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Carta aberta

BsB, 16/05/06.

Olê, Olê, olha eu aqui, ó!!!... De novo escrevendo pra você. Como vai? Eu, aqui, do outro lado do muro, vou bem, mas poderia estar melhor se você estivesse por perto. Há dias em que tenho vontade de cometer pecados, há dias em que tenho vontade de cometer loucuras, todas as loucuras, todos os pecados, sem medo de ser feliz, sem medo de errar. Hoje é mais um desses dias.

Acho que o carteiro não anda entregando minhas cartas, disse-me ele, que os políticos estão mandando milhares de correspondências para os seus in_fiéis leitores. Estamos em ano de eleição, nessas horas somos “privilegiados”, somos lembrados por todos eles, que horror! Se pudesse, excluiria meu endereço e o meu nome das listas desses famigerados. Com certeza não perderia nada, nem eu, nem eles. Mas, com tudo isso, vou continuar escrevendo, sei que um dia receberá todas as minhas mensagens, nem que eu tenha que levá-las, pessoalmente, no lobo do valente Pégasos.

Estou como a estrela Vênus, pendurado no céu, perdido na escuridão da noite. Não ouço sua voz, não ouço o seu riso, mas ouço o silêncio que impera em meu peito. Folhas mortas correm pelo chão, ranhuras deixadas nas pedras me fazem lembrar suas pegadas vindas de todas as direções. É como se suas mãos guiassem meus sentimentos para os seus caminhos, caminhos até então desconhecidos de mim.

Às vezes penso que sou um louco, um menino travesso que ainda não encontrou a felicidade, mas que sabe que ela está logo ali, aos seus pés. Às vezes sinto que sou um amante de primeira viagem, um adolescente que ainda não sabe o gosto do beijo, o sabor do abraço, o cheiro do cio. Em alguns momentos, dentro de minha solidão, me pergunto: meu Deus será que tudo isto existe?! Será que estou re_inventando o amor?! É até engraçado, hoje tenho vontade de dizer: “meu amor”. Mas não digo, parece que a afeição passou a ser algo inútil dentro de mim, algo sem muita explicação, algo em obtuso desuso. Veja que os meus olhos não choram, não dizem nada, não retrucam. Veja que apenas minhas mãos tecem essas rudes palavras, palavras que um dia chegará ao seu destino (no tempo que mais desejo). Veja que estou aqui a divagar, a dizer coisas que nunca disse.

Na maioria das vezes penso que sou um menino velho ou um menino bobo, que fugiu do seu abraço, do seu colo, dos seus desvãos e, que às vezes pensa que não vale à pena viver. Vou terminar por aqui, já estou achando que a distância, mesmo que longa, seja algo que deva ser vencida e, que, o amor, mesmo que complicado, não é um campo de batalha onde temos que vencer e vencer, todos os dias.

Beijos millllll
Pedro, seu fã.
Pedro Cardoso DF
Enviado por Pedro Cardoso DF em 16/05/2006
Código do texto: T157219
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Pedro Cardoso DF
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 68 anos
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