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Poeta,

Belo nome! Recebido o seu email, seguido o seu link, cá estou a lê-lo e a tecer um comentário começado por um agradecimento pelo convite para fazer esta visita. Se uma imagem ao ser mostrada elimina a necessidade de “mil palavras” que fossem necessárias para uma descrição, um gesto projecta a imaginação. Melhor que nos dizerem gostei do que me mostrou, é mostrarem-me que gostaram...
Este convite deste modo o agradeço, tecendo algumas palavras para partilhar consigo a experiência que ao propor me proporciona. Dado o seu respeito pelo poeta que faz a apresentação, fui lê-lo com atenção.
Sempre gostei de poetas impares, os pares, se não são vulgares, fazem lembrar a possibilidade de dar resto zero... dividindo por dois? Há pois uma mecânica que é ou contém uma matemática de pensar as coisas: gosto de poetas primos, aqueles que só são divisíveis pela unidade e por si mesmos! Posto isto, os poetas gostam de palavras e umas palavras simpáticas são sempre belas e, sendo belas, são sempre verdadeiras na sua forma... sem necessidade de conteúdo? Sim! Não anda longe disso muito rocócó, muito parnasiano, muito romantismo, muito que é muito qualquer coisa: qualquer colagem a um género é um género de cópia de qualquer coisa... uma ideia de qualquer coisa. É esta a ideia que faço dos poetas pares, sempre replicam uma realidade onde já têm molde que lhes sirva.
A partir deste arrazoado terei muito gosto em ir ver se é impar e em dizer que sim que é impar, todos os poetas são impares! Isto é a felicidade de estarmos vivos e as palavras serem fruto da emoção, não é novidade nenhuma. Agora que já desvalorizei as minhas palavras quaisquer elas sejam e venha a pronunciar, já posso dizer o que quiser. Sabe que o valor da sua poesia está no valor que lhe atribui, tem pois de se descobrir e afirmar. À simpatia sóbria da sua apresentação, é necessário haver uma obra que se imponha ao próprio autor: já que o autor de Poesia tem de ser um cantor, um actor, um homem de palco...
Nunca lhe peço que não seja sóbrio, aprecio a sobriedade. Há o homem e há o poeta, não tendo de se confundir, geralmente confundem-se sem que isso dê nunca grande resultado. Por isso, venham os poemas, vou tentar esquecer as apresentações.
Depois de ver que os poemas não se apresentam por ordem alfabética, começo pelo primeiro com a convicção de não ser mero acaso a sua escolha para abertura: Paz.
Paz é um soneto que desenvolve um tema, tendo-o sempre como finalidade: Paz... termina: «com a canção mais suave e mais bonita,/ ao PAI que nos mostrou o que é amar!».
Vou ver agora o último poema, este, possivelmente, por ser o último estará... mais por/ puro acaso. Outro, outro ainda; não tento ser exaustivo, retiro uma certeza e sinto-me certo, fico com ela. Ou seja, a certeza é esta: foi certeiro o comentário do apresentador! Escolho: «conduz o leitor à doçura/ versos puríssimos/ sensibilidade ímpar»!
Confesse poeta, consegui lhe agradar? A ideia era essa, digo-o sem pressa; motivo?, talvez não tenha exposto a minha alma! Sabe, não acredito no Senhor, o senhor acredita. Isso não retira nada de verdade aos seus versos a meus olhos, gostaria de lhe dizer é ter ficado convertido à Fé, não digo mas por pouco: foi o poeta que lembrou o ditado, “de poetas e loucos todos temos um pouco”.
Eu estou a sofrer com uma certeza que não tenho, queria-lhe dar uma alegria... Como é que lhe hei-de dizer, mesmo sendo os deuses todos humanos: a alma é divina! Consegui, amigo? Dei-lhe uma alegria? Receba um abraço! Ateu como eu, mas teu, para ser seu e... com alma, divino!

P.S. - Provavelmente conheceu-me a partir do Recanto das Letras, lá venho escrevendo partilhando com os leitores esta experiência da escrita ser um diálogo... Não estranhe ter feito + uma "carta aberta", quem ler dirá que tenho muita imaginação, de si só espero não desgoste a acção: situação salvaguardada, com con_sentimento.
Francisco Coimbra
Enviado por Francisco Coimbra em 09/05/2005
Reeditado em 09/05/2005
Código do texto: T15856
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Sobre o autor
Francisco Coimbra
Portugal
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