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Sousa Caldas

Antônio Pereira Sousa Caldas, sacerdote, poeta e orador sacro, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 24 de novembro de 1762, e faleceu na mesma cidade, em 2 de março de 1814. É o patrono da Cadeira n. 34, por escolha do fundador Pereira da Silva.

Era filho do comerciante Luís Pereira de Sousa e de Ana Maria de Sousa, portugueses, os quais, percebendo no filho a vocação para as letras, tudo fizeram para que florescesse. Aos oito anos de idade, e já evidenciando uma saúde frágil, foi mandado a Lisboa, aos cuidados de um tio. Foi matriculado no curso de Matemática (1778), de que se exigia então um ano para os candidatos ao curso de Cânones, em Coimbra, que ele concluiu em 1782. Prosseguiu no curso de Leis, no qual se formou somente em 1789. Em 1781 foi preso pelo Santo Ofício, por causa de suas "idéias francesas", e penitenciado no auto-de-fé que se celebrou em 26 de agosto de 1781, sendo condenado por ser "herege, naturalista, deísta e blasfemo". Foi transferido para o convento de Rilhafoles, a fim de ser ali "catequizado" por seis meses. Os seus biógrafos dizem que de lá saiu "regenerado", ao ponto de se despertar nele a vocação para a vida eclesiástica. O fato é que em 1784 compõe a "Ode ao homem selvagem", inspirado em Rousseau, e em 1785 era apontado como um dos prováveis autores de O reino da estupidez. Antes de se formar, fez uma viagem à França, indo recomendado em Paris ao embaixador de Portugal, o marquês de Pombal, filho. Depois da formatura (1789) viajou novamente, indo pelo Mediterrâneo até Gênova, recebendo ordens sacras em Roma no ano de 1790. Data dessa época a pequena ode "A Criação", ao entrar o estreito de Gênova. A partir daí, teria abandonado a poesia profana, ganhando fama como pregador e poeta sacro.

Os seus biógrafos registram que ele teria recusado dois bispados em Portugal, mas essa informação deve ser encarada com reserva, pois dificilmente tais cargos seriam oferecidos a um homem suspeito às autoridades. Em 1801 veio ao Rio de Janeiro para visitar a mãe e para aí se transferiu definitivamente em 1808. Nessa fase, confirma o renome de orador sacro, sendo significativo que nunca tenha sido nomeado pregador da Capela Real. De 1810 a 1812 compôs as Cartas, de que restam apenas umas cinco, quando seriam pelo menos meia centena. Versam sobre a liberdade de opinião, mostrando que a fé religiosa, sincera e forte, coexistia nele com a extrema liberdade intelectual. Desinteressado e modesto, sofrendo a vida toda por sua constituição frágil, faleceu aos 51 anos, sendo enterrado no convento de Santo Antonio, no Rio de Janeiro.

Obras: Poesias sacras e profanas, com notas e aditamentos de Francisco de Borja Garção Stockler, publicadas em 1820-21 pelo sobrinho do poeta, Antonio de Sousa Dias, em Paris, em 2 tomos, sendo o Tomo I constituído dos Salmos de Davi; Poesias sacras. Nova edição para uso das escolas públicas da instrução primária do município da Corte (1872). Das suas Cartas restantes, a 47a e a 48a apareceram na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, n. III, p. 144-148 e 216-221.
Milton Nunes Fillho
Enviado por Milton Nunes Fillho em 15/09/2006
Código do texto: T241066
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Sobre o autor
Milton Nunes Fillho
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 55 anos
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Milton Nunes Fillho