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EU TENHO UM SONHO

Eu tenho um sonho. Quero publicar um livro. Juntei letra com letra, rimei algumas, alterei outras, apaguei do papel a prova indelével, mas não deletei do computador. Os meus escritos perambulavam entre blocos de papel jornal e cadernos pautados. Gastei grafite e borracha , tinta esferográfica, e ultimamente o teclado multifuncional.

Confesso que meus textos são bons. Meus pais, amigos e parentes confirmam a excelência deles. Claro que eles não têm o gabarito desejado e qualificação esperada. Jamais dirão a verdade, jamais. Tudo começou no dia em que li Cem Anos de Solidão de Gabriel Garcia Marques. Nas primeiras páginas, um comentário sobre a obra, fez nascer em mim esta vontade incompreensível de escrever um romance.

Comprei um pequeno bloco que coubesse no bolso da calça e uma caneta. As primeiras linhas foram escritas com a alma em total regozijo. Na época, trabalhava em uma Ferragem. Entre uma venda e outra, um parafuso sextavado, uma lata de tinta PVA, arames, canos e ferramentas, consegui escrever o primeiro capitulo.

O interessante nesta empreitada literária , era que simplesmente escrevia. Não pensava em nada. Apenas escrevia. A idéia surgiu assim feito um Espírito Santo. O enredo, os personagens, a trama, os entremeios, tudo surgiu muito claro em minha mente, claríssimo. Mas escrever não foi o mais difícil. Difícil foi encontrar a caneta perfeita, que desliza-se sobre a folha e que eu mesmo conseguisse ler os carranchos que proliferavam desenfreadamente. Não tinha a vaga noção do que estava fazendo.

 Às vezes deixava de atender um cliente em troca de uma idéia que julgava essencial a obra. OBRA. Isto mesmo. Aquele texto, na mina modesta opinião, era e seria uma verdadeira OBRA DE ARTE. Enquanto escrevia, não pensava. Se pensasse, não escreveria. Depois deixei de lado este sonho de escrever e cai na realidade cotidiana. Os anos passaram, eu estagnei. Acreditei no emprego seguro, que jamais seria demitido, que não precisaria estudar, que tudo se resolveria.

Um dia houve demissão em massa na empresa em que trabalho. Imaginei se tivessem me demitido, o que seria da minha vida. Eu não tinha nem o segundo grau completo e nenhuma qualificação profissional. Era quase um Zero à esquerda. Voltei aos estudos e no ano de 1999 fiz os exames supletivos da S.E.C, obtendo aprovação em todas as matérias. Motivado prestei vestibular na Ulbra com êxito em Letras. Depois aprovado também na Ritter do Reis. Escolhi cursar Letras porque um dos meus contos foi selecionado na Feira do livro de 2000, pena que não pode ser publicado. Então foi só alegria no semestre que pude cursar, as aulas e os professores e o fato de estar em uma Universidade, era o alento para minha encantada alma.

Eu tenho um sonho. Um livro de poemas pronto a espera de um milagre. Um sonho que sozinho não posso realizar. Dependo da bo avontade de você que esta lendo este relato que mais parece um desabafo de minh'alma. Eu tenho talento, tenho não porque estou dizendom, mas porque já ganhei dois concursos literários e diversos pedidos de encenação de peças de teatro que escrevo.
Seue abaixo um poema Chamado PROLEGÔMENO, é o que abre meu livro de poesias.
Título / PROLEGÊMENOS / A proposito desde nome estranho, ele me surgiu e um sonho em que a palavra ecoava em minha cabeça que tive de anotar para não esquecer. Prolêgomeno quer dizer Indrodução expositiva de uma obra. Prefácio longo. NADA MAIS JUSTO DO QUE A PALAVRA QUE INICIA A OBRA APARECER EM SONHO.

Poeta non fit, sed nascitur
Poeta não se faz, nasce.

Escrever para mim é um vicio,
Que se fez desde o inicio.
Uma espécie de cisma,
Que insiste e ensina.
porque
Se nasci para escrever,
Então escrevo.
Se nasci só para ler ,
Assim mesmo escrevo,
Agora,
Se é de qualidade o que escrevo,
Isto não posso afirmar, sei escrever,
Se meu destino é escrever, Então escrevo.
Mas,
Estupefato, chego a conclusão,
De que escrever é ilusão,
É carma, desilusão,
É viver em reclusão.
É ir de encontro à ignorância,
É combater minha intolerância,
De poeta diletante,
De alma incipiente.
Esta escrito,
Ab inition havia o verbo,
absoluto e soberbo,
E Deus envolto no caos,
bradou Fiat- lux.
E a luz se fez..
Ad infinitum




Adão Jorge dos Santos
Enviado por Adão Jorge dos Santos em 29/10/2005
Código do texto: T64900
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Sobre o autor
Adão Jorge dos Santos
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 56 anos
70 textos (8136 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 21:58)
Adão Jorge dos Santos