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Adeus, seu Mário II


    Olá, Luzia, como estás?

    Bem, eu continuo por aqui recebendo notícias da família

de seu Mário. Pois bem. Muito bonito, muito romântico e mui-

to bom para ele mesmo ter vivido como viveu.Sem compromissos

fixos, sem horários também.
     
     Mas é como o dito popular diz: não tinha onde cair morto

e esse foi o caso de seu Mário. Trabalhava e consumia. Vivia

numa boa! Morreu numa boa! Entretanto, Luzia, você sabe como

é a vida: "tá pela hora da morte" e enquanto ele se ia os que

ficaram, estão a reconhecer as dívidas de seu Mário.

      Para o preito final escolheram-lhe roupa nova, gravata,

(coisa que nunca usou em vida), sapatos novos, flores, enfim

tudo que condiz com o fato. Passado os primeiros momentos  de

dor, secaram-se as lágrimas e lá estão todos a verem-se com

as dívidas do acontecido.

       Indagam-se o tempo todo onde poderão arranjar dinheiro

para cumprir os compromissos deixados pelo seu Mário. Então

lembraram-se de uma velha tia, irmã da esposa de seu Mário.U-

ma mulher que durante a vida toda, desde quase menina, traba-

lhou e teve um pouco de sorte na vida. Ganhou dinheiro com

sua labuta e também com a herança que recebeu do pai a uns

dez anos atrás. Está bem, pode-se dizer, no sentido financei-

ro. Afora isso é uma pessoa que sofre por demais. É muito de-

oressiva e solitária. Teve a felicidade de encontrar o amor.

Um marido que ela amava e que a amava também. Infelizmente ou

felizmente, não sei, não tiveram filhos. A irmã,depois de al-

guns anos de casamento começou a sentir-se entediada e o ma-

rido não foi capaz de perceber o que se passava com ela.

        Os familiares também não, pensavam que ela estava mi-

mada demais pelo marido e não lhe deram atenção. A situação

foi se agravando e, depois de passsados outros anos o marido

morreu de acidente vascular cerebral. E ela agora, toma anti-

depressivos, consulta com o psiquiatra três vezes por semana

para continuar se mantendo sobre-viva.

         Mas, Luzia, isto agora não vem ao caso, apenas para

ilustrar. No dia que seu Mário deu adeus e se foi, ela per-

guntou a irmã se precisava de alguma coisa. Esta respondeu

que não. Tava tudo bem. Mas a verdade é que não estava. Acho

engraçado essa gente do interior. Eles fazem um rodeio imenso

para dizer o que querem.Irritaram-na no dia que telefonaram

para pedir dinheiro, pois o ocorrido havia saido caro.

          Ela não imaginava que fosse tanto. Gente que quase

nunca a procura para saber se precisa de alguma coisa. Se es-

tá bem, afora a irmã, essa sim. Vez por outra liga e pergunta

como está a mana, mas também pedia algum sempre. A outra po-

bre sentia-se na obrigação de ajudar. Afinal era a irmã. Mas

o cunhado usufruia também.

           Olha, Luzia, hoje a irmã me ligou. Estava extrema-

mente chateada por que fora um dos seus sobrinhos quem lhe

pedira a grana. Ela tem um afilhado que da mesma maneira   a

procurava ou escrevia-lhe uma carta que no conteúdo havia um

pedido expresso ou velado, insinuado de bufunfa.

            Luzia, ela já tomou uma decisão vai deixar tudo

que tem a uma instituição que no passado a ajudou muito nas

suas dificuldades. Para os demais, busquem seu rumo e procu-

rem um trabalho, seja ele qualquer que se apresentem. Apren-

derão a não ter medo da vida e do que ela lhes reservar.

           Um grande beijo para você de sua amiga Verônica e

até a próxima, se houver.
Marla
Enviado por Marla em 30/04/2006
Código do texto: T148105

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Sobre a autora
Marla
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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