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SR. PRESIDENTE DA TERRA DE CABRAL DESCOBERTA A 1500

Desculpe se esta carta conter alguns erros de gramática ou concordância verbal. Primeiramente devo me apresentar, meu nome é Cidadã. Não sou empresária, nem política, nem burguesa, nem proletária, nem socialite, nem diplomada, nem nada daquilo que a sociedade possa considerar importante para dirigir-se ao "gerente" do nosso país. Eu apenas sou brasileira e , não posso fazer muita coisa pra mudar este meu país, apesar de retalhado eu o amo muito.

Ao caminhar nas ruas da capital do meu Estado, Porto Alegre, me entristeçe a imagem de crianças que talvez nunca saberão o que significa a palavra "cidadão". Me entristece pois eu não posso fazer muita coisa e, ninguém sozinho realmente pode fazer nada! Só todos juntos. Vejo que Gramado, cidade onde moro, é privilegiada; aqui ás vezas esqueço que meu país é carente e amocionalmente abalado...Renda muito, muito mal distribuída. Uns comem caviar beluga, outros pouco comem, quando comem...Lamantável!

Brasil, terra descoberta por EL Cabral e coberta pela vergonha atual. Agora, sem máscaras e nem confetes falemos da situação pouco pomposa desse pedaço de terra na América Latina, ou seria"Latrina"? Eu pouco entendo de política ou questões sociais; mas não sou cega, burra, desinformada, talvez seria melhor se fosse. Talvez minha ira se acalmasse e tudo seria indiferença. Não abordo nenhum tema muito diferente de outros críticos da mídia. Até sei que muitos falam até demais sobre ela, a "senhora displicente", a Educação Brasileira.

O país de minhas raízes está gravemente ferido, manipulado. Ferido, acorrentado e muito pouco consciente. O povo nunca perde a esperança, jamais desiste, diria até que são pessoas de sangue morno. Ao meu ver, a verdadeira causa dos problemas, todos eles é a falta de educação. Essa falta de busca, de luta, me revolta. Como, Sr. Presidente, um povo pode querer reinvidicar algo, se não sabe seus direitos? Não sabe sequer escrever seu nome... Não culpo ninguém menos que você. Sim, você e eu. Pois ficamos debatendo o assunto, discutindo e argumentando com lindas armaduras e palavras diplomáticas. Palavras...

No estado em que encontra-se, essa terra de"ninguém" e ao mesmo tempo de todos, palavras são nada. É preciso ação. Claro, nada se resolve da noite pro dia mas, convenhamos: pouca cousa está sendo feita, veja nossas ruas, nas favelas, no senado, nas zonas de prostituição...

Francamente, Sr.Presidente, enquanto você e eu ficarmos aqui com o traseiro descansado em veludo, muitas meninas e meninos, serão futuros marginais e prostitutas das ruas no país do carnaval.


                   Com profundo pesar espero que estas
            simples palavras tenhas chegado até seu coração.

Janaína Poletti
Enviado por Janaína Poletti em 05/04/2006
Reeditado em 30/06/2006
Código do texto: T134066

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Sobre a autora
Janaína Poletti
Gramado - Rio Grande do Sul - Brasil, 56 anos
134 textos (11166 leituras)
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Janaína Poletti