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Despedidas póstumas de um amor não vivido.

Meu querido amor,

Decerto não é fácil escrever sobre algo que lhe atormenta. Expurgar sentimentos em forma de palavras não é todo corriqueiro. Nunca tive a pretensão de fazer isto. Contudo, esta é a única válvula de escape que encontro agora.

Em tempo, consegui perceber algo e extrema importância. Percebi que não tenho controle algum sobre minha vida. Estas linhas são um reflexo disso: as idéias massacram minha mente a todo momento. Postulados inteiros se esvoaçam enquanto acordo; almoço ou até mesmo enquanto escovo os dentes.

Massacram-me de tal forma que sinto exasperar minhas forças. Por isso às vezes sou taciturno, colérico em palavras e atitudes.

Não é fácil perceber quando se é refém das circunstancias. Sou catedrático ao afirmar isso. Não é fácil admitir sua impotência diante de sentimentos. Até porque a razão deve ser a nau que conduz ao bom senso, mas em absoluto será – e a duras penas compreendi isso – guia para o coração.

Como queria estar errado em minhas conclusões. Como queria crer que minha vida só dependesse de mim. Certa vez um poeta inglês escreveu “... sou o capitão de minha alma, senhor de meu destino...”.

Contudo, não é assim. Pelo menos no tocante ao que sinto. Tudo o que me fora possível falar, demonstrar, apreender e compreender a importância que tens para mim – eu o fiz. Agora não posso, não devo expressar-me, sob o risco de enlear-me em lugar comum. Não quero que isto ocorra. Este fardo é seu! Se realmente tens a compreensão, e, sobretudo, o desejo de viver o que pode vir a ser uma bela história, cabe a você decidir. Cabe a você aquilatar se valerá a pena derrogar de sua vida atual por um “candango” como eu...

Como pode perceber isto que lhe escrevo não deve ser encarado como, de fato, o presente momento (hoje).

Nietzsche dizia que certas pessoas nascem póstumas. Pois bem, esta carta é póstuma. Ela não deve ser lida hoje, amanhã, sei lá. Leia-a somente quando sentires que é o momento; que é chegada àquela hora em que as decisões que tiveres de tomar deverão ser tomadas.

Não peço nada nem arvoro direitos para isso. Pelo contrário, só me resta agradecer a Deus pela oportunidade de tê-la conhecido. Sempre em minhas orações pedi um pouco mais de poesia em minha vida. Eis que você apareceu!

Talvez estas linhas sejam inúteis, pois se algum dia leres esta carta – você já poderá ter partido. Entretanto, não posso deixar de escrevê-las: é o meu desabafo.

Só peço que tenhas em mente uma única coisa: o que lhe escrevo nestas linhas pode até parecer demasiadamente leviano, dado às circunstancias futuras em que nos encontraremos, porém, não se engane. Já lhe disse isso uma vez e ratifico-as nestas linhas: as promessas que faço são o meu caráter. Por mais errado que possa estar em dar-lhe tal assertiva e por mais que o mundo assim me o considere, não haveríeis de descumprí-las.
Não quero nem aspiro que faças o mesmo. Eu conheço tua estrela e sei que cada coisa terá seu momento certo. Inclusive esta carta.

Creio que não me resta mais nada a dizer.

Um beijo todo especial, de quem sempre te adorou, ontem, hoje e sempre.

Ad majora natus.
Alexandre Casimiro
Enviado por Alexandre Casimiro em 21/01/2006
Código do texto: T102111
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Sobre o autor
Alexandre Casimiro
Casimiro de Abreu - Rio de Janeiro - Brasil, 36 anos
67 textos (14583 leituras)
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Alexandre Casimiro