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PROFISSÃO CONTAGIANTE

Há quem diga que a grande diferença entre irmãos e amigos é que aqueles a gente não escolhe. Embora há pessoas que não se coadunam com a designação familiar efetivada pela Divindade.

Certa feita, ao ler uma matéria num jornal em que o nosso Ilustríssimo Presidente da República afirmava que alguns amigos que ele fizera, durante sua jornada no PT, eram mais que irmãos. Respeito posicionamentos alheios. Porém como ocorre comigo, acredito que outros casos há.

Sou de uma família de 10 (dez) irmãos. É difícil dizer qual deles amo mais. Haja vista que o amor não tem como mensurar. Amo porque amo e não há explicação. Entretanto, há um dentre eles que marcou deveras minha personalidade. A quem sempre cultivei uma enorme admiração e respeito. Talvez ele fora um espelho, em que não víamos sua imagem refletida, mas sim, seus nobres valores, como a força de vontade, a honestidade, etc.

Recordo-me quando tinha 09 (nove) anos, juntamente com meu amado pai, na pequena varanda de nossa casa, quando observávamos meu irmão, com seus dezesseis anos, chegando do seu trabalho, à época trabalhava na Mannesmmam – empresa em que havia cursado o SENAI. Meu pai disse-me: “Rodrigues, seu irmão, realmente, me puxou. Espero que seja igual a ele, sempre trabalhador e esforçado ...”

Embora hoje, não mais presente fisicamente, mas não há como deixar de senti-lo, seja no revoar de uma borboleta, seja no perfume das flores, enfim, pai, sei que sempre esteve e estará presente nas minhas boas ações, como nesta mais que justa declaração.

Pois bem, meu irmão e amigo, nessas divagações sobre o passado, lembro-me da felicidade de nossa mãe, aos finais de semana, em que você, com seus dezesseis, dezessete anos, invariavelmente, sempre, bancava as compras – tempos difíceis!

Outro detalhe tão marcante foi quando você estava trabalhando na Fiat Automóveis, já formado pelo CEFET-MG, aos vinte e dois anos, num ato heróico e varonil, você ao invés de pensar em seu próprio umbigo, adquirindo um imóvel ou veículo, resolve realizar um dos desejos mais íntimos de nosso pai, reformando toda a nossa casa, inclusive colocando laje. Entretanto, o dinheiro foi um pouco curto e, como solução, demonstrando mais uma vez determinação e galhardia, você pediu para ser despedido daquela grande empresa, com o fito de receber seu FGTS, para finalmente, concretizar as reformas.

Quiçá o seu caminho estava traçado pela Divindade, ao invés de trabalhar com máquinas que fabricavam carros, repentinamente, você começa a laborar com outras máquinas mais sublimes – máquinas humanas, foi ser professor.

E dessa nobre e tão rica profissão não mais saiu. Acredito que deva ser o espírito envolvente e altruísta que, irrefutavelmente, fez e faz com que seu corpo se movimente, sempre valorando e acreditando no potencial dos seus alunos. Não à toa que com o seu currículo acadêmico, ainda persiste bravamente em acreditar que o melhor de suas realizações é a transformação do ser humano pela educação.

Às vezes, reconheço que sou um crítico inquieto, ante toda sua capacitação. Não é que eu seja contra o magistério – longe de mim - ironia do destino, graduei-me em Letras. É dizer: pessoas como você deveria ocupar cargos políticos, em que, certamente, ajudaria muito mais pessoas. No entanto, sua paixão pela educação é fantástica! Melhor, contagiante!

Ademais, não mais por demais, Dalmir Rodrigues, meu muito obrigado e orgulho de ser além de irmão, amigo.

 
Clovis RF
Enviado por Clovis RF em 01/11/2007
Código do texto: T719148
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Sobre o autor
Clovis RF
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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