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POLÍTICA LOCAL E INICIATIVAS CULTURAIS

(para Lígia Antunes Leivas, em Pelotas/RS)

Obrigado pelo carinho e pelas considerações. Apenas faço a minha parte. Entendes porque fico triste quando chego à santa terrinha e vejo pouco feito e muito por fazer? Além disto, apesar do pouco realizado no associativismo literário, a “fogueira das vaidades” reinante no meio, consome o pouco feito e mata o que poderia vir a ser...

E sempre que encontro algo feito estás integrada nas ações, lutando, lutando...

Desde aquela vez da discussão em grupo sobre a edição de coletânea, enfim, da produção textual do Centro Literário Pelotense - CLIPE, "tirei o meu cavalinho da chuva". E já vão mais de seis anos.

Naquela ocasião ficou claro que não havia interesse de que a obra coletiva fosse divulgada mais amplamente pelo país e nem que viessem a ser convidados escritores fora do circuito local. E mais: havia autores que inviabilizariam a edição por não aceitar a aquisição antecipada de cinco exemplares por página de publicação no livro, resolutos na intenção de somente adquirir um único exemplar.

Foi-se o que restava de estímulo. Perdi o interesse pelo todo, porque fugíramos do objetivo maior, que é dizer a que veio o associativismo: a entrega à comunidade do produto final, o livro.

Coletânea ou antologia, enfim, obra coletiva que se preze tem de ter, no mínimo, de trinta a quarenta por cento da edição para circular a título de divulgação, para possibilitar o intercâmbio, graciosamente, com porte pago pelo grupo editor. Só assim ocorrem as permutas e se fica sabendo o que se está a escrever em outros lugares do país e do mundo.

Como popularizar a obra de autores novatos ou novos ainda sem livros individuais, se as edições coletivas servem somente para distribuição à família e para um pequeno círculo de amigos em âmbito local?

Será que estarei errado e é apenas a visão de quem tem andado muito?

Em quase todos os lugares por onde passo há envolvimento de comunidade e, por vezes, do poder público, o qual, no mínimo, ajuda com os selos para a remessa da obra a ativistas culturais e possibilitar a efetivação do intercâmbio institucional com bibliotecas previamente arroladas pela diretoria da associação.

A propósito, o nosso colegiado está indexado no sistema nacional de bibliotecas públicas? Isto representa receber todas as publicações da Fundação Biblioteca Nacional, a título de cortesia do editor.

Publicações importantes como a famosa revista POESIA SEMPRE, editada pela FBN, estão no rol. Só na 51ª Feira do Livro de Porto Alegre, ano passado, havia mais de 150 títulos deste órgão, em oferta! Que tal, preciosa amiga?

Obrigado pela aceitação do projeto referente à 2ª Feira do Livro e ao 4º Encontro Poético-Cultural, a ocorrer no município de Casca, que conta com cerca de dez mil habitantes. Estaremos juntos, por certo, com alegria. Sei que farás uma ótima palestra, acaso se confirme o evento.

Não sei se o poder público vai topar, ainda mais em ano eleitoral, em que se tem que abrir valetas, tapar buracos, ter dinheiro pra comprar gasolina e fazer favores eleitoreiros, na zona rural, com máquinas da Prefeitura abrindo estradas vicinais e pondo bueiros nos arroios sazonais!

Como explicar aos vereadores (e candidatos novos ao mesmo cargo) que o partido no poder vai gastar dinheiro com Feira do Livro, se a esta só comparecem os que pensam, os que definem seus candidatos pelo programa de tal ou qual partido ou plano de governo...

Afinal, estes não aceitam o cabresto dos chefetes políticos locais... Ou têm preço alto, porque sempre há aqueles que descobrem facilmente o seu preço, em qualquer categoria social. Afinal, o partido que pede votos precisa ter poder de fogo (R$) com os venais de plantão...

Enfim, aqueles que precisam de que se tapem os buracos e se abram valetas são os que não compram livros. E estes são a grande massa ignara que define a vitória...

Perdão! Estou amargo ao ver na TV e o espezinhar do "caseiro" no caso do Ministro Palocci, o qual teve o sigilo bancário burlado pelo governo do Presidente, este provindo do mesmo estamento social, aquele que lê pouco mas trabalha muito, o proletariado...

Está claro que o governo avisa à Nação que o homem do povo Francenildo, o “Nildo”, tem o preço de cerca de trinta mil reais... Era o que havia de depósito recente em sua conta bancária, operação levada a termo por seu pai, empresário piauiense que não o reconhecera oficialmente como filho. Ratificava, com este gesto, a negativa de paternidade.

Não se respeita o direito subjetivo público de cidadania. Parece-me até que a ditadura está rediviva!

Não gosto de 'reticências' (...), mas elas estão a me trair nesta carta ‘ao correr da pena’, como se dizia no século anterior, em que havia alguma esperança no futuro democrático do Brasil.

Por isso admiro os desacomodados sempre a postos, sempre prontos a contribuir com as iniciativas comunitárias, principalmente as de cunho cultural.

Aguardarei a convocação para estarmos coesos, trabalhando em grupo pela e para a Academia Sul-Brasileira de Letras, que neste ano completará, em 09 de maio, os seus 36 anos de existência.

Estamos fazendo a nossa parte. Cada um de per si, para o bem do todo. Nossa Pelotas merece, e a ASBL, a Academia dos três estados do sul do Brasil, crescerá pelo esforço de todos.

– Do livro CONFESSIONÁRIO - Diálogos entre a Prosa e a Poesia, 2006.
http://www.recantodasletras.com.br/cartas/126151
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 21/03/2006
Reeditado em 22/05/2008
Código do texto: T126151
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
2581 textos (709716 leituras)
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Joaquim Moncks