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ANTONIO FRANCISCO LISBOA - (ALEIJADINHO)
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Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho – 29/08/1738 – 18/11/1814 - Ouro Preto – M.G.

Escultor, entalhador e arquiteto do Brasil colonial. Trajetória construida através de trabalho, conhecimento, talento e sofrimento. Talha, relevos, projetos arquitetônicos, realizados, nas cidades de Ouro Preto, Sabará, São João del-Rei e Congonhas - MG. Monumentos com suas obras: Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.

Em 1738, seu pai casou-se com Maria Antônia de São Pedro, uma açoriana, e tiveram quatro filhos, e foi nesta família que o artista cresceu.
O conhecimento sobre desenho, arquitetura e escultura herdou de seu pai. Frequentou o internato do Seminário dos Franciscanos Donatos do Hospício da Terra Santa de 1750 até 1759, em Ouro Preto. Aprendeu gramática, latim, matemática e religião. Acompanhava seu pai nos trabalhos que realizava na Matriz de Antônio Dias e na Casa dos Contos. Trabalhou com Antônio Francisco Pombal, entalhador, seu tio e Francisco Xavier de Brito. Colaborou com José Coelho Noronha na obra da talha dos altares da Matriz de Caeté, projeto de seu pai. Em 1752 seu primeiro projeto individual, um desenho para o chafariz do pátio do Palácio dos Governadores em Ouro Preto.

Em 1756 no Rio de Janeiro acompanhou Frei Lucas de Santa Clara, transportador de ouro e diamantes na qual o destino era o embarque para Lisboa. Criou após dois anos um chafariz de pedra-sabão para o Hospício da Terra Santa. Em seguida lançou-se como profissional autônomo. Mulato, viu-se obrigado a aceitar contratos como artesão diarista e não como mestre. Na década de 1760 realizou uma grande quantidade de obras. Em 1767 morreu seu pai. Aleijadinho, como bastardo, não foi contemplado no testamento. Ano seguinte alistou-se no Regimento da Infantaria dos Homens Pardos de Ouro Preto, onde permaneceu três anos. Recebeu encomendas importantes: o risco da fachada da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Sabará, e os púlpitos da Igreja São Francisco de Assis, de Ouro Preto.

Em 1770 organizou sua oficina, segundo o modelo das corporações de ofícios medievais, a qual em 1772 foi regulada e reconhecida pela Câmara de Ouro Preto. Em 5 de agosto de 1772, foi recebido como irmão na Irmandade de São José de Ouro Preto. Em 4 de março de 1776 o governador da Capitania de Minas, Dom Antônio de Noronha, cumprindo instruções do vice-rei, convocou pedreiros, carpinteiros, serralheiros e ferreiros para integrarem um batalhão militar que trabalharia na reconstrução de um forte no Rio Grande do Sul. Aleijadinho foi obrigado a atender ao chamado, viajou até o Rio de Janeiro, não se sabe a causa mas foi dispensado. No Rio de Janeiro averbou a paternidade de um filho com a mulata Narcisa Rodrigues da Conceição, filho que se chamou, como o avô, Manuel Francisco Lisboa. Mais tarde ela o abandonou e levou o filho para o Rio, onde tornou-se artesão.

A partir de 1777 sinais de uma grave doença que, com o passar dos anos, deforma o seu corpo e prejudica seu trabalho, causando longo e doloroso sofrimento. Ainda hoje, é desconhecida a natureza de seu mal, diagnósticos diversos foram oferecidas por médicos. Com bastante dificuldade, prosseguiu trabalhando intensivamente. Em 9 de dezembro de 1787 assumiu formalmente como juiz da Irmandade de São José.

Em 1790 aparece um memorando cumprindo ordem de 20 de julho de 1782 determinando o registro em livro oficial sobre os acontecimentos notáveis, do referido artista ocorridos desde a fundação da Capitania de Minas Gerais, contendo a descrição das obras de Aleijadinho. Filho natural de um mestre de obras e arquiteto português, Manuel Francisco Lisboa, e sua escrava africana, Isabel.. Em 1790 o capitão Joaquim José da Silva escreveu o seu importante memorando para a Câmara de Mariana, testemunhando a fama que então já o acompanhava, saudando o nobre artista, inclusive por sua fama no estrangeiro.
"o novo Praxíteles… que honra igualmente a arquitetura e escultura… Superior a tudo e singular nas esculturas de pedra em todo o vulto ou meio relevado e no debuxo e ornatos irregulares do melhor gosto francês é o sobredito Antônio Francisco. Em qualquer peça sua que serve de realce aos edifícios mais elegantes, admira-se a invenção, o equilíbrio natural, ou composto, as justas dimensões, a energia dos usos e costumes e a escolha e disposição dos acessórios com os grupos verossímeis que inspira a bela natureza. Tanta preciosidade se acha depositada em um corpo enfermo que precisa ser conduzido a qualquer parte e atarem-se-lhe os ferros para poder trabalhar".

Em 1796 recebeu outra encomenda de grande importância, para a realização de esculturas da Via Sacra e os Profetas para o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, consideradas a sua obra-prima. No censo de 1804 seu filho apareceu como um de seus dependentes, junto com a nora Joana e um neto. Entre 1807 e 1809, estando sua doença em estado avançado, sua oficina encerrou as atividades, mas ele ainda realizou alguns trabalhos. A partir de 1812 sua saúde piorou e ele passou a depender muito das pessoas que o assistiam. Mudou-se para uma casa nas proximidades da Igreja do Carmo de Ouro Preto, para supervisionar as obras que estavam a cargo de seu discípulo Justino de Almeida. A esta altura estava quase cego e com as capacidades motoras reduzidas. Acomodou-se na casa de sua nora Joana, que encarregou-se dos cuidados de que necessitava. Faleceu, em 18 de novembro de 1814. Sepultado na Matriz de Antônio Dias, em uma tumba junto ao altar de Nossa Senhora da Boa Morte, de cuja festa pouco antes tinha sido juiz.
O homem, a doença e o mito
"Pardo-escuro, voz e gênio forte, estatura pequena, corpo cheio, mal configurado, rosto e cabeça redondos, cabelo preto, barba cerrada e grande, testa larga, nariz regular e pontiagudo, beiços grossos, orelhas grandes, pescoço curto".
Pouco registro sobre sua vida pessoal, amasiou-se com a mulata Narcisa, tendo com ela um filho. Nada foi dito sobre suas ideias artísticas, sociais ou políticas. Trabalhava sempre sob o regime da encomenda, não acumulou fortuna, descuidado com dinheiro, foi roubado diversas vezes. Fez repetidas doações aos pobres. Manteve três escravos: Maurício, seu ajudante principal com quem dividia os ganhos, Agostinho, auxiliar de entalhes, e Januário, que lhe guiava o burro em que andava.

Em 1777 exibiu sinais de uma misteriosa doença degenerativa. Seu corpo foi se deformando, o que lhe causava dores contínuas e lancinantes, perdeu dedos das mãos, restando apenas o indicador e o polegar, e todos dos pés, obrigando-o a andar de joelhos. Para trabalhar amarravam os cinzéis nos cotos, e na fase mais avançada precisava ser carregado para todos os lugares - A face também foi atingida, consignando-lhe uma aparência grotesca. De acordo com o relato, Aleijadinho tinha plena consciência de seu aspecto terrível, e por isso desenvolveu um humor revoltado, irado e desconfiado, imaginando que mesmo os elogios que recebia por suas realizações artísticas eram feitos apenas pra agrada-lo. Para ocultar sua deformidade vestia roupas largas, grandes chapéus escondendo o rosto, e passou a trabalhar à noite. Nos últimos dois anos, não podia trabalhar e passava a maior parte do tempo acamado, um lado de seu corpo ficou coberto de chagas, segundo sua nora, implorava para que Cristo o levasse dessa vida de sofrimento.

Aleijadinho teve diversos diagnósticos para explicar essa doença, lepra (alternativa improvável, pois não foi excluído do convívio social, como acontecia com os leprosos), reumatismo deformante, sífilis escorbuto, traumas físicos decorrentes de uma queda, artrite reumatóide, poliomielite e porfiria (doença que produz fotosensibilidade - o que explicaria o fato do artista trabalhar à noite.




 
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Enviado por billy brasil em 26/05/2012
Reeditado em 21/10/2014
Código do texto: T3689123
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billy brasil
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