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SEGREDOS DA FELICIDADE- 12.Liberdade




Você deve estar pensando: também, com esse casamento, é claro que não dá pra ser feliz. Mas isso foi resolvido no próximo ano, meu segundo de escola e primeiro sem trabalho. Meu marido se apaixonou por outra mulher (que me deu essa notícia de presente de aniversário), e me deu de presente de Natal a frase “Quero ser feliz”, e foi embora para morar com ela. Levou com ele suas roupas (que ela fez questão de queimar todas, dizendo que estavam “macumbadas”), todo o dinheiro da nossa conta corrente, deixando-a “no vermelho”, o carro, a moto e a esperança de uma casa (que estava praticamente comprada). Deixou-me nos três cômodos cedidos pela mãe dele com nossos três filhos pequenos, sem emprego e nenhum dinheiro. Mas eu estava livre. Liberdade havia sido meu sonho de garota, e escrevi várias poesias com essa idéia, pensando que a liberdade me traria a felicidade.
Tive uma criação “tradicional”, severa, e mal tive tempo de crescer, pois casei-me logo após completar meus dezesseis anos de vida, e deixei de ser filha para ser esposa e mãe, sem passar pelo estágio de “adulta”. Como fiquei casada por dez anos, era a primeira vez que eu estava “livre”, sem pai, mãe ou marido para prestar contas de meus atos. Podia namorar, ir aos bailes, passar “noitadas” fora, “encher a cara”... e tantas coisas mais. Podia mesmo? É claro que não. Tinha que arrumar um jeito de sobreviver financeiramente, e tinha meus filhos que nada me cobravam, mas precisavam de mim, presente,  sóbria e capaz. Tive uma oferta de trabalho num cassino no Uruguai, onde eu ganharia em um ano o suficiente para viver bem no Brasil quando voltasse. Mas eu já conhecia a dor de mal ver meus pequenos, que diria um ano sem vê-los... não tive coragem. Já tinha aprendido que dinheiro ou trabalho não me tornava feliz. Talvez a felicidade estivesse em ficar com minha verdadeira família, meus filhinhos. Então apareceu a oportunidade de revenda de semi-jóias, em que eu me dei muito bem. Tão bem que comecei eu mesma a comprá-las com cheques pré-datados, que como eram da conta estourada pelo meu ex-marido, eram pagos sempre antes do vencimento com dinheiro ganho nas vendas. Liberdade de horário, de local de trabalho, tempo para meus filhos e casa, as contas e comida pagas, dona da minha vida... Feliz? Realmente não. Faltava muita coisa para que eu me sentisse realizada.

Edilene Barroso
Enviado por Edilene Barroso em 31/08/2006
Código do texto: T229192

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Sobre a autora
Edilene Barroso
Campinas - São Paulo - Brasil, 53 anos
192 textos (21457 leituras)
12 áudios (4784 audições)
5 e-livros (337 leituras)
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Edilene Barroso