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Peregrino Júnior

João Peregrino Júnior da Rocha Fagundes, jornalista, médico, contista e ensaísta, nasceu em Natal, RN, em 12 de março de 1898, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 12 de outubro de 1983. Eleito em 4 de outubro de 1945 para a Cadeira n. 18, na sucessão de Pereira da Silva, foi recebido em 25 de julho de 1946, pelo acadêmico Manuel Bandeira.

Era filho de João Peregrino da Rocha Fagundes, professor de Línguas e Matemática, e de Cornélia Seabra de Melo. Fez o curso primário no Colégio Diocesano Santo Antônio e no Grupo Escolar Augusto Severo, os estudos secundários no Ateneu Rio-Grandense, cursando ao mesmo tempo a Escola Normal. Ainda estudante exerceu grande atividade jornalística. Ele próprio lançou A Onda, jornal em que escreveu um artigo contra o diretor da Escola Normal e professor do Ateneu, que provocou enorme celeuma e custou-lhe a saída do colégio. Ainda em Natal, funda mais dois jornais: A Gazeta de Notícias e O Espectador.

Proibido de estudar na cidade, mudou-se em 1914 para Belém, onde terminou o curso secundário no Ginásio Pais de Carvalho. Em A Folha da Tarde ocupou, gradativamente, as funções de suplente de revisor, repórter de polícia e redator. Trabalhou, ainda, em A Tarde e A Rua, além de secretariar A Semana. Fundou e dirigiu A Guajarina, antes de iniciar os estudos de Medicina. Aprimorou sua formação literária, mergulhado nos preceitos filosóficos e nas leituras de Nietzsche e Bergson, mas logo se concentra nos clássicos portugueses e nos românticos Herculano, Garrett e Castilho.

Em 1920, fixou-se no Rio de Janeiro, mais precisamente na Glória, em uma pensão de estudantes e candidatos a escritores. Trabalhou na imprensa, como escrevente na Gazeta de Notícias, e começou a produzir literatura. Trabalhou por um tempo na Central do Brasil, onde teve como companheiro de trabalho Pereira da Silva, a quem sucedeu na Academia.

Em 1926, casou-se com a cunhada do poeta Ronald de Carvalho, D. Wanda Acioly. De 1928 a 1938 publicou sua obra literária de ficção e de crítica. Após uma interrupção de mais de 20 anos, ele retomou os trabalhos e voltou a publicá-los, em 1960, com uma nova edição de Histórias da Amazônia, acrescida de novelas inéditas, inclusive "A mata submersa". Organizou uma antologia de Ronald de Carvalho e escreveu ensaios sobre José Lins do Rego, Graciliano Ramos e estudos sobre temas da literatura brasileira.

Formou-se em Medicina em 1929, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Iniciou como interno da 20a Enfermaria da Santa Casa (Serviço do Professor Antônio Austregésilo) uma carreira médica longa e bem-sucedida, como médico adjunto da Santa Casa; chefe da 41a Enfermaria do Hospital Estácio de Sá; fundador e diretor do Serviço de Endocrinologia da Policlínica do Rio de Janeiro; docente de Clínica Médica e de Biometria da Faculdade Nacional de Medicina, onde chegou a catedrático; e também professor da Faculdade Fluminense de Medicina e professor emérito da Universidade do Brasil. Durante 18 anos, foi membro do Conselho Universitário. Foi fundador e o primeiro presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, Biotipologia e Nutrição; diretor-presidente da Policlínica Geral do Rio de Janeiro; chefe da Divisão de Assistência Médico-Hospitalar do Ipase, entre outros cargos.

No terreno esportivo, além de professor e diretor da Escola Nacional de Educação Física, também foi membro do Conselho Nacional de Desportos.

Sua inclinação para as letras e o jornalismo nunca o deixou. Além da Gazeta de Notícias, escreveu para O Jornal, Rio Jornal, O Brasil, A Notícia, Careta, ganhando grande nomeada, sobretudo como cronista e como colaborador de numerosas revistas literárias e científicas do Brasil e do estrangeiro. Representou o Brasil em inúmeros conclaves internacionais, como as Comemorações Cervantinas (Espanha, 1946), os Colóquios Luso-Brasileiros de Lisboa (1958), as Conferências de Cooperação Intelectual de Santander (1957) e Granada (1958). Foi membro do Conselho Federal de Educação, do Conselho Federal de Cultura, presidente da UBE (União Brasileira de Escritores), membro titular da Academia Nacional de Medicina e membro da Sociedade Argentina para o Progresso da Medicina Interna, da Academia das Ciências de Lisboa e da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia.

Na obra de Peregrino Júnior revelam-se as múltiplas facetas do autor, como contador de histórias, ensaísta, crítico, médico e professor. A temática central da sua ficção, em Puçanga, Matupá, A mata submersa e Histórias da Amazônia é a visão do mundo amazônico, a imaginação do homem e a fatalidade geográfica que o conduz ao mistério dos mitos e à poesia das lendas.

O ensaísta expressa preocupação com o destino da cultura brasileira, a partir da pesquisa de raízes e divulgação de sua autenticidade. Na crítica, levanta aspectos importantes da obra de vários escritores brasileiros. O seu ensaio Doença e constituição de Machado de Assis, embora possa sugerir um estudo de natureza biográfica ou psicológica, transcende em muito tal plano. Vale-se do seu conhecimento de médico para explicar a doença e relacionar aspectos de uma constituição doentia a alguns dos recursos do escritor, como a ambivalência, a tendência explicativa, as imagens iterativas, a noção do tempo, a repetição, a preocupação da loucura e da morte.

A obra do médico e do professor versa sobre o campo específico da sua profissão: a saúde, a medicina, as tarefas da Universidade, preocupações de quem passou mais da metade da vida ensinando e em contato permanente com os jovens.

Obras .FICÇÃO: Vida fútil (1923); Jardim da melancolia (1926); O cangaceiro Zé Favela (1928); Um drama no seringal (1929); Puçanga (1929); Matupá (1933); Histórias da Amazônia (1936); A mara submersa (1960); novamente Histórias da Amazônia, reunião de histórias de Puçanga, Matupá, Histórias da Amazônia e A mata submersa (1960). Seleta de Peregrino Júnior. Org., apres. e notas de Ivan Cavalcanti Proença (1971).

ENSAIO E CRÍTICA: Interpretação biotipológica das artes plásticas (1936); Doença e constituição de Machado de Assis (1938); Testamento de uma geração (1944); O tempo interior na poesia brasileira (1946); O movimento modernista (1954); Origem e evolução do simbolismo (1957); Biografia de João Francisco Lisboa (1957); Panorama cultural da Amazônia (1960); Ronald de Carvalho - Poesia e prosa. Seleção crítica (1960); José Lins do Rego - Romance. Seleção crítica (1966); Três ensaios (1969); Língua e estilo de José Lins do Rego (1968).

MEDICINA E SAÚDE: Ciática (patologia e clínica). (1935); Vitaminologia (1936); Biotipologia e educação (1936); Insuficiência suprarrenal no impaludismo (1937); Insuficiência suprarrenal e tuberculose (1937); Estudo experimental das polinevrites tóxicas (1937); Pesquisas biotipológicas nas escolas municipais do Rio de Janeiro (1937); O S.R.E. no impaludismo (1937); Valores patológicos da pressão arterial no Brasil (1939); Conceito atual da enxaqueca (1939); Desenvolvimento normal do brasileiro (1943); Alimentação - Problema nacional (1942); Biometria aplicada à educação (1942); Biotipologia pedagógica (1942); Tireóide - Patologia e clínica. Prêmio Academia Nacional de Medicina (1943); Crescimento e desenvolvimento (1949); Alimentação e cultura (1951); Stress e síndrome geral da adaptação (1955); Teste de Thorn e sua aplicação clínica (1955); Metabolismo basal e colesterolemia nos distúrbios tiroideanos (1955).
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Milton Nunes Fillho
Enviado por Milton Nunes Fillho em 07/10/2006
Código do texto: T258277
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Sobre o autor
Milton Nunes Fillho
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 55 anos
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Milton Nunes Fillho