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Boa-noite, ó flor!!! Como vai você? Quanto tempo (rindo), quanta expectativa! Eu vou indo como o vento que chega aflito, como a noite que não quer dormir, como o anjo que só espera no pedestal. Hoje estou sem sono, ouvi sua voz chegando de longe, quase um murmúrio para meus ouvidos. Às vezes penso que o sonho é maior do que a própria realidade, que o mundo nos oferece coisas que não somos capazes de absorver com naturalidade.

A vida é mesmo uma viagem: caminhamos passos desconexos, falamos coisas sem muita clareza, voamos sem ter asas - sempre. Às vezes preciso parar, preciso pensar, preciso chorar pra não sair por aí gritando feito um maluco desnutrido. Ainda ontem sentamos em uma mesa de bar, contamos piadas, declamamos versos, rimos, e dividimos nossa alegria com outra criatura esplendorosa que lá estava a nos ouvir atentamente. Confesso que ainda sinto o gosto do chope que brindamos com tanta alegria. Isto sem falar no fogo da pimenta que reinava absoluta na lingüiça de porco.

Hoje não tenho Ana Carolina para ouvir, não tenho os vaga-lumes para clarear meus pensamentos, não tenho o copo de chope gelado para molhar as palavras. Mas tenho, em contrapartida, a exuberância da ingrata solidão. O tempo não passa, a hora não anda... você não pode me escutar. (Rindo muito), me lembrei de Drummod. E agora José?

Engraçado... nunca pensei que fosse publicar nossas cartas, elas são tão pessoais, tão nossas, tão intimas. Às vezes fico aqui pensando comigo mesmo: o quê será que os outros pensam de tudo isso? Tenho medo que pensem que você não existe, que tudo é imaginação da minha cabeça, que você é apenas um sonho possível. Ah, se eles soubessem o quanto você é bonita, o quanto você é inteligente, o quanto você me chama de poeta. Com certeza ficariam com uma baita inveja. É por isso que nem conto quem é você, é por isso que não ponho minhas cartas no correio, elas podem tomar um novo rumo, podem cair em mãos que não sejam as suas. Mas, um dia, vou ter que revelar para o mundo; vou contar que Flor é essa que tem tanto perfume. Já pensei até em dizer que você tem uma irmã. Sei que não vão acreditar, vão pensar que é enganação, que estou despistando, que estou dando pista falsa. Pensando bem, não vou contar, este será mais um segredinho só nosso.

Agora vou dormir, vou fechar os olhos para que você fique dentro de mim, mesmo que distante, mesmo que, por apenas um único segundo. Nem vou dizer boa-noite, como já disse, sou um homem rude, de poucas palavras. As despedidas me atrapalham, não deixam que eu diga exatamente o que penso, se deixassem diria... adoro Você!!!... Fuiiiiii
Pedro Cardoso DF
Enviado por Pedro Cardoso DF em 22/04/2006
Código do texto: T143521
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Pedro Cardoso DF
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 68 anos
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Pedro Cardoso DF