Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Eu já...

Eu já dei risada até a barriga doer, já chorei até dormir e acordei com o rosto desfigurado.
Já fiz cócegas na minha irmã só para ela parar de chorar.
Já queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho e até já brinquei de princesa.
Já quis ser astronauta, astróloga, advogada, veterinária, comediante e até freira.
Já passei trote por telefone, já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo, já confundi sentimentos, peguei atalho errado e às vezes ando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz e da de angu também, já chorei ouvindo música na rua.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer.
Já deitei na varanda da minha casa para olhar estrelas, já fiz vários pedidos para estrela cadente, já subi em árvores para roubar frutas, já caí da escada de frente.
Preferi à morte uma vez, mas agora anseio por viver cada dia mais.
Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentada no chão do banheiro, já fugi de casa e voltei no mesmo instante.
Já saí para caminhar sem rumo, sem nada na cabeça.
Já corri para não deixar ninguém chorando, já fiquei sozinha no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi o pôr–do-sol alaranjado, já vi o nascer do sol no final de uma praia, já me arranhei toda, com vontade de morrer, já senti medo do escuro, já tremi de nervoso.
Já quase morri de amor, mas renasci de novo quando vi o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar, já apostei em correr descalça na rua, já gritei de felicidade, já roubei flores nos jardins dos outros, já deitei na grama com uma pessoa especial do lado.
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Já corri da minha mãe na rua com medo de apanhar.
Já fiz burradas, que dá vontade de chorar quando lembro, já implorei para que não me deixasse sozinha, já pedi perdão pelos meus erros, já quebrei a cara algumas vezes.
Já fiquei com medo que o mundo acabasse e já preferi que isso tivesse acontecido.
Já enxuguei as lágrimas de quem precisou, já ganhei tapa na cara, já desculpei pessoas que me magoaram.
Tem tantas coisas maravilhosas na vida, mas às vezes por algumas coisas, preferimos que nunca estivéssemos nascidos.
Foram tantas coisa feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardadas num baú, chamado coração.
(Autor não informado)
Enviado por Karine Coelho em 25/09/2007
Código do texto: T667559
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Karine Coelho
Ipatinga - Minas Gerais - Brasil, 31 anos
44 textos (6770 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/10/17 03:32)
Karine Coelho