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"Pai"



 

       Leia com atenção a esta mensagem. Muitas vezes você apenas observa as figuras e as letras, mas não percebe o teor que elas transmitem.


       Pois bem, hoje você fará uma reflexão, pensará assim que desligar seu micro e fará uma prece, em voz alta ou baixa, com os olhos fechados ou não, mas fará uma prece agradecendo ao seu “Deus”, pelo dia anunciado, pelo alimento que hoje você teve sobre sua mesa, ao beijo do seu (sua) filho (a) , enfim a outras pequenas (mais importantes) coisas que foram passagens do seu dia.

                               

       “João era o único filho de uma pequena e pobre família mineira, isto mesmo, eu disse“mineira”, parece brincadeira não é, tudo em minha vida começa em Minas Gerais. Mas por que será que estou contando isto agora? Vou-lhes contar. João, como disse, era o único filho “macho”, o homenzinho da família, a mãe morrerá logo após dar à luz à Heroína , única irmã de João.

 

       A família, que agora era formada por João, Heroína e o pai de João (que hoje está juntinho do papai do céu) e a vovó de João (que também mora lá no céu), era pobrezinha, não tinham recursos suficientes para que pudessem viver normalmente, como qualquer outra família. Entretanto, o papai de João era um homem da roça, lidava com a terra como se lida com as máquinas. Plantava tudo que podia, mas e a terra?

 

       Como todos os Severinos, cantado por João Cabral, o papai de João, cujo nome era Jordelino ( o seu Jordê ), trabalhava em terras alheias. Plantava para os outros e com o dinheiro que ganhava tinha que ir até a mercearia para comprar o que comer para sua família.

 

       Joãozinho, como era chamado, estava cansado de ver seu papai chorar pelos cantos da casa. Embora ainda muito jovem, Joãozinho sabia quais eram as razões do choro, e resolveu ajudar seu pai.

       

       Numa tarde, inesperadamente, Joãozinho pegou o caminho da roça e sumiu, só retornou no final da tarde. Para o desespero de sua vovó, que estava aos prantos, sentada na beira do portão.

 

       “Joãozinho, menino levado, por onde andava?”

 

       “Uai, minha vó, fui trabaiá igual o pai, o homem tem que trabaiá.”

 

       Ouvindo aquelas palavras, a avó ainda com lágrimas nos olhos, abraçou o neto e afagou-o em seus braços.

Joãozinho cresceu um homem responsável e fez realidade o que havia prometido ao seu pai. Cresceu, casou-se e formou uma família, teve três filhas e educou-as conforme havia planejado. Deu saúde, educação e índole as três jovens. Seu pai, que trabalhou até os 62 anos de idade, sempre morando com Joãozinho, adoeceu.

 

       Deus escreve tão certo, que ao tirar o pai de João deste mundo, fez com que o filho (que tanto lutará para ver o pai feliz) fosse para bem longe na hora da partida. João e sua esposa viajaram, seu pai havia adoecido já fazia uns dez anos, as netas ficaram cuidando do avô. Deus o levou dormindo, como num sonho aquele homem que tanto sofreu para criar seus dois filhos, partiu serenamente.

 

       Ainda hoje, João conta as histórias dos tempos da roça para suas filhas e netos, todos sentados em volta de uma mesa (farta!!! Mas com muita fartura!) ouvem atentamente a todos os detalhes das histórias de antigamente.

 

       Um homem que chegou a comer peixe seco, apenas com um pouco de sal, hoje vê em seus filhos a esperança de que o amanhã seja melhor. Tudo que poderia deixar em vida e que com certeza deixará é a certeza de que soube ensinar suas filhas a serem honestas, educadas e batalhadoras.

 

Este homem é o meu pai, a quem dedico todo o meu amor....

João é um mineiro maravilhoso, lá de Salinas, onde o sol nasce queimando “mamona” como ele diz...Hoje é um avô amado pelos netos e um pai exemplar.

 

Meu pai é um verdadeiro herói em minha vida.




Anita Fogacci
Enviado por Anita Fogacci em 23/11/2006
Reeditado em 10/01/2008
Código do texto: T299077

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Sobre a autora
Anita Fogacci
Cabreúva - São Paulo - Brasil, 44 anos
532 textos (38380 leituras)
1 e-livros (262 leituras)
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Anita Fogacci