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Carta de um Suicida

Meus familiares,

                Peço, em primeiro lugar, desculpas por partir sem avisar, e temo que esta seja uma ida sem volta.
   Encontrava-me em estado deplorável, e provavelmente, nem aqueles que conviviam comigo poderiam dizer isso, pois minha aparência era impecável. Mas somente eu sabia o que passava no meu interior...
   Minha vida já não é a mesma, na verdade, continua sendo a mesma, e isso que me fez refletir e rever todos os meus valores. Nada mudou, toda a minha rotina se manteve a mesma durante anos, e isso em particular me incomodava.
   Em meio a toda essa mesmice, me deparei com as perguntas. E foram essas que me abriram os olhos. Percebi que nunca tinha feito nenhum questionamento antes, e conseqüentemente, perdi muitas formas de aproveitar a vida (como nem todos sabem, as perguntas que questionam a vida fazem com que ela tenha sentido).  Mas acho que demorei tanto para perguntá-las, que não havia mais lógica nelas. Foi então, quando uma outra pergunta maior me surgiu “Onde vou encontrar as respostas?”.  Meus caros familiares, e amigos, sigam o meu conselho, nunca se perguntem isso. Foi essa infeliz questão que me levou a loucura. Mas hoje não sei mais se já era louco antes, mas isso é irrelevante.
   Tudo o que me lembro são trevas entre esse meu período de insanidade mental. E foi um período longo e doloroso, coisa que não recomendo nem ao meu pior inimigo.
   Sinto em dizer, que a luz me veio depois desta carta. Para ser mais exato, vou vê-la quando estiver com meu canivete sobre meus pulsos.
   Ah sim, peço desculpas pelas letras borradas. Foram escritas com o meu sangue. Achei que isso daria um tom dramático para a minha morte, afinal, sei que esta será notada por poucos, e afetará a vida de menos ainda.
   Agradeço por toda a atenção de você, leitor, que teve a paciência de ler uma carta de um suicida, encontrada ao lado de seu corpo nu. Perdoe-me pelo horror e provável enjôo que te fiz passar ao ter que retirar a carta de entre minhas pernas... mas tudo isso faz parte do meu “grand finalle” desta noite, como gosto de chamá-la, minha noite.


                                         Grato pela atenção.

Stephanie Correia
Enviado por Stephanie Correia em 20/02/2006
Código do texto: T114306
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Sobre a autora
Stephanie Correia
São Paulo - São Paulo - Brasil, 26 anos
71 textos (3482 leituras)
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Stephanie Correia