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SEGREDOS DA FELICIDADE- 13.Família

13.FAMÍLIA


Tudo bem. Nós nascemos para procriar, continuar a espécie, e todas essas coisas que dizem que nos tornam felizes. Família é necessário para nos dar o apoio, para ajudar, para dar “base”, etc. Até então, eu contava muito com a família de meu ex-marido, que me apoiava em tudo o que eu precisasse, e como estava fisicamente mais próxima que meus pais e irmã, constituíam a minha família. Mas então apareceu meu atual marido. Quando resolvemos nos casar, comuniquei à minha sogra nossa intenção, e perguntei-lhe se ela queria que alugássemos outra casa, afinal a que eu morava era dela.
Ela me disse que não, que eu e meus filhos éramos da família, que não viveriam sem as crianças por perto, e que aquela casa era minha. Mas às dez e meia da noite desse mesmo dia, minha cunhada apareceu em casa, pedindo em nome da família que eu me retirasse da casa imediatamente. Mesmo com minha sogra depois desmentindo, achamos por bem nos retirarmos mesmo. Logo alugamos uma casinha que o que tinha de melhor era a vizinhança, na sua maior parte maravilhosos. Meu novo marido estava trabalhando em uma loja como vendedor, enquanto esperava sua efetivação num concurso público que havia prestado anteriormente, e eu então estava trabalhando na escola onde estudei o secundário (prestei o concurso por insistência de meu pai e pasmem! Passei em primeiro lugar!). Aceitei porque era um dinheiro garantido, e ficava próxima aos meus filhos, pois entrava junto com eles, que estudavam lá, e saía logo após, sendo que eles ficavam me esperando e voltávamos juntos para casa. Com exceção da mais velha, que estudava em horário diferente e ficava em casa em companhia de uma vizinha, moça maravilhosa. Apesar da grande distância entre minha nova casa e o centro, onde era a escola, estávamos bem. Mas nossa felicidade durou muito pouco... a antiga família começou a lutar pesado pela guarda de meus filhos, junto com meu ex-marido, que milagrosamente voltou à cena (depois de empobrecer deixando tudo para sua ex-companheira e ter levado um pé) e esse doloroso processo levou dois anos para acabar, com muita dor para todos os lados. Fiquei com a saúde tão abalada que resolvi mudar-me de cidade, para uma no interior onde então moravam meus pais, longe de tudo o que havia conhecido até então, pois morava lá desde os meus cinco anos de vida.
Era uma cidade linda, com apenas 15.000 habitantes, pessoas gentis, generosas. Cidade limpa, cheirosa, arborizada, cidade de interior, onde não há trânsito, mortes violentas, bandidos. Para tentar ser feliz.
Mas não foi isso que aconteceu. Meu marido não conseguiu transferência, e devido ao nosso pouco dinheiro, acabou por ter que ficar a semana toda longe de casa, saindo na madrugada de segunda e voltando na sexta-feira à noite, quando não no sábado de manhã. Meus pais mudaram-se para outra cidade, bem longe, e meus filhos foram morar com a avó paterna. Fiquei totalmente só, num paraíso.

Edilene Barroso
Enviado por Edilene Barroso em 31/08/2006
Código do texto: T229193

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Sobre a autora
Edilene Barroso
Campinas - São Paulo - Brasil, 53 anos
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12 áudios (4784 audições)
5 e-livros (337 leituras)
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Edilene Barroso