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meu amor

Como será o nosso amanhã? A pergunta só por si amarga-me. saber que apenas uma resposta me satisfaz, mas não é precisa. Seria mais confortável silenciar este pensamento. Interiorizá-lo em mim. Matar as respostas.  Porque só uma me satisfaz. Me deixa feliz.

Dói escrever. Pensar e sentir as palavras. Dói pensar que o amanhã poderá ser o vazio. A nossa inexistência. E de quem ou de que dependemos nós? A fragilidade empurra-nos para o invisível. Deixa-nos cegos. Os sentimentos são quase que uma segunda opção. Tentamos sobreviver. Cansados de caminhar contra o vento. Arrasados.

Tu dizes: “amo-te”.mas quando a minha boca se cala e o meu corpo adormece, tu reclamas o regresso ao teu passado solitário, como se nada mais restasse senão mágoa e ressentimento. Quando eu me movo com breves alegrias, tu envolves-me em beijos e abraços e dizer: amo-te”. mas quando eu me afundo em tristeza e a melancolia me consome, tu matas-me com a tua aspereza e as tuas palavras gélidas.

És tu, armado de espadas, que me golpeias ainda mais e me deixas tombada sem forças para me conseguir levantar e interiorizar que sou capaz de viver.

Em tempos dizias-me que estavas melhor com a minha doença do que sem mim. Eu acreditei, com todas as minhas forças, e vi uma luz ao fundo do túnel. O resto de uma esperança. Contigo – só contigo – iria tentar ser feliz. Tu não entendes o que é, para mim, tentar ser feliz. É como enfrentar um exército e batalhar sozinha. Com todos os medos, com todas as fraquezas, derrotando as lembranças, as mágoas, todos os pensamentos que me arrastam para a tristeza.

Não me recordo de me teres dado um prazo. Todas as tuas palavras eram um conforto para mim. Uma almofada onde deitava a minha cabeça sempre que a dor chegava. Agora, as tuas palavras são cruéis. Questiono-me se te arrependes de as dizeres. Ou se são realmente sentidas. E o inverno chega-se a mim, de forma arrasadora. Sinto a solidão e o desespero a habitar-me e a esperança a gelar.
lunapensativa
Enviado por lunapensativa em 07/05/2005
Código do texto: T15321
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Sobre a autora
lunapensativa
Portugal, 44 anos
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