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A Deus - Confissão de uma jurada

   Acreditava na vida doce e suave dum universo particular onde os dramas pessoais eram o máximo de todas as vidas. Cria na solução de toda maldade que se encara no mundo de forma mágica e não atuante. Todas as coisas tinham o poder de resolver por si só, e assim eu andava todos os dias: pelas pernas do acaso.
   Agora, me encontro perdida. Tenho em minha mente um olhar sem esperanças de alguém que cometeu um grave pecado no passado, e chegara até mim para decidir se deveria pagar por tamanha crueldade ou não. Eu jamais poderei identificar naquele relance de olhar se o vazio que me transmitia era por aceitar seu erro e desejar pagá-lo com resignação ou renúncia ao instinto de luta mesmo sendo o vilão ou por já ter pago por ele, de uma ou outra forma, pelo próprio destino.
   Senhor, acreditá-Lo, como alguém que julga outro alguém, é refugiar-me em Sua condescendência e piedade sem ao menos ter certeza de que aos Seus olhos agi de maneira correta. A manipulação do conceito pessoal de justiça vem de todos os lados, de forma grosseira e coatora ou de maneira circunspecta e sagaz, e como um sábio juiz afirmou, o que nos resta é pedir a Deus discernimento e sabedoria ao definir que futuro terá aquele que senta no banco do réu.
   Meu voto será por toda a vida sigiloso, como medida de proteção à minha própria consciência, mas desde logo denuncio que sou ré confessa, não de um crime dos homens, mas diante dos Seus olhos, pois acreditei que tinha a capacidade e firmeza para agir como Senhor e definir o destino de um semelhante meu, mesmo que seu interior seja ou não de um ser cruel. Benditos sejam os juízes sábios, pois esses trazem em si um dom supremo de Deus.
   Saí com segurança da sentença dada 'aquele outro ser, que é meu semelhante em aparência mas um alienígena em relação a vida e conceitos, contudo me flagro olhando para o alto, me perguntando ao Senhor: mas quem sou eu para julgar alguém? Para punir ou absolver? Que autoridade tenho eu para libertar ou aprisionar? Finalmente entendi o preceito bíblico.
  Termino pedindo antecipadamente perdão pelo que não fiz ou fiz, pois só ao Seu encontro saberei se foi correta minha atuação como deidade. E se novamente a mim incumbir  definir o destino de outro alguém, clamo com todo fervor que eu seja investida de discernimento e sabedoria, e que não trema como tremi por saber que meu pecado era me tornar Deus...
Cris Vilanova
Enviado por Cris Vilanova em 17/05/2006
Código do texto: T157547
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Sobre a autora
Cris Vilanova
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 35 anos
57 textos (4226 leituras)
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Cris Vilanova