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Minha mãe dizia que eu era “triste”...rs...

Como toda criança cometi muitas travessuras na infância, foi uma época muito boa, muitas brincadeiras, diversões e alegrias, mas aprontei muito também e é isso que passo a narrar nessas linhas. Ah não se abalem eu era uma criança!
No bairro onde eu morava meu apelido era fumaça e o do meu irmão era faísca, nos deram esse apelido baseado em um desenho animado onde dois corvos aprontavam as piores bagunças possíveis e nós não ficávamos muito atrás. Quando saiamos juntos podia esperar as piores artes possíveis, então vou começar pelas mais leves para não abalar logo no começo.
Certa vez estava com um amigo lá do bairro e fomos andar pelas ruas com um litro de álcool e fósforos na mão, como onde morávamos era um lugar que tinha muitas madeireiras logo avistamos uma que nos chamou muito a atenção, e com aquela vontade de aprontar e sair correndo paramos olhamos ao redor disfarçando e molhamos algumas madeiras para fazer uma fogueira, então saímos e fomos para um viaduto a alguns metros para jogar conversa fora, passado alguns minutos escutamos a sirene do corpo de bombeiro quando olhamos em direção a madeireira toda ela estava em chamas, apavorados ficamos atônitos por um momento depois na maior cara de pau fomos lê ajudar os bombeiros a apagar o fogo, mas descobriram os causadores daquele incêndio e minha mãe teve que pagar toda instalação elétrica da casa do Sr Valdomiro que era vizinha dessa madeireira, tomamos uma surra e no outro dia estávamos prontos para outra.
Bom como o tempo era o que não me faltava saiamos sempre para as bagunças e artes, lembro que uma vez teve uma epidemia de estilingue lá no bairro, quem não tinha um era considerado fora da turma, então sai à caça de uma forquilha para fazer o meu, tive o privilegio de achar uma forquilha perfeita parecia que tinha sido feito em máquina torno de tão perfeita que era.
Com as tripas de mico nas mãos fiz o Sr estilingue e sempre levava ela pendurado no meu calção, treinava a mira com latas vazias, mas como aprontar alguma coisa era sempre normal agora com um estilingue ninguém me segurava. Depois de uma briga com a minha mãe no Osem da prefeitura onde ela trabalhava e eu passava a tarde sai nervoso fui até a caixa de força peguei uma pedra arredondada mirei nos interruptores de luz e mandei, acabei com a instalação elétrica do Osem fui expulso e tome mais uma sova da mãe.
As broncas já não adiantavam, pois eu aprontava sem o menor peso na consciência se é que tinha alguma na época, lembro que costumávamos roubar frutas de um caminhão de feira toda noite, ele parava em uma rua perto de casa até uma apresentadora que hoje é muito famosa chegou a pegar frutas lá e me dar, então eu também aproveitava, mas um dia eu fui pegar frutas só não esperava que o dono do caminhão estivesse escondido em baixo.
Quando subi e tirei a lona ele me pegou, meu irmão apavorado avisou a minha mãe, que apavorada avisou todo bairro que apavorados chamaram a policia pensando que o motorista fosse me matar e jogar o corpo no rio, depois de alguns minutos todo bairro apavorado me procurando chego em casa trazido pelo motorista que passa um sermão em meus pais, ai tome bronca e surra no fumaça.
É por essas e outras que minha mãe resolveu internar o fumaça em um colégio interno, depois que para lá tive que melhorar apesar de ter aprontado boas lá também, hoje percebo que vivi intensamente todos os momentos da minha vida e esse período muito mais, talvez é por isso que hoje tenho muita paciência com as crianças e entendo suas artes. Afinal eu já fui como elas, e essa fase nunca mais voltará!

Fábio Beltrame
Beltrame
Enviado por Beltrame em 05/11/2007
Código do texto: T724617
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Sobre o autor
Beltrame
São Paulo - São Paulo - Brasil, 41 anos
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