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Lupicínio Rodrigues

Lupicínio Rodrigues nasceu em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, em 16 de Setembro de 1914, na Travessa Batista nº 97, na Ilhota, bairro pobre da Cidade Baixa. Chovia muito e, com a inundação, a parteira teve de ir atender D. Abigail de barco. Foi o quarto, e primeiro homem, de 21 filhos, de uma família extremamente musical. Seu pai, Francisco Rodrigues (seu Chico), era porteiro da escola de Comércio. Por coincidência, faleceria em outro dia chuvoso, em 27de Agosto de 1974, na mesma cidade de sua eterna ternura, Porto Alegre.

Com 6 anos de idade, seria matriculado na Escola Complementar, estudando a seguir nas escolas Ganzo e Dom Sebastião. Era um aluno de atenção muito distraída para a música e para o futebol. Torcedor do Grêmio, comporia o hino do tricolor, em 1953: "Até a pé nós iremos para que der e vier/Mas o certo é que nós estaremos/com o Grêmio onde o Grêmio estiver". Seu retrato está na Galeria dos Gremistas Imortais, no salão nobre do clube.

Depois do primário, faz o curso de mecânica na Escola Técnica Parobé, sendo admitido como aprendiz na companhia de bondes e, depois como menino de recados na fábrica Micheletto. Em 1928, com 14 anos, compõe a marchinha Carnaval para o Cordão Prediletos. Na esperança de afastá-lo de uma vida boêmia que precocemente já adota - bebida, mulheres e música - seu Chico o obriga a se alistar "voluntariamente" no Exército, com 16 anos incompletos. De fato entraria na linha, mas quando marchava com seus camaradas de farda.

Quando é transferido, em 1933, para Santa Maria, interior rio-grandense, conhece sua musa inspiradora, Inah, uma paixão que deixaria em seu coração cicatrizes pelo resto da vida, uma dor de cotovelo que definiria como "federal". Para ela ou por causa dela, compôe Felicidade, Zé Ponte e Nervos de Aço, esta em 1938, já na volta para Porto Alegre, onde o noivado teria fim.

Vem conhecer, em 1932, ainda em Porto Alegre, Noel Rosa, que fazia uma excursão pelo Sul com Francisco Alves e Mário Reis. Depois de ouvir-lhe algumas músicas, Noel Rosa não hesita em dar sua opinião sobre aquele rapaz de apenas 17 anos. Profetiza: "Este garoto é bom! Este garoto vai longe!"

Mais ou menos nessa ocasião, chegava ao 7º Batalhão de Caçadores, unidade de elite, onde Lupicínio estava engajado, um catarinense de boa voz, Nuno Roland. Lupicínio, que tinha em Mário Reis seu espelho de cantor, e era o "crooner" do Jazz do batalhão, com alívio passa a missão ao novo soldado, imediatamente seu amigo nas madrugadas. Quando estoura a Revolução Paulista de 1932, o 7º B.C. é mandado para São Paulo, onde desembarca com Lupicínio e Nuno. Durante a longa viagem de trem, foram eles disparando muitos sambas. Nuno faria brilhante carreira no rádio e no disco.

Deixa a caserna em 1935. Nesse ano, em parceria com Alvides Gonçalves, compõe e inscreve Triste História no concurso que se realizava em Porto Alegre, dentro das comemorações do Centenário da Revolução Farroupilha. Conquistam o primeiro prêmio de 2 contos de réis.

Mesmo já tenho inúmeras músicas prontas, Lupicínio não se empenhava em divulgá-las, só realizando sua primeira gravação em 1936, e sem que precisasse sair de Porto Alegre, porque Alcides viaja para o Rio de Janeiro e, na R.C.A. Victor, grava dois sambas de ambos: Pergunta a Meus Tamancos e o Triste História. Só depois de dois anos, em 1938, estabelece uma ponte com Felisberto Martins, compositor, pianista e funcionário de gravadora no Rio, que ainda não conhecia pessoalmente, para que se encarregasse da divulgação de suas músicas em troca de parceria. Foi bom para os dois.

De 1935 a 1947, por interferência do pai, trabalha como bedel da Faculdade de Direito. De Porto Alegre nunca se afastaria, a não ser por uns meses em 1939, mais para conhecer o ambiente musical carioca. Porto Alegre era seu berço querido e todo o seu universo. Mesmo assim pôde ser cumprida a predição de Noel: "foi longe". Suas músicas, "qual ponta-de-lança", foram bater em todos os pontos do Brasil e até no exterior. Era procurado por cantores em busca de sucesso e de Porto Alegre fez a Capital do Samba Canção.

A imagem do boêmio teve o contraponto do proprietário, que foi, de diversos bares, churrascarias e restaurantes com música, que seguidamente ia abrindo e fechando, como o Jardim da Saudade, o Clube dos Cozinheiros e, o mais célebre de todos, o Batelão, que elevou a ponto turístico da cidade. Tudo apenas para ter, antes do lucro, um local para encontro com os amigos. Gabava-se de ser mais cozinheiro que compositor, especializado no trivial caprichado.

Exerceria, por muitos anos, o corgo de procurador do SDDA (Serviço de Defesa do Direito Autoral) e de representante da SBACEM (Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Músicas). Alma boa e caridosa, manteve, em propriedade sua, um abrigo para desprotegidos da sorte, nenhum alarde fazendo.

Sua rotina dividia-se entre a boemia e o lar, onde primava em ser um perfeito chefe de família. No seu casamento com D. Cerenita, apesar dessa inusitada combinação, reinava o amor. Seu samba Exemplo, é de um profundo afeto: "Quando eu chego cansado/teus braços estão me esperando..."

Deixou cerca de uma centena e meia de canções editadas. Outras centenas compôs que foram perdidas, esquecidas ou estão à espera de quem as resgate. Um despreocupado comercial que nada fazia por encomenda. Suas músicas nasciam de fatos reais, observados ou vivenciados. "Cada uma que me faz uma sujeira, me deixa inspiração para compor algo. Meu primeiro automóvel foi comprado com o dinheiro de um samba, feito para uma mulher... Minha casa foi adquirida com o dinheiro de um samba que fiz para outra, também por causa de uma traição..."

"Temperamento calmo, pessoa modesta, meio desligado, passo lento, voz macia, ombro caindo para a direita, sem a barbicha que o caracterizava, Lupicínio parece não ver o tempo passar. Ele, sim, vai passando pelo tempo, indiferente, olhando a vida à sua moda..."

Mas o tempo implacável cedo o veio buscar do convívio familiar, dos amigos e admiradores, ficando porém sua obra como um legado para os que sentem que, apesar dos riscos, vale a pena amar demais, venham as dores de cotovelo que vierem. Enquanto houver paixão, Lupicínio viverá e será amado.

Alguns Trexos"

"Entra, meu amor, fica à vontade
E diz com sinceridade
O que desejas de mim...."

"... Entra, pode entrar, a casa é tua
Já te cansaste de viver na rua
E os teus sonhos chegaram ao fim

Eu sofri demais, quando partiste
Passei tantas horas triste
Nem quero lembrar esse dia

Mas de uma coisa podes ter certeza
O teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia ..."


"... Tu és a filha pródiga que volta
Procurando em minha porta
O que o mundo não te deu

E faz de conta que sou teu paizinho
Que tanto tempo aqui ficou sozinho
A esperar por um carinho teu

Voltaste, estás bem, estou contente
Só me encontraste muito diferente
Vou te falar de todo o coração

Não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar, podes ocupar meu teto
Pra te alimentar, podes comer meu pão"


" Quantas noites não durmo
A rolar-me na cama
A sentir tanta coisa
Que a gente não sabe explicar quando ama

O calor das cobertas
Não me aquece direito
Não há nada no mundo
Que possa afastar esse frio do meu peito..."


" ... Volta
Vem viver outra vez ao meu lado
Não consigo dormir sem teu braço
Pois meu corpo está acostumado"


" Você sabe o que é ter um amor,
Meu senhor?
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar esse amor,
Meu senhor,
Nos braços de um tipo qualquer?

Você sabe o que é ter um amor,
Meu senhor,
E por ele quase morrer
E depois encontrá-lo em um braço
Que nem um pedaço do meu pode ser?


" Eu gostei tanto
Tanto quando me contaram
Que lhe encontraram
Chorando e bebendo
Na mesa de um bar
E que quando os amigos do peito
Por mim perguntaram
Um soluço cortou sua voz
Não lhe deixou falar

Ai, mas eu gostei tanto
Tanto quando me contaram
Que tive mesmo que fazer esforço
Pra ninguém notar

O remorso
Talvez seja a causa do seu desespero
Você deve estar bem consciente do que praticou
Me fazer passar essa vergonha com um companheiro
E a vergonha é a herança maior que meu pai me deixou

Mas enquanto houver força em meu peito
eu não quero mais nada
Só vingança, vingança, vingança aos santos clamar ..."


" ... Você há de rolar como as pedras que rolam na estrada
Sem ter nunca um cantinho de seu pra poder descansar".



" Entra, meu amor, fica à vontade
E diz com sinceridade
O que desejas de mim

Entra, pode entrar, a casa é tua
Já te cansaste de viver na rua
E os teus sonhos chegaram ao fim

Eu sofri demais, quando partiste
Passei tantas horas triste
Nem quero lembrar esse dia

Mas de uma coisa podes ter certeza
O teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia

Tu és a filha pródiga que volta
Procurando em minha porta
O que o mundo não te deu

E faz de conta que sou teu paizinho
Que tanto tempo aqui ficou sozinho
A esperar por um carinho teu

Voltaste, estás bem, estou contente
Só me encontraste muito diferente
Vou te falar de todo o coração

Não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar, podes ocupar meu teto
Pra te alimentar, podes comer meu pão"


Lupicínio Rodrigues letras de músicas.

Lupicínio Rodrigues - Aves Daninhas
Lupicínio Rodrigues - Aves Daninhass
Lupicínio Rodrigues - Brasa
Lupicínio Rodrigues - Cadeira Vazia
Lupicínio Rodrigues - Cadeira Vazia(cifrada)
Lupicínio Rodrigues - Cevando o amargo
Lupicínio Rodrigues - Dona do Bar
Lupicínio Rodrigues - Ela Disse-me Assim
Lupicínio Rodrigues - Esses Moços
Lupicínio Rodrigues - Exemplo
Lupicínio Rodrigues - Felicidade
Lupicínio Rodrigues - Foi Assim
Lupicínio Rodrigues - Hino Do Grêmio
Lupicínio Rodrigues - Judiaria
Lupicínio Rodrigues - Loucura
Lupicínio Rodrigues - Maria Rosa
Lupicínio Rodrigues - Minha História
Lupicínio Rodrigues - Nervos de Aço
Lupicínio Rodrigues - Nunca
Lupicínio Rodrigues - Quem há de dizer
Lupicínio Rodrigues - Se acaso você chegasse
Lupicínio Rodrigues - Se É Verdade
Lupicínio Rodrigues - Torre de Babel
Lupicínio Rodrigues - Um Favor
Lupicínio Rodrigues - Vingança
Lupicínio Rodrigues - Volta

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Milton Nunes Fillho
Enviado por Milton Nunes Fillho em 17/08/2006
Reeditado em 17/08/2006
Código do texto: T218814
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Sobre o autor
Milton Nunes Fillho
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 55 anos
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Milton Nunes Fillho