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Francisco Adolfo de Varnhagen

Francisco Adolfo de Varnhagen nasceu em São João de Ipanema (S.Paulo) a 17 de fevereiro de 1816. Filho de Frederico Luís Guilherme de Varnhagen e de Maria Flávia de Sá Magalhães, estudou no Real Colégio da Luz em Lisboa, de 1825 a 1832 e, a seguir, ingressou na Academia de Marinha, cujo curso freqüentou em 1832 e 1833. Faleceu em Viana, Áustria, a 26 de junho de 1878. É o patrono da Cadeira nº 39 da Academia Brasileira de Letras.

Tenente de artilharia do exército português aperfeiçoou-se em assuntos de natureza militar e de engenharia. Publicou em 1838 um ensaio intitulado "Notícia do Brasil". Colaborou em "O Panorama", dirigido pelo grande historiador português Alexandre Herculano. Divulgou, fruto das primeiras notáveis pesquisas sobre a época do descobrimento do Brasil, o "Diário de Navegação de Pero Lopes de Sousa". Já licenciado do exército português tornou-se sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (18 de julho de 1840).

Nomeado adido à legação do Brasil em Lisboa, em 1841, foi incumbido de pesquisar documentos sobre a História e a Legislação referentes ao nosso país.

Nesse mesmo ano passou a integrar o Imperial Corpo de Engenheiros do exército brasileiro, do qual se desligou três anos depois. Voltou à carreira de diplomata e, em 1854, conseguiu editar a "História Geral do Brasil", sem indicação explícita de autoria - apenas elaborada "por um sócio do Instituto Histórico do Brasil, natural de Sorocaba".

Seguiu-se uma série de missões diplomáticas em vários países da América do Sul e, em 1868, em Viena. Representa o Brasil, em 1872 no Congresso Estatístico de São Petersburgo.

Em 1877 percorre, no Brasil, o interior das províncias de São Paulo, Goiás e Bahia. É agraciado pelo governo imperial com os títulos de barão e visconde de Porto Seguro (1874). No Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro ocupou os cargos de 1º Secretário e de Diretor da "Revista" da entidade.

A extensa e bem documentada obra de Varnhagen inclui, entre os mais notáveis de seus escritos - "O descobrimento do Brasil"; "O Caramuru perante a história", "Tratado Descritivo do Brasil em 1587", "História completa das lutas holandesas no Brasil", "Épicos brasileiros", "Florilégio da poesia brasileira", "Amador Bueno", drama histórico, "Cancioneiro", "Literatura dos livros de cavalaria".

Apreciações sobre Varnhagen e sua obra:

De João Francisco Lisboa - "O pai de nossa História"; de Capistrano de Abreu, que lhe anotou a "História geral do Brasil" - "O Historiador da Pátria"; de Afrânio Peixoto - "Culminou numa História do Brasil" ainda a melhor das nossas"; Clado Ribeiro de Lessa, o maior estudioso da vida e obra de Varnhagen: "terrível e ardoroso polemista"; Américo Lacombe: "Toda aquela exaltação ocultava um coração límpio e, às vezes, ingênuo".

Novamente Capistrano de Abreu: "Expunha complacentemente a sua opinião com tanta maior complacência quanto mais se afastava da opinião comum. Teve polêmica (a rigor, póstuma) com João Francisco Lisboa, na qual, adverte Capistrano, "tinha talvez razão, porém em que teve a habilidade de pôr todo o odioso de seu lado".

O monarquismo de Varnhagen era profundo e sincero.

Originou sobre a interiorização da capital do Brasil, ora em Imperatriz, ora em São João del Rei e, finalmente, em Goiás.

Oliveira Lima chamou Varnhagen de "historiador pragmático", dedicando-lhe, em 1903, um "Elogio fúnebre".

O diplomata Ronald de Carvalho assim se expressou sobre o grande historiador: "Francisco Adolfo de Varnhagen, visconde de Porto Seguro, foi um dos mais ativos pioneiros de estudos históricos e o maior escavador de velhos documentos e arquivos de que temos ciência no Brasil... A feição principal de Porto Seguro é a do erudito consciencioso, capaz de sacrificar muitas vezes a clareza da dição, à força do documento apenas para mostrar que o seu pensamento não está em erro. Ninguém, pois, tem mais direito do que ele no lugar de precursor dos estudos históricos em nossa literatura".

Oliveira Lima, na mesma linha, escreveu: "Francisco Adolfo de Varnhagen foi por certo o mais notório e o mais merecedor dos estudiosos do passado brasileiro; foi um ardente investigador, um infatigável ressuscitador de crônicas esquecidas nas bibliotecas e de documentos enterrados nos arquivos, um valioso corretor de falsidades e ilustrado conhecedor de fatos. O traço dominante da individualidade de Varnhagen é a paixão da investigação histórica à qual subordinou todas as suas manifestações de escritor".
Milton Nunes Fillho
Enviado por Milton Nunes Fillho em 12/11/2006
Reeditado em 23/12/2012
Código do texto: T289088
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Milton Nunes Fillho
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 55 anos
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Milton Nunes Fillho