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Então você morre.

  Chegou a hora.
  O momento de morrer.
  Hoje é o seu último dia sobre a terra.
  O inferno começou em um dia 21 de outubro e também termina neste dia miserável.
  Não havia mais o que fazer.
  O tempo se esgotou.
  Todos o abandonaram, viraram-lhe as costas.
  Você não poderia levar este pesadelo adiante.
  Foi uma decisão dificil a ser tomada.
  Mas as circunstâncias o levaram a este fim.
  Vovê tentou mas não conseguiu.
  Hoje você se levanta, ouve música, lê um livro.
  Anda de um lado para o outro, buscando as últimas "reservas" de coragem e, se fumasse, daria as derradeiras tragadas.
  Então senta-se na beira da cama, coloca a cabeça entre as mãos e chora copiosamente, como se as lágrimas fossem "levar" embora um pouco da sua desgraça.
  Você pensa em várias coisas.
  A sua vida passa como um "filme" diante dos seu olhos.
  Lembranças lhe vem à mente: Sua mãe e a sua irmã "jogando na sua cara" tudo o que fizeram por você, dizendo quão "parasita" você é; seus "muy amigos" ridicularizando-o, rindo das suas dores; os risos de escárnio e a indiferença das garotas.
  Lembraças que lhe ferem como um punhal.
  Chega dessa agonia.
  Então é chegado o fatídico momento.
  Você dirige-se ao ármario, abre a gaveta e apanha a arma.
  Destrava o pente, insere uma bala, pois não precisa mais do que isso. Trava-o novamente.
  Encosta o cano na boca, sentindo o gosto frio do aço, a iminência da morte.
  Você esta lúcido, completamente ciente dos seus atos.
  Até que tenta enfrentar  friamente o fim, mas é impossivel.Novamente as lágrimas escorrem pelo seu rosto.
  Então toma fôlego, sua respiração está acelerada, seu coração bate alucinadamente.
  Agora não há mais volta, não há como desistir.
  Num piscar de olhos o gatilho é pressionado.
  Ouve-se um um estampido seco.
  Acabou.
  A bala destroça a sua cabeça.
  A cena a seguir é pavorosa: Com o impacto, seu corpo tomba para trás, jazendo inerte na cama; de sua boca escorre um filete de sangue; pedaços de cerebro estão espalhados no chão; sua cabeça está "mergulhada" numa "piscina" de sangue que encharca a sua cama.
  Seus olhos fitam o vazio.
  Tudo termina em poucos instantes.
  Você deixou esta vida como sempre foi: solitário.
  Sem familia, amigos, namorada.
  Ninguem sentirá a sua falta.
  Nunca se importaram com você. Era o melhor a ser feito.
  Finalmente terminou o inferno, o pesadelo.
  Findaram-se as dores. acabaram-se as lágrimas.
  Não haverá mais tristezas!
Arcanjjus Negrus
Enviado por Arcanjjus Negrus em 04/07/2006
Reeditado em 11/04/2010
Código do texto: T187611
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Sobre o autor
Arcanjjus Negrus
Pinhais - Paraná - Brasil, 34 anos
1310 textos (86494 leituras)
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Arcanjjus Negrus