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TERRA NATAL E O ARMORIAL DE VIVÊNCIAS

(para Vilma Matos, cearense, tecendo loas ao meu pedaço de chão)

Vilma, querida poetamiga! Obrigado pela amorosa mensagem. Pegaste-me de jeito, baqueaste o meu usado coração. Abro o comando cerebrino com a alma taquicárdica. Mexeste com o armorial, braseiro de vivências.

Lígia Antunes Leivas é a Dama da Literatura de minha terra natal. Além do mais, tem um coração generoso. Eu a quero muito. Com o carinho de quem sabe que algumas pessoas são muito especiais. Estas detectam a alma da gente, abrigam a nossa emoção tal como abraçamos o amor mais caro, mais profundo, mais denso. E nos energizam para o dia seguinte.

Ainda não tive coragem de dizer a ela quanto a amo, admiro, agradeço e respeito. Mas não faltará oportunidade. No ano de 2005 não nos vimos mais do que umas duas ou três vezes. Mas, com esta, delator auto-confesso, ao mundo o meu carinho por ela!

Homenageio a quem faz por merecer, a quem traz aos outros o bafejo da felicidade!

Ando um pouco avesso ao academicismo. Talvez esteja estafado de humanidades postiças. Gosto pouco de frugalidades! E sou ávido de beber a água na fonte!

Sou fruto do zelo da mestra Lígia Leivas, de sua sabedoria, de sua paciência, de seu amor professoral.

Em Pelotas, nossa santa terrinha, Lígia é uma das mais ricas sementes de nossas raízes lusitanas de acumulação cultural francesa, ao tempo do ciclo do charque, em que havia riqueza material e, conseqüentemente, a fruição do bom e do melhor incluía as vertentes culturais. Este o inconsciente coletivo da "Princesa do Sul".

Perdão às outras terras, mas um dia eu teria de abrir a boca. Este dia chegou. Sem pejo, sem falácias, sem precisar bajular ninguém.

Ninguém chega impune aos quase sessenta.  O coração freme diferente... Declaro o meu amor filial à distância, mourejando palavras e mareando os olhos, aqui no Nordeste, onde me encontro em missão cultural.

Sabes, amiga, que a povoação que originou Pelotas foi fundada pelo português José Pinto Martins, provindo do Ceará, onde aprendera a técnica da carne-de-sol, em 1780, estertores do século XVIII?

Encantei-me contigo, também, por tua garra, por tua dedicação à causa cultural e literária. O teu CD está muito bom, bem gravado, bons aportes, deveras agradável de se ouvir. Mas ainda não o puder curtir como desejaria. Quero ouvi-lo sozinho, em casa, com um friozinho a gelar a alma, libando a seiva das uvas. Agora é verão, está muito quente, não apetece.

Vilma Matos – dizendo poesia – é pra ouvir e tomar um cabernet sauvignon a 18 graus. Esta a vantagem do Sul: frio fora, calor dentro. Salve, salve!

Convivo, faz mais de dez anos, com uma amante chamada “Asma”, de sobrenome “Brônquica”. Em conseqüência não posso usar aparelho de ar condicionado, me é prejudicial... Nem sei como pude me adaptar aos ambientes sempre refrigerados do Norte e Nordeste, por onde passamos! E foram 56 dias!

Deus sabe que eu precisava deste aperfeiçoamento de brasilidade. Voltei mais verde-amarelo, mais brasílico, mais ufano de nosso país. Mais à altura da ancestralidade de minha terra natal.

Lá no sul do país, onde sopra o pampeiro e o minuano, e o charque produz delícias no céu palatino...

– Do livro CONFESSIONÁRIO – Diálogos entre a Prosa e a Poesia, 2006.
http://www.recantodasletras.com.br/cartas/107715
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 03/02/2006
Reeditado em 23/05/2008
Código do texto: T107715
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
2581 textos (709757 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 23:16)
Joaquim Moncks