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Olavo Bilac (Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, 1865-1918)

OLAVO BILAC (1865-1918)

Olavo Bilac (Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac), jornalista, poeta, inspetor de ensino, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 16 de dezembro de 1865, e faleceu, na mesma cidade, em 28 de dezembro de 1918. Ao lado de Machado de Assis, lutou com obsessão pela criação da Academia Brasileira de Letras e, como membro fundador, ocupou a Cadeira nº15 cujo Patrono é o poeta Gonçalves Dias.

Eram seus pais o cirurgião do Exército Braz Martins dos Guimarães Bilac e d. Delfina Belmira dos Guimarães Bilac. Quando Bilac nasceu seu pai estava na Guerra do Paraguai, só retomando em 1870, quando o filho já estava com 5 anos. Foi estudante de medicina até o quinto ano, tendo ingressado na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro com apenas quinze anos, através de autorização especial, partindo em seguida para São Paulo a fim de estudar Direito, que também não concluiu. Como o fascínio pelas letras foi mais forte, Bilac abandonou os estudos para seguir a carreira literária e jornalística. Por essa razão, teve de romper com o pai que desejava vê-lo formado médico, conduzindo-o para um futuro estável.

Como homem de letras, começou colaborando com alguns jornais do Rio: Gazeta Acadêmica (primeiros versos), Gazeta de Noticias (primeiro soneto, onde substituiu Machado de Assis, trabalhando ali durante anos.) e Diário de Noticias. Em São Paulo, colaborou no Diário Mercantil e na Vida Semanária. Nessa época, começou a conviver com José do Patrocínio, Raimundo Corrêa, Luis Murat, Alberto de Oliveira, Pardal Mallet e outros. Com Raimundo Corrêa e Alberto de Oliveira constituiu a "Trindade Parnasiana", sendo portanto seu maior representante. Bilac, além de poeta, foi jornalista, freqüentador das rodas boêmias, conferencista, tradutor, patriota e defensor do serviço militar obrigatório. É o autor da letra do Hino à Bandeira.

Quem há de não se lembrar destes versos?
   Salve, lindo pendão da esperança!
   Salve, símbolo augusto da paz!
   Tua nobre presença à lembrança
   A grandeza da Pátria nos traz.
do Hino da Bandeira Nacional, composto também por Bilac.

Em 1888, ano da Abolição, escreveu seu primeiro livro Poesias. Tinha, apenas, 23 anos. Desde então, como afirma Ivan Teixeira – crítico literário -, "a poesia brasileira não seria mais a mesma". O volume, composto por "Panóplias", "Via-Láctea" e "Sarças de Fogo", consolidou o movimento parnasiano no Brasil.

Em 1889, fez a primeira viagem á Europa, como correspondente do jornal Cidade do Rio. Na França, conviveu com Eça de Queiróz e muitos outros. Depois disso, viajou inúmeras vezes ao exterior. inclusive representando o Brasil na lV Conferência Pan-Americana, realizada em Buenos Aires, com grande brilhantismo. Já havia participado da conferência anterior, realizada no Rio, acompanhando o presidente Campos Sales.

Bilac compôs uma obra fortemente influenciada pelo parnasianismo francês, que pregava "o virtuosismo formal (que é a escolha eficaz do vocábulo), a arte pela arte, a técnica perfeita e a rima rara". Sua maior inspiração foi em Théophile Gautier, que na concepção de Baudelaire era um poeta impecável. Nota-se, contudo, que Bilac esteve muito próximo do Simbolismo - movimento literário contemporâneo ao Parnasianismo -, como revelam seus versos finais no volume Tarde.

Mesmo priorizando a forma e o estilo, Bilac fez uma poesia sincera, nunca omitindo a grandeza de seus sentimentos. Talvez, essa seja a razão pela qual o poeta foi idolatrado por uma verdadeira multidão de admiradores.

Fazendo jornalismo político nos começos da República, foi um dos perseguidos por Floriano Peixoto. Teve que se esconder em Minas Gerais, quando freqüentou a casa de Afonso Arinos em Ouro Preto. No regresso ao Rio, foi preso. Em 1891, foi nomeado oficial da Secretaria do Interior do Estado do Rio. Em 1898, inspetor escolar do Distrito Federal, cargo em que se aposentou, pouco antes de falecer. Foi também delegado em conferências diplomáticas e, em 1907, secretário do prefeito do Distrito Federal. Em 1916, fundou a Liga de Defesa Nacional.

Em 1907, Bilac foi eleito "Príncipe dos Poetas Brasileiros", em concurso promovido pela revista Fon-Fon. Na ocasião, o poeta encontrava-se na Europa. O concurso contou com a participação de um colégio eleitoral composto por 124 grandes nomes da nossa literatura, todos escritores. Os votos foram nominais e, dos 124 votantes, 20 se abstiveram e trinta e nove votaram em Bilac, entre os quais, grandes nomes, como: Lima Barreto, Gilberto Amado, Alberto de Oliveira, João do Rio, Marcelo Gama, Hermes Fontes, Bastos Tigre, Fábio Luz e o jovem poeta moderno Manuel Bandeira. As comemorações ao titulo foram muito interessantes: ao retomar da Europa, Bilac foi recebido no cais por Rui Barbosa, então presidente da Academia Brasileira de Letras. Os que nele não votaram também o prestigiaram, como: Lindolfo Collor, Alcides Maya, Ricardo Gonçalves, entre outros. Emílio de Menezes, que obteve apenas cinco votos, declarou ser Bilac, muito mais do que príncipe, "rei na prosa e imperador no verso".

Bilac foi convidado pelo Capitão Gregório da Fonseca, secretário do Ministério da Guerra, para empreender uma campanha em defesa do serviço militar obrigatório. A lei, embora tivesse sido aprovada em 1907, na ausência de Rui Barbosa que era seu maior contestador, não tinha sido executada ainda. O governo precisava então de alguém com a popularidade e o prestigio de Olavo Bilac para liderar uma campanha, convencendo a mocidade ao cumprimento do dever à Pátria. A principio, Bilac hesitou, mas acabou aceitando e entregando-se com vigor à essa empreitada. Sabia que seria duramente criticado, o que de fato ocorreu. Mesmo acusado de "vendido" e "assalariado", Bilac lutou com grande entusiasmo, não apenas por cumprir um compromisso assumido, mas por acreditar ser essa a única maneira de tomar o Brasil um país alfabetizado. Hoje, Bilac é o Patrono do Serviço Militar Brasileiro e no dia 16 de dezembro - data de seu nascimento - comemora-se o Dia do Reservista.

Bilac foi funcionário público, atuando na Secretaria do Governo do Estado do Rio de Janeiro e, mais tarde, nomeado Inspetor Escolar do Distrito Federal.

Por duas vezes esteve preso na Fortaleza de Lajes, devido á oposição feita ao governo de Floriano Peixoto, utilizando-se da sátira como recurso, através da poesia e do jornalismo. Nessa época, foi fundado o órgão antiflorianista O Combate, do qual Bilac fez pane. Preso pela segunda vez, Bilac exilou-se em Minas Gerais, que não estava sob estado de sítio, e aguardou que a situação política se acalmasse no Rio e em São Paulo, para voltar.

Sua obra poética enquadra-se no Parnasianismo, que teve na década de 1880 a fase mais fecunda. Embora não tenha sido o primeiro a caracterizar o movimento parnasiano, pois só em 1888 publicou Poesias, Olavo Bilac tornou-se o mais típico dos parnasianos brasileiros, ao lado de Alberto de Oliveira e Raimundo Correia.

Fundindo o Parnasianismo francês e a tradição lusitana, Olavo Bilac deu preferência às formas fixas do lirismo, especialmente ao soneto. Nas duas primeiras décadas do século XX, seus sonetos de chave de ouro eram decorados e declamados em toda parte, nos saraus e salões literários comuns na época. Nas Poesias encontram-se os famosos sonetos de "Via-Láctea" e a "Profissão de Fé", na qual codificou o seu credo estético, que se distingue pelo culto do estilo, pela pureza da forma e da linguagem e pela simplicidade como resultado do lavor.

Ao lado do poeta lírico, há nele um poeta de tonalidade épica, de que é expressão o poema "O caçador de esmeraldas", celebrando os feitos, a desilusão e morte do bandeirante Fernão Dias Pais. Bilac foi, no seu tempo, um dos poetas brasileiros mais populares e mais lidos do país, tendo sido eleito o "Príncipe dos Poetas Brasileiros", no concurso que a revista Fon-fon lançou em 1o de março de 1913. Alguns anos mais tarde, os poetas parnasianos seriam o principal alvo do Modernismo. Apesar da reação modernista contra a sua poesia, Olavo Bilac tem lugar de destaque na literatura brasileira, como dos mais típicos e perfeitos dentro do Parnasianismo brasileiro. Foi notável conferencista, numa época de moda das conferências no Rio de Janeiro, e produziu também contos, crônicas e obras didáticas.

Obras: Poesias (1888); Crônicas e novelas (1894); Crítica e fantasia (1904); Conferências literárias (1906); Dicionário de rimas (1913); Tratado de versificação (1910); Ironia e piedade, crônicas (1916); Tarde (1919); Poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957).

Olavo Bilac, além de poeta parnasiano, cronista, contista, conferencista e autor de livros didáticos, deixou também na imprensa do tempo do Império e dos primeiros anos da República vasta colaboração humorística e satírica, assinada com os mais variados pseudônimos, entre os quais os de Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., assinando, em outras vezes, o seu próprio nome. No seu principal livro, "Poesias", incluiu Bilac alguns sonetos satíricos , sob o título de "Os Monstros". Escreveu livros em colaboração com Coelho Neto, Manuel Bonfim e Guimarães Passos, sendo que, com este último, o volume intitulado "Pimentões", de versos humorísticos.

Ninguém foi mais célebre e popular do que Bilac na poesia, por um período tão longo: três décadas. Além de conhecido pela sua obra em verso, foi também um grande prosador. Bilac tinha o dom de convencer seus leitores.

 Sua obra ainda não está totalmente reunida. Existem muitas publicações dispersas, feitas através dos jornais. Publicou ainda muitos trabalhos utilizando pseudônimos, como: Bob, Vítor Leal, Otávio Bivar, X.Y.Z., B. e muitos outros.

 Na sua poesia, predominou o soneto, composição de dois quartetos e dois tercetos, utilizando-se, na maioria das vezes, de versos decassílabos. Foi magistral ao utilizar-se da língua, tanto no verso como na prosa.

Falou de sensualidade e erotismo com uma classe inigualável. Com ironia, protestou contra a difícil situação econômica dos membros da "Academia Brasileira de Letras", dizendo:
Sem pão, sem lar, sem conforto,
O acadêmico, afinal,
Não tem onde cair morto...
Por isso é que é imortal...

Bilac nunca se casou. Foi noivo de Amélia de Oliveira, irmã do parnasiano Alberto de Oliveira. Desfizeram o compromisso por oposição de um outro irmão da noiva, que não acreditava no futuro de um poeta.

Mais tarde, foi noivo da filha de um violinista. Noivado que também não levou adiante. Talvez, por isso, muitos comentários surgiram sobre sua vida pessoal. Mas, consta que Bilac e Amélia se mantiveram apaixonados por toda a vida e que, na morte do poeta, em 1918, ela o amparou nos braços, colocando sob sua cabeça um travesseiro recheado de mechas do seu cabelo.

Para finalizar, não poderia deixar de falar sobre o soneto mais declamado e citado pela critica, que faz pane do poema "Via Láctea", composto por 35 sonetos. E para falar sobre esse soneto, nenhum texto é melhor do que o artigo publicado na revista Ocidente, de Lisboa, em 1904:
Esteve há pouco entre nós este grande poeta brasileiro, um dos mais notáveis dos tempos modernos, um dos que melhor têm sabido vibrar, artista inspiradíssimo, metrificador como raros, as cordas da lira portuguesa.
Neste jornal o saudamos quando da sua rápida visita a Lisboa. Glória do Brasil, glória das letras portuguesas, é Olavo Bilac uma glória nossa. Renovamos-lhe aqui o aplauso, e do seu livro de poesias, do capital o que se não encontrará facilmente rival e que tem o luminoso título "Via Láctea", todo ele formado de esplêndidos sonetos, um arrancamos, jóia preciosíssima, merecedora de andar na memória de quantos prezam a alta poesia. Não tem título no livro este soneto,- poderíamos aqui chamar-lhe 'O Dedo do Gigante':

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso.' " E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: - Tresloucado amigo.'
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo? "
E eu vos direi.- "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
CRONOLOGIA

NASCIMENTO/MORTE
1865 - Rio de Janeiro RJ - 16  de dezembro
1918 - Rio de Janeiro RJ - 18 de dezembro

LOCAIS DE VIDA/VIAGENS
1865/1887 - Rio de Janeiro RJ
1887/1888 - São Paulo SP
1888/1890 - Rio de Janeiro RJ
1890/1891 - Europa
1892 - Rio de Janeiro RJ
1892/1894 - Ouro Preto e Juiz de Fora MG
1894/1918 - Rio de Janeiro RJ
1902 - Buenos Aires (Argentina)
1904 - Lisboa (Portugal), Paris (França), Lucerna (Suíça), Florença (Itália) - Viagem
1911 - Paris (França), Turim (Itália), Nova York (Estados Unidos) - Viagem
1915/1917 - São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul - Campanha da Liga de Defesa Nacional

VIDA FAMILIAR
Filiação: Brás Martins dos Guimarães Bilac, cirurgião do exército servindo no Paraguai, e Delfina de Paula dos Guimarães Bilac
Irmãos: Cora, Gastão e Ida Angélica
1886 - Rio de Janeiro RJ - Desentendimento com a família pelo abandono do curso de Medicina
1887/1888 - Rio de Janeiro RJ - Noivado com Amélia de Oliveira, irmã do poeta Alberto de Oliveira
1891 - Rio de Janeiro RJ - Morte do pai
1909 - Rio de Janeiro RJ - Morte da mãe

FORMAÇÃO
1880 - Rio de Janeiro RJ - Autorização especial para matricular-se, aos 15 anos, na Faculdade de Medicina
1881/1886 - Rio de Janeiro RJ - Curso de Medicina (não concluído)
1887/1888 - São Paulo SP - Curso de Direito, como ouvinte (não concluído)

CONTATOS/INFLUÊNCIAS
Influência da poesia de Banville, Leconte de Lisle, Théophile Gautier
Co-autorias: Alberto de Oliveira, Coelho Neto, Guimarães Passos, Magalhães de Azeredo, Manuel Bonfim, Pedro Tavares Júnior
1882 - Rio de Janeiro RJ - Início da amizade com Alberto de Oliveira, na Faculdade de Medicina
1884 - Niterói RJ - Convivência com Aluísio Azevedo, Artur Azevedo, Guimarães Passos, Raimundo Correia e Raul Pompéia, na casa de Alberto de Oliveira
1886 - Rio de Janeiro RJ - Primeiros contatos com Machado de Assis
1888/1890 - Rio de Janeiro RJ - Residência com Coelho Neto
1890/1891 - Paris (França) - Convivência com Eduardo Prado e Eça de Queirós
1892/1894 - Ouro Preto MG - Convivência com Afonso Arinos, Magalhães de Azeredo e Raimundo Correia

ATIVIDADES LITERÁRIAS/CULTURAIS
1884 - Rio de Janeiro RJ - Publicação do soneto Nero (A Sesta de Nero, em Poesias) na Gazeta de Notícias
1887/1888 - São Paulo SP - Colaborador do jornal Diário Mercantil
1888/1893 - Rio de Janeiro - RJ - Colaborador de A Cidade do Rio
1888/1918 - Rio de Janeiro RJ - Publicação de crônicas, conferências literárias, discursos, guia turístico, livros didáticos, romances- folhetim e tratado de versificação
1890 - Lisboa (Portugal), Paris (França), Londres (Inglaterra) - Correspondente do jornal Cidade do Rio
1890/1918 - Rio de Janeiro RJ - Colaborador de A Bruxa, Careta (vários dos sonetos que integram Tarde foram aí publicados, a partir de 1913, ilustrados por J. Carlos), Cidade do Rio, A Cigarra (crônicas sob o pseudônimo de Fantásio e crítica teatral sob o pseudônimo de Puck), Gazeta de Notícias (onde substituiu Machado de Assis), A Semana, O Combate, A Notícia, Correio Paulistano e Kosmos
1896 - Rio de Janeiro RJ - Membro-fundador da Academia Brasileira de Letras, cadeira no. 15, patrono Gonçalves Dias
1900 - Rio de Janeiro RJ - Promotor de subscrição para o monumento a Gonçalves Dias, por ocasião do cinquentenário da publicação dos Últimos Cantos
1901 - Rio de Janeiro RJ - Conferência na Academia Brasileira de Letras na inauguração do busto de Gonçalves Dias, de autoria de Rodolfo Bernardelli
1905 - São Paulo SP - Conferência Esperança, no Salão Steinway
1905 - Rio de Janeiro RJ - Conferências A Tristeza dos Poetas Brasileiros, O Riso e O Diabo, no Instituto Nacional de Música, Dom Quixote, no Real Gabinete Português de Leitura, publicadas no livro Conferências Literárias, no ano seguinte
1905/1917 - Rio de Janeiro RJ - Conferências e discursos sobre Alberto de Oliveira, Camões, Machado de Assis e Shakespeare
1916 - Belo Horizonte MG - Discurso sobre Afonso Arinos
1917 - São Paulo SP - Conferência sobre Bocage no Teatro Municipal; discurso a Alfredo Pujol

ATIVIDADES SOCIOPOLÍTICAS
1892 - Rio de Janeiro RJ - Publicações antiflorianistas no jornal O Combate
1892 - Rio de Janeiro RJ - Prisão (Quartel Barbonos, Arsenal da Guerra, a bordo do Aquidabã e Fortaleza da Lage - as "quatro prisões" mencionadas no soneto Em Custódia)
1892/1894 - Ouro Preto e Juiz de Fora MG - Exílio durante o estado de sítio decretado por Floriano Peixoto
1894 - Rio de Janeiro RJ - Prisão ao voltar de Juiz de Fora MG; solto por esforços de Coelho Neto
1902 - Buenos Aires (Argentina) - Comitiva do presidente Campos Sales
1915/1917 - Campanha cívica nacional pelo serviço militar obrigatório e pela instrução primária
1916 - Rio de Janeiro RJ - Participação na fundação da Liga de Defesa Nacional

OUTRAS ATIVIDADES
1891 - Rio de Janeiro RJ - Oficial da Secretaria do Interior
1899 - Rio de Janeiro RJ - Inspetor escolar
1906 - Rio de Janeiro RJ - Secretário na III Conferência Pan-Americana
1907 - Rio de Janeiro RJ - Secretário do prefeito Sousa Aguiar
1910 - Buenos Aires (Argentina) - Delegado brasileiro na IV Conferência Pan-Americana

HOMENAGENS/TÍTULOS/PRÊMIOS
1907 - Rio de Janeiro RJ - Eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros, por concurso da revista Fon-Fon
1917 - São Paulo SP - Inauguração de medalhão gravado pelo escultor Pasquale Fosca, na sede do diretório regional da Liga de Defesa Nacional, por iniciativa do jornal O Estado de S. Paulo

HOMENAGENS PÓSTUMAS
1919 - São Paulo SP - Nome de rua na Vila Sofia
1920 - São Paulo SP - Inauguração do Monumento a Olavo Bilac, na Av. Paulista, do qual fazia parte a estátua O Idílio (ou Beijo Eterno), de William Zadig (localizada atualmente no Largo São Francisco), por iniciativa do Centro Acadêmico XI de Agosto
1939 - Rio de Janeiro RJ - Instituição do Dia do Reservista - 16 de dezembro, data de nascimento do poeta - por decreto-lei do presidente Getúlio Vargas
1939 - São Paulo SP - Inauguração de placa comemorativa com a efígie do poeta na Faculdade de Direito de São Paulo
1979 - São Paulo SP - Nome de Escola Municipal de Educação Infantil, no Jardim Itaberaba (bairro Freguesia do Ó)

MOVIMENTOS LITERÁRIOS
1880/1922 – Parnasianismo

GÊNEROS
Poesia Infantil
Crônica

 LEITURAS CRÍTICAS
Andrade, Mário de [1921]. Mestres do passado - V: Olavo Bilac. In: Brito, Mário da Silva. História do modernismo brasileiro: I-antecedentes da Semana de Arte Moderna. 2.ed. rev. p.286.
Lajolo, Marisa, apres. [1985]. In: Bilac, Olavo. Os melhores poemas. p.9-10.
Bandeira, Manuel [1946]. Apresentação da poesia brasileira: seguida de uma antologia de poetas brasileiros. p.104.
Dimas, Antonio. [1996]. Introdução. In: BILAC, Olavo. Vossa insolência: crônicas. p. 9-19.
Hansen, João Adolfo. [1997]. Bilac crônico. Jornal da Tarde, São Paulo, 18 jan. 1997, p. 8.
Bueno, Alexei. [1996]. Senso comum prejudica crônica e poesia bilaquiana. O Estado de S. Paulo, São Paulo,  21 dez. 1996,  Cultura, p. D-11.

Olavo Bilac deixou vasta obra em prosa, hoje pouco lida, muito embora alguns inéditos tenham sido publicados recentemente. Em vida, editou volumes de contos, crônicas, crítica literária, conferências e textos didáticos.
Olavo Bilac estreou com Poesias (1888), volume que incluía três coletâneas: Panóplias, Via-Láctea e Sarças de fogo. E mostrava logo sua adesão à escola parnasiana, pois justo As panóplias que abrem com o conhecidíssimo 'Profissão de fé'1, trazem seus versos mais rigorosamente parnasianos, com todos os vícios e qualidades típicos: o rigor formal elevado à categoria de conditio sine qua non da poesia, a objetividade no tratamento dos temas, a busca do assunto em fatos históricos, lendários (mitologia greco-latina), bíblicos, etc., a que Bilac acrescenta dados muito próprios: a sensualidade e a emoção.2 Porém nos 35 sonetos sem título da Via-Láctea já se observa o culto do subjetivismo, um tanto influenciado pelo romantismo que já acabara3. Alguns desses sonetos estão entre os melhores que escreveu, tendo um deles o que principia: “Ora (direis) ouvir estrelas...” alcançado uma popularidade que se mantém até hoje. Em Sarças de fogo, Bilac busca o enriquecimento da métrica e alarga o horizonte de suas formas fixas, utilizando dois gêneros importados: o rondel, de proveniência francesa, em 'Marinha' (“Sobre as ondas oscila o batel docemente...”), e o pantum, de origem malaia, no poema desse título (“Quando passaste ao declinar do dia”).

A 2ª edição de Poesias (1902) é acrescida das coletâneas Alma inquieta, As viagens (a que se incorpora o poema 'Sagres', de publicação avulsa em 1898) e o poemeto épico O caçador de esmeraldas. De certo modo, Alma inquieta continua a linha sensual e realista da poesia bilaqueana, mas aí já aparece a linha contemplativa, os poemas que se debruçam sobre os temas da vida gasta, da velhice e da saudade, com um fundo levemente metafísico, provocado talvez pelo declínio da atividade criadora. Contudo, As viagens e O caçador de esmeraldas continuam a dar conta do estro do poeta; em As viagens, Bilac vai exalçando, numa série de poemas independentes (quase sempre sonetos), as diversas viagens com que o homem (desde as migrações pré-históricas) foi descobrindo e/ou conquistando novas terras. Entre esses poemas, destacam-se precisamente os últimos, os que não são sonetos: 'A missão de Purna' e 'Sagres', principalmente pela variedade rítmico-melódica.

Já em O caçador de esmeraldas Bilac intenta, com relativo êxito, o poemeto épico, tendo como assunto a expedição do bandeirante Fernão Dias Paes Leme (1608?-1681) o sobrenome Leme terá sido posteriormente acrescentado ao do bandeirante, que de fato era apenas Fernão Dias Paes. Sem ser na verdade uma epopéia, o poema de Bilac será, provavelmente, o mais atrevido em termos de variação estilística e metrificação de alexandrinos; com ele, Bilac reafirmou, mais uma vez, seus dotes de poeta de grande habilidade artística e formal, embora nem tudo no poema sobreviva. No entanto, as estrofes que ainda hoje se lêem com agrado são de altíssima poesia, principalmente nas duas últimas partes do poema, a partir do momento em que se descreve a agonia do bandeirante (“Fernão Dias Paes Leme agoniza. Um lamento / Chora longo, a rolar na longa voz do vento.”).

Tarde é uma coletânea de publicação póstuma (1919). Vemos então Bilac às voltas com o sentimento de frustração da vida, a aproximação da morte, mostrando-se preocupado com o sentido da existência. Com isso, amplia-se a gama de seus temas e sua poesia adquire maior carga filosófica e até metafísica. A maturidade de expressão do poeta se casa à maturidade da vida, e Bilac realiza então algumas páginas notáveis: sonetos como 'Língua Portuguesa', 'Dualismo', 'Benedicite!', 'Sperate, creperi!', a tetralogia de 'Édipo', 'A um poeta', 'Fogo-fátuo'. Os poemas, como os do ciclo sobre criaturas do folclore indígena e outros, que encarecem aspectos da nossa paisagem e fenômenos atmosféricos, exibem um poeta não apenas senhor de vastíssimos recursos de linguagem, estilo, ritmo e técnica do verso, mas também aberto a novas conquistas de expressão poética. Diz-se até que o soneto 'Diamante negro' teria sido inspirado em Cruz e Sousa, o que explicaria algumas tinturas simbolistas que o mesmo apresenta.
 
Bilac sempre se interessou pela educação das crianças. Desse interesse resultaram as Poesias infantis (1904), coletânea feita expressamente com a intenção de contribuir para a educação dos jovens. A linguagem é simples, sem ser simplória, o metro em geral é a redondilha maior, e os poemas, vistos em conjunto, denotam o espírito moralizante que os fundamentou. Mesmo neles, o poeta não abre mão do rigor formal. Aliás, alguns poemas não desmerecem sua poesia escrita para os “adultos”. A meu ver, destacam-se, principalmente, os da série 'Os meses' e 'A mocidade'; por outro lado, dois outros são dignos de menção especial: 'As velhas árvores', repetição, com variantes, do soneto 'Velhas árvores', de Alma inquieta, e os versos do 'Hino à bandeira nacional', musicado pelo compositor e maestro Francisco Braga (1905).

Notas.

1. Embora a 'Profissão de fé' seja tida geralmente como a pregação de minucioso trabalho formal, um trabalho delicado de ourives, e um culto do estilo, todavia não é alicerçada em nenhum programa propriamente parnasiano, mostrando apenas a preocupação formal no trabalho dos versos. Aliás, Bilac levou essa preocupação até o fim, defendendo sempre a correção da língua e do verso, como podemos ver no soneto 'A um poeta' (de Tarde), onde reafirma que a beleza (e o valor) do poema está, sobretudo, na simplicidade da Arte.

2. A propósito, afirma Ivan Junqueira, em seu ensaio 'Bilac: versemaker' (in Olavo Bilac: Obra reunida, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996, p. 59), que, de um modo geral, “nossos parnasianos, ao contrário de seus modelos franceses, não amordaçaram a emoção, ...”. Isto significa que praticamente não há, no nosso parnasianismo, aquela atitude exclusivamente objetiva, impassível, que se nota no parnasianismo francês, o que, até certo ponto, salva do tédio e torna ainda bem legíveis os poetas brasileiros dessa escola.

3. Sendo bastante popular entre nós, o romantismo teve longa sobrevida. Podemos enxergar, no lirismo de Bilac, traços da influência de alguns românticos, sobretudo Álvares de Azevedo (1831-1852). Mas a maior influência lírica sofrida pelo autor de Via-Láctea foi sobretudo do poeta português pré-romântico Bocage (1765-1805), e expressou-se principalmente em poemas como 'Tercetos', 'In extremis', 'Baladas românticas' e na tradução adaptada de um poema de Aleksandr Púchkin (1799-1836), intitulado 'O cavaleiro pobre', todos em Vida inquieta.

4. No seu ensaio Vida e poesia de Olavo Bilac (São Paulo: T. A. Queiroz, 4a edição, revista e aumentada, 1992), Fernando Jorge afirma que Bilac “também foi simbolista” (p. 181). E cita, em apoio dessa asserção, alguns versos do poema 'Milagre', de Sarças de fogo.

5. Segundo Afrânio Coutinho, em A literatura no Brasil (Rio de Janeiro: Sul-Americana, 2a edição, vol. VI, p. 115), “a novidade que Bilac introduziu foi concentrar os seus comentários em determinado fato, acontecimento ou idéia, o que concorreu para dar a algumas de suas crônicas a feição de ensaios.”

6. O esqueleto tem sido abusiva e sistematicamente atribuído a Aluízio Azevedo. Ver o artigo de J. Galante de Sousa, 'Um prefácio necessário”, em
Machado de Assis e outros estudos (Rio de Janeiro: Editora Cátedra/ INL-MEC, 1979, pp. 29-39).
[Texto publicado no jornal Poiésis – Literatura, Pensamento & Arte, nº 115, outubro/2005, página 13]


OBRAS

Livros de poesia
1888 - Poesias, 1884...
1897 - Contos para V...
1897 - Pimentões
1898 - Sagres
1900 - Lira Acaciana
1902 - Poesias
1904 - Poesias Infan...
1919 - Tarde
1920 - Poesias
1949 - O Caçador de ...
1996 - Obra Reunida


Poemas
A Boneca
A Jogatina
A Pátria
A Ronda Noturna
A um Poeta
As Ondas
Dualismo
Em Custódia
II - Presente de Ano...
In Extremis
Língua Portuguesa
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Meio-Dia
Música Brasileira
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New York
O Carnaval no Olimpo
Os Votos
Profissão de Fé
Rio Abaixo
Satânia
Tercetos
Vila Rica
XIII [Ora (direis) o...
XVII [Por estas noit...

Livros de crônica
1894 - Crônicas e No...
1904 - Critica e Fan...
1916 - Ironia e Pied...
1996 - Obra Reunida
1996 - Vossa Insolên...

Crônicas
A Escravidão
As Cartomantes
João do Rio
O Bond
O Rio Convalesce

Gênero
Poesia Infantil

Movimento Literário
Parnasianismo


Poesias de Bilac:
http://www.fabiorocha.com.br/bilac.htm
http://rimas.mmacedo.net/index.php?Escolha=1&Acao=0&Pg=5

TalitaBello
Enviado por TalitaBello em 29/08/2006
Reeditado em 04/09/2006
Código do texto: T228057
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TalitaBello
Santos - São Paulo - Brasil
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