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Tulipas Congeladas

Gramado, 09 de julho de 2006

Estimado



     Depois de tantos anos, você vem a porta da minha casa, num domingo familiar. Apresenta-se completamente bêbado e afirma me amar? Confesso que muito tempo atrás eu sonhava com essa cena, sofri muito com teu desprezo. Você só sabia me machucar, e quando não o fazia na hora, me adoçava para logo se azedar.
     Acho que o seu tempo já passou. A oportunidade de termos algo já se diluiu a muito. E eu admirada, não sinto mais nada por você, não mesmo.
     Quando eu te vi no portão da minha casa, eu não tremi...eu não fiquei nervosa e nem escutei o que saia do meu peito, porque dessa vez, não saia nada. O teu nome não estava de baixo de nenhuma poeira, e aliás nem a poeira havia.
     Sabe o que eu vi em você nesse momento?
     Eu fiquei pensando como era possível eu ter sofrido tanto por alguém que nem você?
     Porque eu não via nada de tão interessante em você depois desse tempo. Realmente, o tempo faz milagres! E o tempo tinha feito algo a mais, havia me dado maturidade. Eu não sou mais aquela menina inexperiente que você conheceu tempo atrás. Eu sou umamulher madura, sem senso de humor para piadas tolas, sem paciência para infantilidades da tua mente descontrolada. Desculpe, mas eu amadureci.
     Não me dou ao luxo de perder nem um minuto do meu tempo com alguém como você, que nem sabe o que esta fazendo neste mundo, e ainda quer desorientar outras pessoas, na inútil esperança de sentir-se útil e feliz, o que não irá acontecer nunca.
     Eu nunca mais quero ver você nessa posição hilária de dizer que me ama. Cousa que nunca amou. Nunca.
     Ciúmes. Ciúmes de quem?
     Entrei num relacionamento que você mesmo me empurrou. Sai desse relacionamento muito triste sim, mas em melhores condições do que com você.
     Ciúmes de mim? Mas o que posso fazer,amigo?
     E é essa palavra a única que lhe restou: Amigo.
     Nosso tempo já era. Nossos beijos são passado. Esta tudo arquivado, mas acredito que existem bem mais decepções do que boas surpresas.
     Você tem que admitir que me perdeu para sempre.
     Nunca tive tanta certeza de algo como disso, já era.
     Você pode se debulhar em lágrimas, que eu nem consolar poderei. Você nem tem que aparecer na minha frente, nem na minha casa. Teve a sorte de minha mãe não ter te dado um tiro na cabeça, incrível como ela ainda lhe tratou bem, em fista a tudo que passou, e a tua apresentação. Você estava falando besteira demais, cousas que se fosse em outra época, eu acreditaria.
     Mas graças ao bom Deus, eu consegui superar você.
     Se quiser ser meu amigo, tudo bem. Mas se quiser forçar algo que não quero, dai...Nunca mais quero ouvir a sua voz, mesmo que seja se derramando em desculpas. Quero que você suma do meu contato, igual a um vírus ao qual eu já estou imune.
     A verdade é que me enchi. De você, de nós, da nossa situação de mentiras. Não tem sentido eu continuar dessa maneira. Não sou lixo! Não quero mais nada no mundo que esxista por sua interferência! Não quero mais rastros de você no meu quarto!
     Até a sua lembrança me dá asco certas vezes.
     Bem, era isso. Espero que esta carta consiga levantar você do estado ridículo e deplorável em que se encontra. Mentira! Não espero nenhum efeito desta carta, em você, porque aí, me veria torcendo pela sua morte. Por remorso.
     Se, isso me causava alguma dor no passado, atualmente, dou risada.
     Você não é homem para mim, depois que eu tive um melhor do que você em todos os sentidos, você, para mim...


     Adeus, graças aos céus!!!
Janaína Poletti
Enviado por Janaína Poletti em 13/07/2006
Código do texto: T193321

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Sobre a autora
Janaína Poletti
Gramado - Rio Grande do Sul - Brasil, 56 anos
134 textos (11166 leituras)
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Janaína Poletti