Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Resposta a Adamastor

Da Quinta da Boa Ajuda em outubro de 1834

Meu mui amado Adamastor, paz e bem.
Há meses me escreveste, tardou  chegar tua carta . Como me disse o estafeta, estamos em época de muita chuva e dificulta sobremaneira o desempenho dos cavalos, as estradas praticamente desapareceram, mas, hoje temos uma belíssima manhã, com certeza foi o estafeta que a trouxe dentro de tua carta, meu amado!
Realmente uma bela manhã, prelúdios de teu retorno. O desabrochar da aurora encerra belezas que só a paixão vislumbra. Não sei de espetáculo mais belo! Sem contar a deslumbrante visão de tua carta, encerrando em letras tua voz que guardo em meus pensamentos. Já amanhece aqui no arraial, o sol já fende no horizonte com seus fecundos raios a acariciar a terra e me lembrando do quão fecundo é o nosso amor...
Certamente uma manhã festiva, não fosse teu pesar, narrado nesta carta que ora leio. Em minhas orações peço a Deus que não tarde a socorrer e vingar as barbáries contra esta sofrida raça.
Mas que te sirva de alento à notícia que envio. Está em nossa casa um mascate português recém chegado da Europa que nos traz algumas alvissareiras notícias de além mar. Conta-nos que em Portugal recolocaram ao trono D. Maria II. Nosso mui amado Pedro I talvez já esteja morto, doente que estava, mas a morte que quero te relatar me deixa felicíssima e com certeza deixar-te-á também. O Império Britânico aboliu a escravatura em seus domínios.
Anime-se, meu querido. Bons ventos nos virão daquelas terras, o mundo há de mudar.
Amado meu, és virtuoso, tens bom coração, me encanta teu fervor e teu desprendimento por estas criaturas de Deus. Ensinaremos nossos filhos a praticarem desde cedo essas virtudes para que o turbilhão de idéias mundanas não os acometa...
O mascate também trouxe, a pedido de meu velho pai, o mais belo vestido que já vi em minha vida para nossa tão esperada união.
Estamos reformando aos poucos aquela velha ermida no cimo do outeiro, lá selaremos nossos votos. Quero usar por toda a minha a vida, no meu dedo, a algema divina que unirá nossos corações, forjada no fogo da nossa paixão. Ela é nossa esperança de horas calmas, hoje na minha mão direita é o penhor da minha afeição e da minha espera, logo a teremos na mão esquerda e se completará nossa ventura !Sinto parar de te escrever agora, meu querido, tenho afazeres que não esperam, a petizada me aguarda para a catequese diária.
Um abraço terno e um beijo revelador de meu amor e de minha paixão, meu amado Adamastor,
Eternamente Tua
Genoveva

Paulo de Tarso
Enviado por Paulo de Tarso em 31/05/2006
Reeditado em 15/07/2007
Código do texto: T167005
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Paulo de Tarso
São Paulo - São Paulo - Brasil, 60 anos
94 textos (11227 leituras)
3 áudios (1048 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 23:16)
Paulo de Tarso