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Carta para a minha irmã

Quando penso em uma amiga, que me oferece o ombro quando estou chateada, que me faz sorrir quando quero chorar, que divide comigo minhas conquistas, minhas alegrias, que reclama, reclama, mas está sempre comigo, esta pessoa é você. Quando penso em alguém por quem eu morreria ou mataria, este alguém é você. É por esses motivos, minha irmã, minha vida, que eu te amo tanto. E é para deixar isso bem claro que te escrevo esta carta.
Dona de uma beleza singular, requintada, você desconhece o poder que os seus olhos têm. Grandes, exuberantes e ao mesmo tempo tão tímidos, jorram lágrimas para dentro, para a alma. Tem uma sensibilidade única. É dona de um coração enorme. Você é linda, doce, educada e com uma inteligência desconcertante. É a mulher que eu gostaria de ser.
Às vezes, quando me descontrolo fazendo jus ao meu pavio curtíssimo e escuto suas observações e orientações acerca das minhas intempéries, sinto vergonha por ver que minha irmãzinha está me repreendendo. Por outro lado, tenho orgulho em ver o caráter lindo que você tem. Caráter seu, não fomos nós que o construímos. A beleza da sua alma é unicamente seu mérito.
Aí te vejo tão madura e me esqueço que tem apenas 17 anos. Uma menina! Uma garotinha que ainda brinca de criar e alimentar bichinhos virtuais na internet, que pede leite com chocolate logo quando acorda, que assiste Padrinhos Mágicos na seção de desenho animado da TV e que traz para casa gatinhos de verdade escondidos na bolsa da mochila da escola. Ao mesmo tempo, uma mulher repleta de sonhos (mesmo que às vezes se esqueça deles) e que já passou por algumas mazelas da vida que muitos sexagenários ainda não enfrentaram, como a tristeza de ver a própria mãe querida morrer praticamente na sua frente, sem que pudesse fazer nada.
Minha menina-mulher, ainda me lembro como se fosse ontem quando soube que teria uma irmãzinha. Quanta felicidade! Você foi o nosso presente. A vida começava a parecer sem graça para uma pré-adolescente, mas aí você chegou. Nossa nenê, nossa bonequinha, nossa nenequinha! E quanta alegria nos proporcionou. Aprendendo e realizando tudo o que uma criança de sua idade fazia, mas de uma maneira muito mais inteligente e engraçada.
Minha irmã, como eu gostaria que você soubesse o quanto é amada. E do jeitinho que você é! E não só por mim, mas por nosso pai, sua madrasta, nosso irmão, a pequena Luiza e mais uma infinidade de amigos que só querem o seu bem.
Sei que não sou, por assim dizer, a irmã que você gostaria de ter. Que sou chata (muitas vezes insuportável) e beirando à loucura. Entretanto, sou sua irmã para o que der e vier. Quero, mais do que ninguém, que você seja muito feliz. Use o meu ombro também. Confie em minha amizade da mesma forma que confio na sua. Espero que enxergue a mulher linda que você é, e perceba a infinidade de qualidades que possui e que poucas pessoas têm o privilégio de ter. Gostaria, do fundo da minha alma, que você enxergasse isso com o seu coração, com a sua alma e com esses seus olhos castanhos lindos.
Tenho orgulho de ser sua irmã e me sinto honrada por Deus ter te confiado à nossa família. Você é Barbara!

Amo-te,

Renata



*Dedico este texto à minha irmã Barbara Poskus Vaz
Renata Poskus Vaz
Enviado por Renata Poskus Vaz em 17/06/2009
Reeditado em 17/06/2009
Código do texto: T1653268

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Sobre a autora
Renata Poskus Vaz
São Paulo - São Paulo - Brasil, 32 anos
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