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Carta Aberta a D.G.

Nota:

Não cabe, aqui, quem é D.G., ou se existe, enquanto pessoa. Ele é "persona" (máscara, do latim). Cumpre saber que há D.G.s!
O que segue pode ser lido como texto literário ou, melhor hipótese, simples desabafo. Em todo caso, são humanas (e falíveis) suas asserções.

Andrei


CARTA ABERTA A D.G.

Salve, meu caro!

A ti, sangue, fleuma e bílis! porquanto, há tempos, desejava purgar humores que me aliviassem coração e fígado.

Não sei, realmente, porque não me reportei, antes. Cria, talvez, entravada minha capacidade de exame da situação, quando tudo se deu. E não sei, em verdade, se já vejo com apuro e relativa maturidade a extensão das facticidades.

Convenço-me, entretanto, de que um mal assim era necessário.

Feedback, insight, retroalimentação... toda essa bobagem neurolingüística só para definir atitude e achar que tudo cabe em modelos. - Coisa de americano!

Muito bem! Começamos por onde?

Digamos, assim, de chofre, desentupindo logo os brônquios: que um raio parta todos quantos alimentem a pretensão de fazer, sem ser!

Sobre fazer...

Gerir, representar uma instituição, muito mais que formação teórica sobre métodos e processos (sei que fizeste um curso por duas ou três cartas, uma delas extraviada), requer a habilidade de liderar.

Em alguns, a liderança é algo inato. Noutros tantos, o carisma se vai formando: têm sensibilidade, face aos conflitos próprios das relações interpessoais. Conduzem-se vertical e horizontalmente, harmonizando interesses - móbeis de todo crescimento humano (é a história do feedback!).

Vê-se logo, malgrado a pose, que a natureza não te pagou tributo. Também, o estreito horizonte que entrevês das persianas do quarto, não to permitiram enxergar além. E ficas aquém das possibilidades! - E nisso, o problema do ser...

Em pretensamente fazendo, sem ser... bem... é melhor que não saias na chuva!

Sem pretender ao romantismo, camarada, toda instituição é (pelo menos, em tese) um universo em que orbitam outros astros em outras órbitas, embora todas órbitas circunscrevam o mesmo sol - e isso é holística!

Orbitando em torno do próprio umbigo fica difícil entender, não é? Como não pode mesmo entender alguém invasivo, unilateralista, que faz do poder jerárquico o único argumento e meio de controle, tornando insubstancial qualquer ensaio de acordo.

O que erige e projeta uma marca, colega, são suas pessoas - principal insumo - e pessoas motivadas, imbuídas dum ideal ético, livres e capazes de construírem, sinérgicas, o edifício do bem-comum; identificam e crêem em valores que não se podem alienar.

O que sabes disso? - És o instituto!

Claro! Relações de poder existem. Sempre existirão, enquanto houver sociedade histórica, com seus códigos, símbolos e códices, tacitamente ou não. Mesmo em Utopia, havia relações de poder. Diga-o Morus...

Agora, daí a proclamar "Le etat, c'est moi!", mon ami!...

Estou é cansado.

Principiei este texto por um impulso; movido, quiçá, pelo rancor.

A minha escrita, porém, liberta-me. Não encontro mais ânimo para prosseguir.

Minha humanidade instava dizer-te uns tantos desaforos e imprecações.

E o que sei eu, afinal?

Há uma linha tênue entre supostos vítima e algoz.

Papéis...

2006, 11 Jul
Andrei Portugal
Enviado por Andrei Portugal em 12/07/2006
Reeditado em 03/02/2007
Código do texto: T192208

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Sobre o autor
Andrei Portugal
Fortaleza - Ceará - Brasil, 41 anos
49 textos (3962 leituras)
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Andrei Portugal