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Simplicidade e humildade

    Uma vez me disseram que simplicidade é coisa feia e que o certo é ser humilde, mas o que eu mais peço a meu Deus é que um dia me faça simples.
    Quero ser simples de se entender, ouvir, gostar, amar, quero ser o que eu nunca soube ser... Parece simples não é mesmo?!
    No dicionário está escrito que simplicidade é o mesmo que ser simples e simples é o mesmo que ser humilde... Vai entender!
    Já causei tantas aflições às pessoas que mais amo e sempre costumo repetir os mesmos erros, por mais que eu tente não fazê-los, e às vezes só percebo o que fiz quando já é tarde demais. Não é fácil ser eu. E tudo isso é por causa da simplicidade... Da falta dela.
    Minha vida sempre foi um emaranhado de coisas que nunca consegui entender ao certo. Afinal, como posso ser humilde se nunca aprendi a viver primeiro as coisas simples da vida? Não estou dizendo que sou arrogante nem algo do tipo, Deus que me livre disso! O que quero dizer e que eu nunca vivi de verdade e intensamente os meus dias como vejo nos filmes de amor ou até os de comédia.
Até hoje não consegui ser eu mesma e isso me afeta de um jeito que nem sei mais quem realmente sou, se essa máscara que uso todos os dias não é realmente meu rosto nu e cru, sem vida.
    Apesar de só ter 17 anos existem muitas coisas que eu já gostaria de ter feito, como gritar ao mundo “EU SOU FELIZ!”, mas até agora nada disso me aconteceu e eu não posso mentir para o mundo e muito menos para mim.
    Desde que me conheço por gente não tive nenhuma oportunidade de sair por aí a fora e curtir um pouco a minha liberdade. Me sinto no tempo da escravidão, onde o pobre negro tão sofrido espera ansioso pela sua carta de alforria.
    Amo tudo o que eu tenho, mas queria que esse tudo me permitisse respirar um pouco sem antes ter que pedir sua permissão para fazê-lo. Acho que é por esse motivo que costumo ser tão bruta com as pessoas que mais prezo em minha vida. Tenho necessidade de ter só para mim a minha simplicidade.
    Já cansei de ser assim tão estúpida e meu Deus sabe que eu tento não ser assim, mas é tão difícil! Queria ao menos por um dia ser como uma menina que conheço. Ela vê a vida com outros olhos, mesmo estando na mesma situação que eu, ela é feliz e otimista.   Chega a ser bonito de ver o seu jeitinho tão simples. Apesar da prisão, Ela consegue ver o sol sempre radiante e a lua sempre prateada, conseguiu ter a sua simplicidade para depois ganhar sua humildade. Confesso que sinto inveja dela... Como eu gostaria de ser assim! Mas minha carne é fraca ou dura demais para admitir essa jaula. Devo ser tola mesmo!... Ou covarde?!
    Tenho medo de lutar contra os meus problemas, sou feita de preguiça e isso não me faz bem, pois quando vou analisar tudo aquilo que deixei passar por causa da minha incessante fadiga ou incapacidade, vejo o quanto falhei, as oportunidades que perdi de falar algo e de calar minha boca, os passos para o lado errado, as lágrimas que chorei e que fiz outros chorarem também, os abraços que devia ter dado, os beijos que devia ter levado, o “eu te amo” que nunca foi dito por mim. E é tudo minha culpa, minha preguiça, incompetência, e o mais grave de todos, minha vergonha de fazer o que era certo.
    Talvez o que eu realmente precise nesse momento não seja a minha simplicidade e humildade, mas sim de um bom agito, um terremoto, algo importante e forte o suficiente que me faça acordar para a vida e ver o que estou perdendo enquanto fico reclamando da vida e vendo só pontos negativos em tudo que me cerca. Eu só espero que esse abalo sísmico não seja forte demais, porque talvez eu não agüente ver a realidade, não agüente viver com a tragédia de quem sou.
    Não quero ver todos ao meu redor morrerem decepcionados comigo ou com eles mesmos por pensarem que o que fizeram por mim não foi o suficiente para me ver feliz, sem saber o quanto eu os amo e que minha vida depende da vida deles. Que Deus não me desampare nessa batalha tão amarga que estou passando e que isso só seja uma das várias fases que eu ainda vou viver... Não quero mais desprezar e sentir pena da pessoa que vejo no espelho. Quero ser gentil, amável, calma, otimista, quero sorrir para os meus conhecidos e desconhecidos também e obter finalmente a minha tão desejada simplicidade e humildade, para depois poder sentir e dizer com toda a minha sinceridade que agora EU SOU FELIZ!
Isa Pais
Enviado por Isa Pais em 24/03/2010
Código do texto: T2157007
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Sobre a autora
Isa Pais
Pilar do Sul - São Paulo - Brasil
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