu talento vingou a partir de 1967 e para confirmar sua respeitável condição de um dos mais consagrados artistas do Paraná, viajou o mundo e onde esteve, o Brasil se valeu da sua intelectualidade, da sua estética. Foi bolsista do governo francês e estudou na "École de Beaux Arts" em Paris. Algumas exposições foram realizadas na Europa como também nos Estados Unidos. Na França deixou o "Mural para a Casa do Brasil - em madeira gravada. Outros murais encontram-se no Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.
Em São Paulo, fundou a Escola Livre de Artes Plásticas e mais tarde, organizador dos Cursos de Gravura em Curitiba, Recife, Salvador e em São Paulo.
Para provar seu empenho e abnegação à arte, basta apreciar a quantidade de murais executados em diversas cidades, tais como:
Praça 19 de dezembro - Curitiba
Palácio Iguaçu - "São Francisco" (em madeira) e "Paraná" (concreto)
Assembléia Legislativa do Paraná - "Símbolos do Paraná" (concreto, madeira e cobre) e "Assembléia" (em madeira)
Universidade Federal do Paraná "O Trabalho Humano e Evolução Técnica" (ajulejo)
Teatro Guaíra "Evolução das Artes Cênicas" (concreto)
Monumento ao Tropeiro na Lapa (em mosaico)
No Hotel Paraná Suíte "Quatro Estações" (em concreto utilizando toda a fachada no total de 37,5m. de altura por 10,0m. de largura)
Memorial Latino Americano - em São Paulo
Palácio da Avenida - em Curitiba
Praça da  Bíblia - em Paranaguá
Júlio Sampietro
Enviado por Júlio Sampietro em 17/05/2006
Código do texto: T157652
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Sobre o autor
Júlio Sampietro
Curitiba - Paraná - Brasil, 73 anos
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Júlio Sampietro