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INES SILVEIRA DIAS


Nadir Silveira Dias


Ignez Silveira Dias, Piratini, RS: 14.10.1903, Ignez Dias da Luz – Ines Silveira Dias, Canoas, RS: 10.08.1995.

Esta biografia me foi solicitada pelo Presidente do Clube dos Escritores Piracicaba, Carlos Moraes Júnior, em torno de novembro de 2000. Estava desde então a dever a ele e a mim mesmo esta tarefa. Afora não ter experiência com biografias, parecia-se com algo que eu não conseguiria fazer.

Pelo que consta na Certidão do Cartório de Registro Civil da Comarca de Piratini, expedida em 09.09.1966, o Oficial José Carlos Nunes Régio, certifica o seguinte:

“Certifico, usando a faculdade que me confere a lei e por haver sido pedido pela parte interessada, que, revendo em meu cartório o Livro número 3 (três) de Registro de Casamentos, nele, às folhas 65v. à 66 (sessenta e cinco verso à sessenta e seis), consta o assento do teor seguinte: “N° 11. Aos vinte e oito dias do mez de julho de mil novecentos e vinte e sete, nesta Villa do Piratiny, Estado do Rio Grande do Sul, na Intendéncia Municipal, sala das audiências, as treze e meia horas, a portas, digo, após a audiência ordinária, onde se achava o cidadão Carolino José Gomes, 1° supplente do Juiz Districtal da séde, em pleno exercício, commigo, escrivão provisório de seu cargo, adeante nomeado, ahi compareceram como contrahentes legalmente habilitados, ANTONIO GONÇALVES DA LUZ, e Dona IGNEZ SILVEIRA DIAS, elle de trinta e seis annos de idade, solteiro, agricultor, residente neste primeiro districto, filho legítimo de Hortencio Gonçalves da Luz e de Cornalia Gonçalves d’Avila, já falllecida, e ella, de vinte e trez annos de idade, solteira, de serviços domésticos, também residente neste districto, filha legítima de Tertuliano Turibio Dias, já fallecido, e de Maria Amelia Silveira Dias, ambos os contraentes naturais dêste Estado. Ahi igualmente presentes as testemunhas do acto, cidadãos: Manoel José Dias, de maior idade, casado, comerciante, residente nesta Villa, e Acrysio Gomes, de maior idade, solteiro, criador, residente no 1° ( primeiro ) districto deste municipio. Tendo o Senhor Juiz ouvido aos contrahentes a affirmativa de que casam-se por livre e expontanea vontade, declarou effetuado o casamento proferindo perante todos a formula consagrada no art. 194, do Código Civil Brasileiro. Este casamento foi publicado em seis do corrente mez e anno, e effectuado pelo regimem da comunhão de bens, tendo sido apresentados em cartório todos os documentos prescriptos pelo referido Código em seu Art.180, 1°, 2°, 3°, 4° e 5°. Do que para constar lavrei este termo que vae assignado pelo Juiz, testemunhas do ato, e presentes que o quiserem fazer, assignando a rogos dos nubentes por não saber escrever, respectivamente, os cidadãos, Joaquim Serafim da Silveira e Zeferino Zosimo Garcia. Eu, Manoel Dias d’Avila, escrivão provisório, o escrevi. (ass) Carolino José Gomes. Joaquim Serafim da Silveira. Zeferino Zosimo Garcia. Manoel José Dias. Acrysio Gomes. Dulia Silva d’Avila. Haydée Brum Fabião. Manoel Dias d’Avila.” O referido é verdade e dou fé. - - - - -
Eu, -assinatura – (José Carlos Nunes Régio), Oficial do Registro Civil, a datilografei, subscrevo e assino.
Piratini, nove de setembro de 1966.- assinatura (José Carlos Nunes Régio) Oficial do Reg. Civil“ Seguem-se cinco selos carimbados.

Na Carteira Profissional do Departamento Nacional do Trabalho, sob número 06541, Série 97ª, expedida em Rio Grande, em 04 de Outubro de 1954, consta o nome de Ignez Silveira Dias, nela consignada que foi apresentado o Título Eleitoral n° 11.711 – da 14ª Zona.

Contava que fora casada com quem não queria casar-se. Teve filhos, mas depois separou-se para ir viver com Abel Machado, com quem teve, além da filha Cléia, também o filho Jesus, que com mais ou menos aos 18 anos “ganhou” o mundo e nunca mais apareceu.

Dizia ela que ele saía de manhã bem cedo para armar as arapucas para pegar os passarinhos que serviam de almoço para a família. Bem se percebe que essa era época em que já havia falecido o segundo marido, o lenhador Abel Machado, pois eu já figurava na história, talvez corresse o ano de 1949.

Depois do falecimento de Abel Machado, viveu com Afonso Ortiz, de ascendência hispano-germânica (ou germano-hispânica), pois não consegui obter o seu sobrenome em alemão (se é que o possuía), desconhecendo se sua ascendência espanhola era materna ou paterna, embora creia que tinha ele mãe espanhola e pai alemão.

E este seu terceiro marido lhe dizia, segundo as suas próprias palavras (que bem gostava de lembrar), que “iria lhe dar um filho para cuidá-la na velhice”. Profética ou não a assertiva, foi isso mesmo que aconteceu.

Mas dele se separou para ir para Rio Grande, onde já se encontrava a sua irmã Ignácia, pois não queria que seu filho fosse um lavoureiro. Insolitamente, este aprecia por demais a agricultura, e bem crê que caso tivesse por aí enveredado também teria andado muito bem.

O próprio signatário teve a sua certidão de nascimento exarada em data que parecia estar próxima a de ir servir ao Exército, 08.05.1964, quando então levou a sua mãe ao Oficial de Registro Civil para o assentamento legal que não fora localizado em Piratini, após a sua insistência sobre a existência do registro de nascimento e terem sido infrutíferas as buscas feitas.

Ines Silveira Dias viveu em Piratini, onde nasceu, em 14 de outubro de 1903, em Rio Grande, em Porto Alegre e, em seus últimos anos, no Lar Vicentino de Paulo, em Canoas, onde faleceu, no Hospital Nossa Senhora das Graças, em 10 de agosto de 1995.

Pela Certidão n° 18.785, de 10 de agosto de 1995, pelo Ofício do Registro Civil das Pessoas Naturais da 1ª Zona da Cidade de Canoas, pela Bel. Vânia Maria de Bernardes, Oficial do Registro, expedida com base no Atestado de Óbito firmado pelo Doutor José Glock, CRM 782, tendo sido declarante o signatário, cujo sepultamento seria (como de fato o foi) realizado no Cemitério João XXIII, em Porto Alegre.

Ines Silveira Dias encantava a todos com a sua madura jovialidade. E era largo o seu poder de comunicação que o exercia através do sorriso franco e o jeito amistoso de chamar as pessoas para conversar e perguntar pelos últimos acontecimentos. E as pessoas estavam, de fato, sempre por perto dela, para perguntar ou dizer coisas, e ela as ouvia com carinhosa atenção.

Recitava a “Décima do Chimarrão”, algumas trovas, entre elas, “Parece troça parece / Mas é verdade patente / A gente nunca se esquece / De quem se esquece da gente”. E cantava as modinhas dos anos 20, 30 e 40, além dos próprios repentes que fazia.

Um brevíssimo retrato-síntese de sua vida está esboçado na página 77 do livro Rastros do Sentir, poemas reunidos, Porto Alegre, 1997, com o qual o autor objetivou homenageá-la postumamente. O poema Nizoca adota como título o apelido carinhoso que possuía então entre os familiares, na segunda década do século XX.

O poema esteve publicado on-line no saite O Emissário Portal de Opinião e Cultura (http://www.oemissario.com.br) durante o período de 6 a 12 de agosto de 2005, por ocasião da passagem dos dez anos de seu falecimento, podendo ainda ser acessado diretamente, a qualquer momento, (http://www.oemissario.com.br/portal/modules.php?name=News&file=article&sid=271).

Mais recentemente ainda, pelo Diário de Santa Maria, o poema Nizoca foi publicado no Diário 2, suplemento de variedades do jornal, em sua página 7, em data de 30.08.2005 (Poema “Nizoca”, in Diário 2, Almanaque, p.7, Diário de Santa Maria, Ano 3, edição impressa n° 996 (Edição on-line n° 1004), terça-feira, 30.08.2005, Santa Maria, RS).

Posteriormente, foi também publicado on-line no saite a Usina de Palavras, Campo Grande, MS, em 11.09.2005, além de outros textos: (http://www.usinadaspalavras.com/index.html?p=textos_autor&aut_id=819).

Inez Silveira Dias (como consta no meu registro de nascimento) falecida, ou Ines Silveira Dias (como consta na minha identidade) é a Patrona da Cadeira 77 da Área de Letras do Conselho Acadêmico do Clube de Escritores Piracicaba, Piracicaba, São Paulo, titulada pelo signatário Nadir Silveira Dias, a partir de 30 junho de 2000.

Ines Silveira Dias deixou o filho signatário, a neta Ludmila Xavier Silveira Dias, o neto Lucas Cureau Silveira Dias, os netos da filha Cléia e esta, residentes na cidade de Rio Grande, e uma baita sauuuuddddddddddddddddddddddddddddddddddddade!

Os restos mortais de Ines Silveira Dias estão no Jazigo Perpétuo n° 124402 do Cemitério Ecumênico João XXIII, na Capital Gaúcha, adquirido em 10.08.1995, da Associação Cristã de Moços, em cuja lápide consta a inscrição Ignez Dias da Luz (Ines Silveira Dias) *14.10.1903 - +10.08.1995.

Sabe-se lá por que, apenas hoje, 14 de outubro de 2005, dia em que completaria 102 anos, viva fosse, é que encontrei (onde os havia guardado) os documentos oficiais que desejava incluir na sua biografia.

Não esqueci os crisântemos amarelos e as rosas vermelhas!

Esteja sempre bem!!!


Nadir Silveira Dias
Enviado por Nadir Silveira Dias em 14/10/2005
Reeditado em 19/04/2010
Código do texto: T59634
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Sobre o autor
Nadir Silveira Dias
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Nadir Silveira Dias