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O vinho perdido

BsB, 20 de maio de 2006.

Oiii Olha eu aqui, de novo!!!... Como vai você? Eu, como sempre, vou bem, obrigado! Como o carteiro não está entregando minhas cartas (me parece que ele está mal intencionado), resolvi colocá-las aqui na internet de uma vez por todas. Quem sabe assim, você possa lê-las, um dia, ao seu bel prazer. Sempre digo que você é a Rainha da Inglaterra, é claro que ninguém, de sã consciência, acredita nesta barbaridade (às vezes nem eu admito sua existência física, de fato e de direito. Tenho que me beliscar para ter tamanha certeza).

Seus súditos, aqueles trabalhadores inventariados e retrógrados, que você deixou por aqui, morrem de inveja quando digo que ainda vou entrar em seus aposentos sem anunciar minha chegada, sem marcar hora, sem pedir licença. De sacanagem, joguei um beijo ao vento em retribuição a um oi supostamente dado por você, um daqueles bem molhados, que só um amante, como eu, saberia dar. Ah, eles piraram, não acreditaram no que viram. Fizeram cara feia, bateram a porta na minha cara, mas eu nem liguei.

Os fatos conspiram contra nós, nos fazem viver feito fantasma: pessoas sem corpo, sem identidade própria, mas de alma concreta e sentimentos cristalinos. A partir de agora, e por, um longo período, certamente pequenos deslizes tomarão novos rumos e terão uma dimensão ainda maior do que o que realmente possa ter. Mas isso pode ser contornado com facilidade, até porque não acreditam que uma rainha possa querer qualquer coisa com um poeta rebelde como eu. Se eu digo que você é uma Deusa, pensam logo que estou brincando, isto só nos favorece.

Nossas conversas não podem ser concluídas, é verdade, ficam pelas metades, entre códigos e sinais de fumaça... rindo muito. Nós nos tornamos pessoas Especiais. Não precisamos de frases completas para expressar o que sentimos e o que estamos pensando um do outro. As palavras passaram a ser um mero instrumento de sinalização, o que precisamos considerar, de fato, são obras que vão além dos sinais e das letras. São atos límpidos e inteiros, fatos que vão além do cotidiano, algo que nos obriga a construir o nosso dia-a-dia.

O amor é uma construção faraônica que requer projetos objetivos, reais, sem ranhuras, sem mazelas. Por mais paradoxal que seja, nos permite vislumbrar novas conquistas, novos horizontes. Sua arquitetura pode ser simples, de traços singelos, não requer mão-de-obra especializada. É importante lembrar que a leveza dos sonhos está mãos de quem apara as arestas cortantes e pontiagudas, isto sabemos de cor.

Neste momento a lua está de barriga cheia. Por isso, vou continuar navegando em sonhos, inventado histórias imaginárias para que um dia possamos contar para os nossos filhos, histórias tão fortes que às vezes nem eu acredito serem verdadeiras, outras vezes, tão ingênuas que nem poderiam ser levadas a sério. É por isso que lhe digo: o vinho que iríamos tomar está perdido.

Beijos, beijos, beijos
Pedro, seu fã.
Pedro Cardoso DF
Enviado por Pedro Cardoso DF em 20/05/2006
Reeditado em 22/05/2006
Código do texto: T159727
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Pedro Cardoso DF
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 68 anos
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