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Insana Loucura de Amar

Ela amava talvez por isso não compreendesse como era possível passar ao largo disso sem sofrer quando a sua ausência era uma constante, num jogo sentimental que parecia uma montanha russa emocional tal era a inebriante vertigem e adrenalina vivida. Ela tocou a cor do amor ao de leve primeiro com receio tal eram as feridas que tinha demorado a cicatrizar e depois com uma intensidade tal que a dimensão dos seus sonhos se desenrolava diante dos seus olhos. Escreveu dia após dia os seus sentimentos numa obra que era um conto feito de pequenos fragmentos que ela sentia brotar de dentro do peito. Uma história de amor e lágrimas, um relato de tal intensidade que ao reler os seus olhos se enchiam de luz. Na sua obra estavam as alegrias estonteantes de um coração apaixonado, estava o brilho nos olhos, estava o bater descompassado, mas também as lágrimas cruéis, o desgosto, a mágoa e uma série de apelos de dor, que eram quase uma súplica rastejante de agonia.
Só um sentimento permanecia constante o Amor!
Talvez por ser verdadeiro fosse capaz de suportar tantos retrocessos, tantos afectos e desafectos, tantos inícios e tantos fins, na verdade ela tinha um coração de ferro porque tinha a resistência de um tanque blindado só que ao invés de no seu interior ter guerreiros, armas e comandos, tinha pétalas de rosa, nuvens de esperanças e anjos com asas de algodão. No fundo ela não entendia como é que tanto sentimento podia passar ao largo de uma pessoa que dela gostava? Como seria possível resistir de forma tão estóica ao carinho? Como é que toda a ternura que ela lhe dedicava não tinha para ele a dimensão do infinito? Como seria possível achar que não valia a pena investir em alguém que lhe queria dar tanto? Como seria possível silenciar tudo isso em detrimento de partilhar? Este era parte do seu mundo de Como’s...
Em todo esse percurso ela fez um longo trajecto espiritual, a sua vida nunca mais seria a mesma e na verdade ela sabia que nada tinha sido por acaso. Talvez ela não tivesse direito a ser feliz com ele como tanto desejava, talvez todo o sentimento que inflamava o seu peito não fosse suficiente para preencher o vazio triste e sombrio da vida dele, talvez a alegria e o sorriso valessem pouco, ou simplesmente talvez ele tivesse ressequido os seus sentimentos na dimensão triste de um passado mal resolvido. Ela não sabia os seus reais motivos, porque por alguma razão que lhe era perfeitamente ultrapassável ele preferia emudecer ao seu lado e desabafar com todos menos com ela que tanto o desejava entender...
Ainda assim uma coisa era certa ela amava-o...
Dizia isso com um sorriso e uma lágrima brilhante junto á íris do olho, porque ele era o sonho mágico e alucinante, ele era as asas de uma borboleta que tecia ilusões douradas e avançava ao ritmo estonteante do seu coração..
O impossível que alguém tanto adorava não era ela, mas sim ele, porque ele sim era inalcançável...
E em cada mensagem subtil que ela lhe deixava estava um sopro do seu coração, em cada palavra, em cada letra estava o sentimento inebriante que conduzia a sua vida, que afugentava e bania os seus demônios, que a fazia sonhar com as estrelas e com o céu de cores de fogo. Ela só tinha uma rara e terna certeza, tudo aquilo que sentia tinha a dimensão maravilhosa da paixão, e do afecto.
E ele não tinha a dimensão triste e sombria do passado, mesmo com a sua ausência tinha a presença sorridente e alegre. E se ela chora, oh se chora, é porque tão simplesmente o ama e o vê fugir devagarinho dos seus braços para se remeter às trevas de um presente em que vive as amarguras de quem não o merece. Na vida damos constantemente valor a tudo aquilo que nos faz mal e desviamos os olhos de quem nos quer bem. Talvez porque achemos que quem gosta de nós estará lá eternamente...manifestações ou impulsos negativos da mente.
Agora é ora de ela fechar os olhos e voar, bater as asas...num esforço inglória ela continuará tentando arrastar o seu corpo cansado e o dele pelas paisagens soberbas da natureza, para lhe mostrar tudo aquilo que existe de belo que ele ainda não viu, para ele acreditar novamente na Felicidade e no Futuro. Só para ele não ter que olhar mais para o passado e pensar no tanto que o fizera sofrer, porque quando se encontra o Amor não precisamos de recordações, temos o presente como constante para nos dizer que nada existe de mais belo do que a Vida que estamos e temos o privilégio de viver, o dia-a-dia como incandescente forma de se ser Feliz.
Sonya
Enviado por Sonya em 11/07/2006
Reeditado em 04/08/2006
Código do texto: T191871
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Sobre a autora
Sonya
Portugal, 35 anos
170 textos (17297 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 08:05)
Sonya